sábado, 30 de setembro de 2006

A Saga do mágico do mal (Ep1)

Episódio 1: Raquelzinha, a aniversariante, e a surpresa legal.

Ele já estava lá.
O mágico do mal foi contratado por Sérgio, o pai, e Lucília, a mãe e no momento da contratação explicou aos dois que sua última mágica seria surpreendente, ninguém esperaria algo tão diferente e alucinante em seu super-hiper-show.

As crianças já curtiam o mágico do mal há aproximadamente 40 minutos, quando o misterioso anuncia seu último número!
Pediu para que todos os pais e mães depositassem uma nota de dez reais dentro de uma caixinha de madeira.

Após alguns minutos 30 pessoas já tinham dado sua contribuição que totalizava duzentos e noventa reais e cinqüenta centavos - um pai sacaneou o mágico do mal. Viado de merda -.

O mágico do mal fechou a caixinha com um cadeado e pediu para que cada criança pegasse uma chave dentro de seu saquinho mágico. Informou então para os pestinhas que apenas uma chave abriria a caixa do mágico e o sortudo iria ganhar todo o dinheiro que estava lá dentro.
As crianças estavam eufóricas, principalmente Raquelzinha, a aniversariante.

Raquelzinha, a aniversariante, era uma menina meiga, linda, lorinha e de olhos azuis. Tinha muitos amiguinhos e decidiu convidar para sua festinha todos eles, até mesmo o betinho, um garoto arrogante, antipático e que não ia muito com a cara de Raquelzinha, a aniversariante.

Raquelzinha, a aniversariante, pediu que seus amiguinhos formassem a fila e colocou betinho no último lugar.
O mágico do mal deixou a caixinha no centro do palco, cuidou para que o suspense pairasse sobre o ambiente e iniciou a surpresa legal.
João foi a primeiro. Tentou de um lado, tentou de outro e nada.
Juquinha foi o segundo. Depois de algumas brigas com a caixa, desistiu.
E assim foi Lia, Letícia, Pedro, Bruninha, Carminha e o Rafa. Ninguém conseguia abrir a caixinha do mágico do mal.

Sérgio e Lucília, os pais de Raquelzinha, a aniversariante, se olhavam, sorriam e já sabiam o que estava prestes a acontecer. Todos tentavam, tentavam e ninguém conseguia, quando chega a vez de Raquelzinha, a aniversariante.

Ela fecha seus olhos, faz um super-pedido-positivo, decide doar todo o dinheiro para uma instituição de caridade, vira a chave e... nada. Tenta de novo e... nada. Força mais uma vez e... nada. Solta um "caralhooooo!" acidental e.. nada.

- "Agora é a vez do Betinho", disse o mágico do mal.
Betinho - menino mal -, o último da fila, respira, enfia a chave no buraquinho do cadeado, dá um sorrisinho sacárstico, vira a chave e... nada também.

O mágico do mal olha para a platéia e grita: "Eu menti! HAHAHAHAHA"

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Só pra lembrar

Considerações sobre o post abaixo:

Desculpe minha sinceridade, mas eu realmente não criei o texto abaixo esperando 'concordos' ou 'não concordos' de V. Sa. e sua opinião não influencia e nunca influenciará sobre o que penso ou não penso em escrever.


Esta é simplesmente a verdade. Que também se cria,

Aceite.

E só pra lembrar, a raiva, o desgosto, o riso ou simplesmente essa sua cara aí, também foi criada por este post.

Emoções são fabricadas.
Só pra lembrar.

domingo, 24 de setembro de 2006

Dip'n'lick

Shopping da Zona Oeste, 19:00.

Bem ao lado do CineMark, um casal. Do outro lado, perto do pipoqueiro, o segundo casal.

O primeiro casal não se desgruda. O braço direito do rapaz passa sobre o pescoço da moça e se apoia em seu ombro, enquanto sua mão esquerda pega no braço da menina.
Ela, feliz, segura um algodão doce cor-de-rosa e diz: "Estou apaixonada!"

O segundo casal não se desgruda. O braço direito do rapaz passa sobre o pescoço da moça e se apoia em seu ombro, enquanto sua mão esquerda pega no braço da menina.
Ela, feliz, segura um algodão doce azul e diz: "Estou apaixonada!"

