quinta-feira, 30 de março de 2006
Barquinho
Lá vai o meu amor
Lá vai meu amorzinho.
Lá vai o meu amor
Lá vai meu amorzinho.
Remando, remando,
Remando no barquinho
Remando, remando,
Remando no barquinho.
Não há quem não tenha paixão,
De um amor que foi embora.
Não há quem não sinta saudade,
Não há coração que não chora.
Eu vivo fazendo um pedido,
Pra maré que te levou.
É que eu tô com saudade de ti.
Eu tô, eu tô.
Mar, ô mar, ô mar
Pega, amarra segura.
Trás o meu amor pra cá.
Caipirinha holográfica
- 1 copo de vodka- 1 pedaço de melancia
- 1 Coca-cola light
- Gelo
- Bastante gelo
- Mais gelo
1. Colocar tudo no liquidificador.
2. Mexer por aproximadamente 3 horas. Das 01h00 às 04h00.
3. Beber na boca. Sem copos. Cem corpos.
Caipirinha holográfica
Bebida ácida, quente e gelada.
Que ex-corre pelos lábios, que confunde o suor.
Que anda pelo corpo, que sente o copo quente. Melhor...
Licor de melancia, no copo com gelo. Whisky de coca-cola (light) e sem limão.
Cheiro que se vê, se sente, mas não se pode tocar.
Olhares profundos, que olha e disfarça.
Amizade sincera - Que vive, que morre, que vira fumaça.
Sentimentos interrogativos.
Paixão dopaminada, metabolismo acelerado.
Mix de sons, sabores, formas e cores.
Azul-anil, abóbora, cor-de-rosa.
Boa de copo, de corpo, de mente e de prosa.
Suor batido, milk-shake de sentidos.
Abraços, amassos, calor-arte.
E o destino, veloz, ninguém combate.
Paixões verdadeiras, sofrer faz parte.
sábado, 25 de março de 2006
Zé Da Luz
Cordel Do Fogo Encantado
Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Da vês que nois dois ficasse
Da vês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse
sexta-feira, 24 de março de 2006
Pão de queijo virtual
Me deixa sem ter ao menos ficado
Fica sem ter ao menos tocado
Olha, sente de longe
Ciúmes de teclas, coração machucado.
Paixão que não nasce do mesmo, do igual
Amor virtual
Sorrisos traduzidos em bytes
Emoções que transcendem, que vão e que voltam
Declarações digitais.
A foto sorri na tela
O sorriso acanhado da moça
A luz que queima a janela, esboça.
Cheiros, sonhos, fantasias
Aventura virtual, amor digital
Promessas de fugas, de vinda rasteira
Amasso de brincadeira que pega, que põe e que cheira.
Amor virtual, paixão desigual
Começo do fim. O fim do meio
A pele que não insiste
A química existe.
A física ao avesso... começo.
quarta-feira, 22 de março de 2006
Deixe a Menina
Não é por estar na sua presença
Meu prezado rapaz
Mas você vai mal
Mas vai mal demais
São dez horas o samba tá quente
Deixe a morena contente
Deixe a menina sambar em paz
Eu não queria jogar confete
Mas tenho que dizer
Cê tá de lascar
Cê tá de doer
E se vai continuar enrustido
Com essa cara de marido
A moça é capaz de se aborrecer
Por trás de um homem triste há sempre uma mulher feliz
E atrás dessa mulher mil homens sempre tão gentis
Por isso para o seu bem
Ou tire ela da cabeça ou mereça a moça que você tem
Não sei se é para ficar exultante
Meu querido rapaz
Mas aqui ninguém lhe agüenta mais
São três horas o samba tá quente
Deixe a morena contente
Deixe a menina sambar em paz
Por trás de um homem há sempre uma mulher feliz
E atrás dessa mulher mil homens sempre tão gentis
Por isso para o seu bem
Ou tire ela da cabeça ou mereça a moça que você tem
Não é por estar na sua presença
Meu prezado rapaz
Mas você vai mal
Mas vai mal demais
São seis horas o samba tá quente
Deixe a morena com a gente
Deixe a menina sambar em paz
segunda-feira, 20 de março de 2006
domingo, 19 de março de 2006
terça-feira, 14 de março de 2006
O meu único espectador
"O engolidor de giletes" Existe um número de mágica chamado "O engolidor de giletes". Este, no meu ponto de vista, é um dos números mais intrigantes e completos da história da mágica. Neste efeito, não existe um espanto inesperado. Tudo é feito da forma mais leve, limpa e calma. Todos os passos são acompanhados pelo espectador. Não há surpresas, tudo é esperado.
Mesmo sendo um número de mágica às avessas do tradicional, onde repentinamente acontece algo inesperado, "O engolidor de giletes" é um efeito mágico que deveria ser vivenciado por todos que quisessem pelo menos uma vez sentir uma sensação mágica realmente forte.
O número se resume em o mágico pegar uma gilete, cortar algo comprovando o seu corte e lentamente inserí-la em sua boca.
