O vôo já estava cinco horas atrasado. Parecia que sua volta para casa não seria tão tranqüila como lhe parecia. Além das fortes turbulências, a poltrona, incômoda, não permitia que seus olhos fechassem em busca de um pouco de descanso.
Chegando em São Paulo, buscou suas malas e...
Ah, este dia 16 dezembro nunca vai acontecer.
terça-feira, 24 de março de 2009
O encontro de 16 de dezembro
sábado, 14 de março de 2009
Série Fetiches – Capítulo 1
Parafilia é um padrão de comportamento sexual no qual a fonte predominante de prazer não se encontra na cópula, mas em alguma outra atividade. Entre as mais conhecidas estão a pedofilia, a zoofilia, o sadomasoquismo etc.
Hoje são catalogados mais de cinqüenta tipos distintos de parafilias e é praticamente impossível – pelo menos para mim - compreender racionalmente alguns desses fetiches. P. ex. Cinofilia, um fetiche em ter relações sexuais com cães; ou então a Pogofilia que é uma parafilia proveniente da excitação sexual por barbas. Vai entender...
Nesta série “Fetiches” vamos contar alguns casos tão, mas tão raros e estranhos, que não foram sequer catalogados. Ao final irei atrever-me em batizar este tipo de parafilia.
José.
José era um homem tão comum quanto o seu nome. José.
Tinha trabalho como instrutor de auto-escola, tinha casa e morava sozinho, tinha uns rolos nada muito sérios. Isso todo mundo já sabia. O quê ninguém sabia era o fetiche que José havia cultivado ao longo de seus trinta e três anos. Um fetiche não muito normal, como devem ser os fetiches para se tornarem interessantes.
“Não, José. Você deve estar brincando comigo.” Era o que seus amigos diziam quando José se abria e contava seu histórico sexual, mas estes relatos se tornaram raros depois de José ter sido motivo de piadas em alguns churrascos familiares.
Bom, vamos ao caso em si. José tem fetiche por mulheres que não sabem fazer baliza. “Não, José. Você deve estar brincando comigo.” É exatamente isso que você leu. Não importa se a mulher é branca, negra, baixa, alta, gorda ou magra. Não saber fazer baliza, se enroscar no guidão, era condição sine qua non para José se apaixonar e ficar louco de tesão por alguma mal condutora.
Elisa era enfermeira. Tinha todas as qualidades que nossa imaginação cria quando pensamos em enfermeiras. Era loira, 1,80m, bustos fartos, nádegas idem. Era linda de rosto e um avião de corpo. Só tinha um problema: Não sabia dirigir. Elisa tinha acabado de fazer vinte e um anos e, depois de três anos, decidiu tirar carteira de motorista.
Você reconhece uma pessoa que recém tirou carteira de motorista só pela cara de preocupada que faz enquanto dirige. Ela não pisca, não ousa a mexer no rádio, não vira para falar com o passageiro e treme da cabeça aos pés, entrando em um quase surto psicótico, quando é necessário parar o carro em uma rampa com mais de cinco graus de inclinação.
Elisa estava chegando e José estava saindo. Ele se despediu de seus amigos e caminhava pela calçada. Na mesma calçada em que se encontrava uma única vaga para um carro pequeno. Elisa, com todo o cuidado do mundo, passou pela vaga, engatou a ré e fez o sinal da cruz. José viu aquela maravilha loira e apenas esperou a tentativa infeliz da baliza para que o seu fetiche tomasse conta dele.
Elisa girou o volante mais do que devia, mas, exatamente na hora em que a loira iria errar a baliza, seu celular tocou. Desesperada ela soltou a direção enquanto dava a ré no carro. Por um milagre de Deus o carro entra perfeitamente na estreita vaga. Ela, com cara de interrogação, fecha o punho e grita: Yes! Ele, com cara de exclamação, respira e continua andando. Não dá a mínima para aquela loira normal boa de baliza.