O primeiro casal comemora 3 anos de casados. Namoraram 4 anos e há 3 estão juntos no papel.
No começo foi difícil. Terminaram e voltaram algumas dezenas de vezes. Ele a traiu 2 vezes e ela, amorosa e esperançosa, o perdoou. A família dela lutou a vida toda para que os dois ficassem juntos, a família dele nem tanto. Ele quase não tinha família. Depois de 3 anos de casados a vida dele mudou. Ele até pensou em terminar tudo pra ficar com Julia, mas pensou direito e percebeu que ela - a do cinema - era sua melhor escolha. Resolveu então comemorar esta nova fase num shopping da Zona Oeste, no Cinemark. Logo ali.

O segundo casal não comemora nada.
Ele a conheceu há 1 semana e estão logo ali, ao lado do pipoqueiro. Apaixonados.

Sabe qual a diferença do casal 1 para o casal 2 naquele momento? A cor do algodão-doce.
Toda a vida vivida pelo casal 1, toda a raiva que se foi, todas as brigas, todo o amor, todas as paixões, absolutamente tudo que os dois viveram não influencia em nada quando os comparamos com o casal 2, que se põe na mesma posição, com a mesma opinião, nos mesmos sentimentos do casal 1.
Naquele momento, os dois fazem, pensam e sentem o mesmo.

Emoções fabricadas. Num instante, em um segundo.

Há alguns meses conheci uma menina num shopping. Estávamos juntos há exatamente 3 horas - e só.
Resolvi fazer um teste comigo mesmo. No cinema, na metade do filme, passei minha mão pela sua nuca, apoiei seu rosto sobre meu peito e disse: "Eu amo você".
O beijo que aconteceu após este ato mentiroso e plástico foi um dos melhores que já dei na minha vida. Meu coração bateu mais forte e enganamos nossos sentimentos por alguns segundos.
Decidimos que naquela noite fingiríamos ser noivos.
Declarações de amor foram feitas durante todo aquele tempo, e, mesmo sabendo que tudo aquilo não passava de uma fantasia, cada beijo, cada toque, cada olhar se intensificava e nos provava que sentimentos podem ser fabricados.

Amor, Ódio, Paixão, Raiva, Felicidade, Tristeza, Alegria, Angústia podem ser moldados e CRIADOS a todo instante.
Se o amor pode existir após anos de convivência, por que não fazer com que cada segundo de nossa vida seja uma cópia fiel do que gostaríamos que fosse? Se podemos fazer a massa, o recheio e a cobertura do bolo, porque então não comprar pronto da padoca? No mínimo a gente economiza tempo.

Hoje vou sair com ela novamente.
E o jantar já está escolhido: Macarrão instantâneo com molho de tomate enlatado. Para beber, fanta uva natural.

E a sobremesa, Dip'n'lick.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Signos

[19][9][7][14][15][19]...
[2][25] [18][1][6][1][5][12] [2][1][12][20][18][5][19][3][1]

A = 1
B = 2
C = 3
D = 4
E = 5
F = 6
G = 7
H = 8
I = 9
J = 10
K = 11
L = 12
M = 13
N = 14
O = 15
P = 16
Q = 17
R = 18
S = 19
T = 20
U = 21
V = 22
W = 23
X = 24
Y = 25
Z = 26