Pega-se então a segunda gilete, prova-se novamente o seu afiado corte e repetidamente a coloca na boca; isso é feito por 4 ou 5 vezes e todos os movimentos são delicadamente encenados para a angústia, satisfação e simultânea rejeição do público.
Terminado esse processo, o mágico bebe meio copo d'agua e abre sua imensa boca mostrando que já não há mais nada em seu interior - todas as giletes foram engolidas -.
Não contente, o mágico engole um pedaço de barbante, o mastiga por alguns segundos e começa a puxar o fio de dentro da boca.
Uma, duas, ..., três, quatro lâminas saem uma a uma amarradas no barbante para o delírio e descanso da platéia.
Esta é a forma jornalística de se narrar um clássico da mágica - "O engolidor de giletes" -, mas como eu não levo o mínimo jeito para jornalista, prefiro narrar ao modo Baltresca mesmo...
"O engolidor de giletes"
Pela primeira vez, escreverei um texto mergulhado em sensações. Não vou simplesmente narrar um efeito de mágica, irei executá-lo aqui mesmo, enquanto escrevo.
Hoje, meu laptop será um cenário mágico, meus dedos serão a voz do locutor e você - leitor - será o meu espectador.
Perceba, o meu único espectador.
Separo as giletes. Apenas 4, sensivelmente afiadas, novas, tiradas da caixa.
Encho meio copo com água, ou melhor, farei com um copo de vodka - só pra sair da rotina -
Barbante? Não. Hoje executarei este clássico com um fino, limpo e afiado pedaço de arame farpado.
Primeira gilete. Olho para ela, vejo o meu primeiro amor. Tímida, pequena, delicada. A gilete é suavemente inserida em minha boca. Não existe sensação melhor que esta; minha boca quente a 26 graus, meu coração gelado a 13 graus. Minha boca pegando fogo. A gilete desce como uma gota de orvalho frio nas médias folhas mornas de uma árvore recém nascida.
Segunda gilete. Agora vejo que meu reflexo em suas lâminas é mais forte. Minha vida passa mais rápido na frente daquele brilho, meu segundo amor. É verdade que com algumas imperfeições, mas reluzente e firme. Ela desce como manteiga e logo o gosto se vai.
Terceira gilete. Diferentemente do segundo, meu terceiro amor não permite que meu reflexo se acenda em sua face. A luz refletida é tão forte que ofusca minha vista quase cegando meus olhos que evitam olhar fixamente para este pedaço de metal. Rapidamente e sem pensar, engulo-a, ou sou literalmente engolido, pelo medo de olhar fixamente para esta luz.
Quarta gilete. Meu quarto amor é perfeito. Meu reflexo se acentua ao seu lado. Meu sorriso é esboçado em seu fio, seu cheiro exala em meu nariz, mas não consigo engolí-la, preciso apenas contemplar esta simples gilete que significou tanto para mim. Mas não resta mais saída, num momento de dispersão ela já está pronta para deslizar sobre minha pele interior e se vai...
O sentimento de uma gilete entrando em você e passando ao lado de seu coração é inenarrável; é forte; é verdadeiro. Neste momento me sinto forte, minha respiração está cada vez mais ofegante, minha boca cada vez mais sente o gosto desses pequenos brilhos dentro de meu peito.
Segunda parte do show. Triste momento que deve acontecer. Que sempre acontece. Mas que passa...
Vodka. Preciso de água com gosto ácido.
Quando as giletes se tornam apenas matais dentro de você e perdem o sabor, a vodka serve para acentuar seu gosto que insiste em silenciosamente se apagar. O cheiro da bebida abre seus poros, o gosto abre seus pensamentos e a reação é sempre inesperada.
O líquido desce por minha garganta, esbarra nas paredes dos alumínios [que começam a cortar a carne] e se vai. Alívio imediato, gosto imposto, vodka.
Terceiro passo. O fim se antecipa.
Engulo cuidadosamente algumas dezenas de arame para apanhar as pequenas de volta. Dez, vinte, trinta centímetros de arame farpado é inserido em minha garganta e logo são aguardados 27 segundos. Num gesto de covardia, as lâminas que quase faziam parte de meu corpo serão silenciosamente retiradas da carne.
Puxo o barbante de aço.
As lâminas sobem.
As lâminas sobem lentamente.
As lâminas sobem lentamente como se deve subir.
As lâminas sobem lentamente como se deve subir e começam a cortar minha garganta.
A vodka remanescente arde o corpo que a pouco estava acostumado com o frescor das faces geladas dos metais. E arde, arde, arde, machuca, dói.
Quanto maior é meu desespero para puxar o arame, mais as giletes dançam sobre minhas cordas vocais e se prendem em minha carne. O desespero é cada vez maior, tento enfiar mais o arame para ver se consigo soltar a lâmina presa, mas não consigo.
Este ato apenas piora a situação vermelha e quente. Resolvo, com um ato estúpido e desesperado, puxar com toda minha força o pedaço de fio com pontas farpadas. As lâminas saem, mas não da forma que deveriam. Saem inconformadas deixando suas marcas.