Batismo: Braçofilia. Fetiche em ter relações sexuais com mulheres que não sabem fazer baliza. Se eu fosse machista diria que este fetiche não foi catalogado pois 100% das mulheres não sabem fazer baliza. Como não sou, não vou falar nada.
sábado, 7 de março de 2009
Lia
Umas estavam a ponto de se separar, outras não agüentavam o tédio que, uma hora ou outra, o matrimônio acabava provocando. Bom, eu nunca fui casado para falar com extrema propriedade, mas é o que todas elas me contavam em nossas tardes de amor.
Chegou um dia que eu cansei dessa vida bandida. Cansei de ficar sozinho nos finais de ano e quase nunca poder passar sequer um dia dos namorados juntos. Quase, porque uma vez acabei conhecendo uma mulher casada dentro de uma floricultura, bem no dia dos namorados. Foram só umas olhadas durante dez ou quinze minutos, mas foi o início de três anos de relação. Acho que posso contar que passei o Dia dos Namorados com ela, não?
O ponto é que há três anos cansei dessa vida e simplesmente fugia das que já haviam experimentado o matrimônio. Não que não me interessava mais. Na verdade esta dieta sexual me fez querer cada vez mais repetir o flerte, mas minha força de vontade era maior. Se eu ficasse sabendo que ela tinha esposo, noivo ou namorado, eu nem chegava junto para evitar a tentação.
Foi numa segunda quente, pela manhã, que avistei a Lia. Loira, alta, corpo escultural. Para ajudar mais, era inteligente. Estava eu na minha primeira aula da faculdade de Direito quando ela entrou pela porta lateral da sala. Não conseguiria lembrar o que foi explicado na classe. Fiquei exatos cinqüenta minutos hipnotizado por ela. No intervalo da primeira aula, coincidentemente, ela estava sedenta por café, como eu.
Eu havia readquirido este hábito pouco tempo atrás. Mas agora só tomava com leite:
- “Oi, sabe onde vende café?”
- “Acho que ali na cantina. Também estou atrás de um.”
- “Desculpe-me, nem me apresentei. Meu nome é Lia.”
- “Roberto.”
Trocamos cartões e, mal havíamos tomado nosso café, o sinal tocou. Nos despedimos com um sorriso e voltamos para a sala. Minha mente já estava girando em torno daquela beleza loira, quando o segundo professor chegou:
- “Bom dia, turma. Meu nome é Adílson e vocês me verão o ano todo falando de Direito do Trabalho. Modéstia à parte, esta será a aula mais divertida que vocês terão nos seus cinco anos de direito. Vamos começar fazendo uma dinâmica?”
Dinâmica numa aula de Direito? Bom, pensei, vamos ver no que vai dar.
- “Quem tem namorado ou namorada levante a mão”, disse o professor.
Gelei. Havia me esquecido deste detalhe. Fechei um olho só e, bem lentamente, virei para a minha nova gata, morrendo de medo de vê-la com a mão para cima.
Uhhhh. Ela ainda estava lá, de bracinhos abaixados. Por alguns segundos cheguei a pensar que Deus havia ouvido minhas preces e tinha me enviado uma mulher disponível.
- “Agora”, continuou, “levante o braço quem é casado”.
Ela foi a primeira a levantar o braço. Puta que o pariu, pensei. Parece que é uma sina, destino, sei lá. É só encontrar a mulher da minha vida e ela aparece enganchada com alguém. Mas minha força de vontade continuava firme e forte e não era uma loirinha gostosa que me faria trair minhas convicções. Peguei seu cartão, que ainda estava no bolso da camisa e, sem dó, rasguei-o em quatro partes. Amassei tudo e joguei fora.
Assim eu estaria livre dela e orgulhoso de mim mesmo. Forte, decidido, e novamente senhor de minhas emoções. Estava quase provando a mim mesmo que a razão poderia vencer a emoção, quando cheguei em casa. Liguei o computador e encontrei, em primeiro lugar, lá em cima, na caixa de entrada, um e-mail dela me convidando para sair.
Com uma dor tremenda no coração cliquei no e-mail e apaguei.
Ainda bem que passaria mais cinco anos estudando com ela e não me faltaria oportunidades para curtir minhas recaídas em seus braços...