[20][15][4][15][19] [15][19] [4][9][1][19], [8][9][16]ó[3][18][9][20][1][19] [14]ó[19], [1][3][21][19][1][13][15][19] [16][5][19][19][15][1][19] [16][15][18] [22][5][19][20][9][18][5][13] [13]á[19][3][1][18][1][19]. [1][3][21][19][1][13][15][19], [1][3][21][19][1][13][15][19] [5] [4][5][16][15][9][19] [20][9][18][1][13][15][19] [1] [14][15][19][19][1]. [5] [5][14][20]ã[15] [3][15][12][15][3][1][13][15][19] [15][21][20][18][1]. [19][15][13][15][19] [13][1][19][3][1][18][1][4][15][19] [16][15][18] [14][1][20][21][18][5][26][1]. [19][1][4][8][11][10] [8][19][1][11][4][10][8] [12][9][24][15] [19][1][4][12][10][19][1][12][11][10] [1][12][19][4][10][19][12][1][4][11][10] [1][16][18][5][14][4][5][13][15][19] [1] [22][9][22][5][18] [3][15][2][5][18][20][15][19]. [3][15][2][5][18][20][15][19] [16][15][18] [13][5][4][15][19], [3][15][2][5][18][20][15][19] [16][15][18] [19][9][7][14][15][19], [3][15][2][5][18][20][15][19] [16][15][18] [16][5][18][19][15][14][1][12][9][4][1][4][5][19] [6][5][9][20][1][19] [5] [1] [20][15][4][15] [13][15][13][5][14][20][15] [13][5][20][1][13][15][18][6][15][19][9][1][4][1][19]. [17][21][1][14][20][15][19] [10][15][7][15][19] [14]ã[15] [6][1][26][5][13][15][19] [5] [1][3][1][2][1][13][15][19] [19][5][14][4][15] [15] [10][15][7][15]? [17][21][1][14][20][1][19] [6][1][18][19][1][19] [1][3][21][19][1][13][15][19] [16][1][18][1] [14][15][20][1][18] [17][21][5] [5][19][20]á[22][1][13][15][19] [14][5][12][1][19]? [19][9][7][14][15][19], [13]á[19][3][1][18][1][19]... [19][15][13][15][19] [21][13] [13][15][14][20][9][14][8][15] [4][5] [21][13] [13][15][14][20][5] [4][5] [3][15][9][19][1] [17][21][5] [20][1][12][22][5][26] [14][21][14][3][1] [19][5][18]á [4][5][19][3][15][2][5][18][20][15] [16][15][18] [5][12][5][19]... [15][21] [20][1][12][22][5][26] [5][12][5][19] [14][15][19] [4][5][19][3][15][2][18][9][18]ã[15], [1][14][20][5][19] [4][5] [14]ó[19] [13][5][19][13][15][19]. [19][9][7][14][15][19], [13]á[19][3][1][18][1][19], [6][9][13].

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Cascão

Acho este quadrinho de extremo mau-humor e penso também que não devemos divulgar obcenidades e infantilidades quanto esta que os senhores terão o desprazer de apreciar logo abaixo.

Coisa linda

Muito prazer, meu nome é Rafael Baltresca, Mágico.

Não sei o que pessoas têm na cabeça. Dizem que é cérebro. E muita imaginação...
É só verem um mágico ou saber que acontecerá uma apresentação que elas começam:

- “Ei mágico, não dá pra você fazer as minhas contas sumirem?
- “Mágico, faz minha mulher e minha sogra desaparecerem, por favor.
- “Ô Mister M, porque você não transforma o João num sapo?
- "Mágicôôô, você esconde a cobra?"

No começo é legal, a gente dá risada, se sente até importante de ser reconhecido como “O Mágico”, mas depois de um tempo não tem pesadelo pior que isso.
Depois de um show, a gente quer se sentar, jantar, conversar sobre futebol, mulher, falar do vídeo da Cicarelli, qualquer coisa. Tudo, menos ficar falando de mágica e mágica e mágica.

Um dia eu dormi e sonhei...

- “Ei mágico, não dá pra você fazer as minhas contas sumirem?”
- “Ôpa!” Puft! Num estalar de dedos, todas as contas dele tinham sumido. Conta de luz, conta de água, contas da faculdade dos filhos, IPVA e IPTU.

- “Mágico, faz minha mulher e minha sogra desaparecerem?”
- “Faço sim.” Pleft. Num passe de mágicas, não existia nem sogra e nem mulher.

- “Ô Mister M, porque você não transforma o João num sapo?”
- “É pra já!”. Cabammm! Em um segundo o sapinho já estava na ativa.
Depois de todas as contas terem sumido, e, obviamente não podendo as pagar, ele foi multado 19 vezes, sua casa foi tomada e seu carro levado pelo governo. Como seus filhos não podiam mais estudar e nem morar, entraram para o mundo do crime e se tornaram viciados em maconha, cocaína e lítio.

A mulher e a sogra desapareceram.
Ele entrou em depressão pois não tinha mais ninguém em sua casa. Alguns meses depois foi preso por provável assassinato e por ter escondido os corpos. Seus filhos o odiavam e, sua vida, nunca mais foi a mesma.

O amigo de João ficou sem o amigo.
Após ter sido transformado num sapo, João foi beijado por sua namorada, porém, não se transformou num príncipe. Sua amada pegou leptospirose e morreu.


- "Mágicôôô, você esconde a cobra?"
- "Claro que escondo!" 3 minutos depois, a cobra já estava sendo escondida... na filha do espectador.
22 aninhos, olhos verdes. Parecia a Cicarelli.