A primeira lâmina rasga repentinamente minha gengiva num corte profundo e sem cura. 10 centímetros de sangue escorrem sobre a segunda gilete que sem pestanejar corta o que sobrara de minha garganta.
Agora já não posso mais gritar. Tento, mas o único grito de desespero sai em forma de uma lágrima no olho esquerdo - que desce e para no peito - .
A terceira lâmina se finca no estômago e com o puxão inicial se quebra em 3 pedaços permitindo que apenas a terça parte superior suba até minha boca, para sem piedade, cortar meus lábios, pintá-los de vermelho e enxarcar com sangue o que há pouco permaneciam secos e pálidos.
A última lâmina não resiste ao inesperado.
O arame se rompe e faz com que o quarto pedaço de metal brilhante se solte do fio e despenque verticalmente sobre meu coração que...
segunda-feira, 13 de março de 2006
Tainted love
Run away I´ve got to
Get away
From the pain that you drive into the heart of me
The love we share
Seems to go nowhere
And I´ve lost my light
For I toss and turn I can´t sleep at night
Once I ran to you
Now I´ll run from you
This tainted love you´ve given
I give you all a boy could give you
Take my tears and that´s not living, oh
Tainted love
Tainted love
Now I know I´ve got to
Run away I´ve got to
Get away
You don´t really want it any more from me
To make things right
You need someone to hold you tight
And you´ll think love is to pray
But I´m sorry I don´t pray that way
Once I run to you
Now I´ll run from you
This tainted love you´ve given
I give you all a boy could give you
Take my tears and that´s not living, oh
Tainted love
Tainted love
Tainted love
Don´t touch me please
I cannot stand the way you tease
I love you though you hurt me so
Now I´m going to pack my things and go
Tainted love, tainted love
Touch me baby, tainted love
Tainted love
sábado, 4 de março de 2006
Sem motivos
Ultimamente eu tenho escrito sobre amores, paixões, pessoas, fatos, sobre você, sobre alguma coisa. Escrevo com um pensamento, escrevo com um porquê, escrevo por um motivo.
Não tem muita graça olhar para esta tela e soltar letras que formam palavras que não formam nada... simplesmente para saciar minha vontade de teclar. Não, não tem graça nenhuma.
Bom é vir com uma idéia, um motivo, lapidar, requentar, aumentar um pouquinho e estampar por aqui minha falta de noção em sensações literárias.
Hoje, porém, não vou fazer nada disso. Esse é o motivo que me faz pedir-lhe que pare de ler o texto por aqui mesmo; o texto vai ser chato e um tanto quanto normal.
Escreverei sem motivos, sem razões, sem porquês. Apenas pousarei meus dedos sobre minhas teclas, minhas razões sobre minhas pernas e meus pensamentos sobre meus ombros para vomitar palavras neste bloco de notas, que de bloco, não tem nada!
Ultimamente eu tenho escrito os dias da minha vida sobre amores, paixões, pessoas, fatos, sobre você, sobre alguma coisa.
Cada passo, cada pensamento, cada ação tinha um motivo. E tudo era feito para esse motivo.
Porquê ir de branco se eles vão gostar mais do preto? Porquê fazer isto se eles esperam aquilo? Por quê ser eu se eu posso fingir que não sou? Pára! Páro!
Muitas vezes nos dizemos independentes em ações e modos, mas não vemos que o mundo nos engole e os dias nos vomitam moldados do seu jeitinho. Hipócritas são os que dizem que não são influenciados.
No momento em que você nasceu e que te colocaram aquele gorrinho branquinho feinho com um pomponzinho em cima já era, rapaz!
A sua história já estava sendo modelada por outros; e você já estava se acostumando com o que eles queriam... agora é só esperar pra você começar a FAZER pensando neles!
Mas hoje não, hoje não vou mais fazer com um porquê de fora... os porquês tem que ser endo!
Hoje vou ao parque de sapato e meia preta com chulé pois estou com frio e com preguiça de tirar, vou ao cinema também, mas de chinelo pois acordei com meu dedão bonito e saudável, vou cutucar minhas espinhas até sangrar porquê me dá prazer vê-las estourando no espelho do retrovisor, vou com o cabelo assim mesmo, embaraçado, pois estou sem um pingo de saco para lavar e nem pentear!
E vou escrever. Só porque estou com vontade. Vontade...
E amanhã? Ahhhh amanhã vou comprar um bouquet de rosas para ela. O bouquet mais caro e mais lindo da loja pois ela é tudo pra mim e só vivo por ela e para ela. Para ela que merece minha vida, meus pensamentos, minha alma.
Ou melhor, não vou mais comprar as rosas. Amanhã vou saquear a loja, bater na vendedora, roubar as rosas e encharcá-las com álcool e fogo.
Por quê? Talvez porquê o álcool me faz pensar, refletir e mereça mais, ou talvez porquê eu apenas queira.,
Sem motivos.