Coisa linda!

A espera


Esperei um minuto,

Esperei uma hora,
Esperei um dia,
Esperei uma semana,
Esperei um mês,
Esperei um ano...



Pra ficar com VOCÊ!


Resultado: 6.843.312.000 segundos perdidos.
Putaquepariu, que merda!

terça-feira, 19 de setembro de 2006

IoIoIoIoIo

Coração
Para que se apaixonou por alguém que nunca te amou
Alguém que nunca vai te amar

Vou fazer promessas
Para nunca mais amar
Alguém que só quis me ver sofrer
Alguém que só quis me ver chorar

Preciso sair dessa, dessa de me apaixonar
Por quem só quer me fazer sofrer
Por quem só quer me fazer chorar

É tão ruim quando alguém machuca a gente
O coração fica doente
Sem jeito até pra conversar

Dói demais, só quem ama sabe e sente
O que se passa em nossa mente
Na hora de deixar rolar

Nunca mais, eu vou provar do teu carinho
Nunca mais, eu vou poder te abraçar
Ou será, que vivo bem melhor sozinho?
E se for, mais fácil assim pra perdoar

O amor, às vezes, só confunde a gente
Não sei, com você pode ser bem diferente diferente
O amor, às vezes só confunde a gente
Não sei, com você pode ser bem diferente

Coração
Para que se apaixonou por alguém que nunca te amou
Alguém que nunca vai te amar

Coração
Para que se apaixonou por alguém que nunca te amou
Alguém que nunca vai te amar

Nunca mais, eu vou provar do teu carinho
Nunca mais, eu vou poder te abraçar
Ou será, que eu vou viver melhor sozinho?
E se for, mais assim fácil pra perdoar

O amor, às vezes, só confunde a gente
Não sei, com você pode ser diferente
O amor, às vezes só confunde a gente
Não sei, com você pode ser diferente

Coração
Para que se apaixonou por alguém que nunca te amou
Alguém que nunca vai te amar

Coração
Canta coração
Coração
Para de se apaixonar
Coração
Canta coração
Coração...

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

A dança

(Rafael Baltresca. Inspirado em ‘evaus emúic’)

vai, vai, vai, vai,,,,,
.....mev ,mev ,mev ,mev

vai e mev___
___mev e vai
vai e mev___

[segura]
]solta[
]s o l t a[
]s o l t a[
]s o l t a[
]s o l t a[
]s o l t a[
]s o l t a[
]s e g u r a[
[s e g u r a]
[s e g u r a]
[s e g u r a]
[s e g u r a]
[segura]
.solta.
..s o l t a..
...s o l t a...
....s o l t a....
.....s o l t a.....
......s o l t a.....
.......s o l t a......

u s
m á
. r
p t
r .
a a
. r
f p
r .
e m
n u
t .
e .
.

de um LADO
ORTUO od

FICABEM
jFuInCtAiBnEhMo
j F u I n C t A i B n E h M o
jFuInCtAiBnEhMo
JUNTINHO

A
b r
a ç
a
r e
l a
x a

EL..........
As..........
enta.......

Eu, sinto. /
Dança comigo?

Bebida ruim

(No vôo 1860 da GOL. De Recife para o Rio de Janeiro)

Falamos que o futebol é - e sempre foi - a mania, a paixão nacional! Mas é obvio que é mentira.
Os estádios são repetidamente lotados para serem assistidos sempre os mesmos jogos; desde criancinha o menino já tem sua chuteira, camisa e bola na mão, são as copas do mundo os eventos responsáveis por mudar nosso horário de trabalho e o das novelas da Globo, mas o café....

Ah o café! Este sim é paixão nacional.
Sempre depois do jogo tem um almoço. Durante o próprio tem cerveja e azeitonas, mas depois dos petiscos adivinha quem chega? O café!
Pessoas invadem o estádio para torcer, outros vão apenas para brigar, mas depois do time ter ganhado ou da gangue ter batido, quem vem para acompanhar? O próprio!
E mais, se o seu time - ou você - apanhou, toma um cafezinho com leite pra relaxar.

O café é assustadoramente a bebida mais consumida no mundo todo e tenho notado que a cada dia, mais são os adeptos a esta bebida ruim.

Bom, como o leitor pode perceber no título, resolvi escrever apenas para tentar entender como algo tão ruim, forte, amargo e que ainda deixa os dentes amarelos e o bafo azedo, consegue ser a paixão nacional, ou até mundial.
Eu não sou exceção. Não fico sem meu cafezinho após o almoço, não recuso após o jantar e fico em estado de nervos se não tomo uma xícara na minha hora do rush. O dilema é que analisando, veremos que ele realmente não tem um gosto agradável, normalmente o primeiro gole é amargo e quando é bem feito, sempre queima a ponta da língua.

Mas sabe uma coisa que percebi?
Quando estamos sós, sofremos desesperadamente procurando nossa cara-metade;
Quando encontramos nossa cara-metade, sofremos e sofremos até conquistar nosso amor;
Quando conquistamos, tentamos manter nossa vida amorosa saudável e sofremos nas brigas e ciúmes diários;
Quando terminamos, sofremos e nos sentimos dolorosamente solitários;

Mas quando tomamos o último gole......tem sempre um caldinho de açúcar no final.
Sempre tem.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Missa

.missa ...arof arp ortned eD !muuB .ohlurab zaf ,êcov moc exem es ,ortned ed mev eS .evaus é acnun emúiC O ?emúiC ?evauS ?ebas meuQ ?ieres euq áres uo aid mu aled iuf euq áreS ?áres euq áres uo aid mu ahnim iof áj euq áreS ?aducsrza palavras ed sárta rednocse es me etsisni euq méugla etse áres meuQ ?omrud oãn odnauq setion sahnim sad onos o arit euq aossep atse áres meuQ ?emúic evaus etse áres meuq eD

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Que bom que V. Sa. sabe ler

Cheguei em Cuiabá, ou melhor, no Aeroporto Internacional de Várzea Grande, sacanagicamente chamado de aeroporto de Cuiabá, às 16h00 – local time.

“Senhoras e senhores, bem-vindos à Cuiabá. Estamos muito felizes em tê-los conosco. Nós da Gol Linhas Aéreas Inteligentes sabemos que a escolha da companhia aérea é escolha do cliente e esperamos nos encontrar novamente.” – Disse o comandante mentiroso e a comissária puxa-saco de uma figa.

“Boa tarde senhor. Por gentileza, deixe-me colocar suas bagagens aqui. Prefere ar condicionado ou quer que eu abra a janela? Quer que eu ligue o rádio? Que música gostaria de ouvir?” – Disse o taxista chato de galocha.

“Boa tarde senhor. Pode deixar que eu levo suas bagagens. Deixe-me abrir a porta do quarto. Vocês podem subir neste elevador enquanto eu vou no de serviço. Muito obrigado e desculpe por qualquer inconveniente. Tenha uma ótima estada.” – Disse o mensageiro mentiroso, puxa-saco e almofadinha do hotel.

Juro, quando entrei naquele hotel a impressão que tive foi que o mensageiro apanhava de chinelo do gerente, tão politicamente correto que era. Foi então que chegou o gerente e mudou meu modo de ver:

- “Senhor, com é bom tê-lo conosco. Se precisar de qualquer coisa é só chamar. Ficamos muito felizes em atendê-lo bem e que sua estada seja confortavelmente feliz.”

Aí já mudei de idéia. Não apenas o mensageiro apanhava do gerente como o gerente deve apanhar – e muito – do dono do hotel.
Foi então que chega o dono e com a maior cara de pau diz:

- “Senhor, como fico feliz em saber que alguém de São Paulo vem nos prestigiar. Este é meu telefone celular: (65) 1234-5678. Fique à vontade e me ligue quando precisar. O café da manhã da madrugada é cortesia do hotel e não exite em chamar-nos quando desejar. Se precisar, fale diretamente comigo.”

Agora não! O dono do hotel conseguiu ser mais almofadinha, caxias e chato do que o coitado do mensageiro – que deve apanhar pacas -. Não é possível. Eu não sou nenhum cantor sertanejo famoso e este hotel nem é tão caro assim pra receber tal tratamento.

Porque vivemos nesta falsidade medíocre? Porque a aeromoça não fala simplesmente:

- “Bem-vindos à Várzea Grande. Nós da Gol Linhas Aéreas Inteligentes desejamos uma boa estada.”

Porque? Porque temos que ser tão bajulados com essas chatices exacerbadas hotelizadas?

(Olha só... enquanto escrevia isso o amigo bem-educado do hotel voltou para perguntar se eu queria um café! Blah!)

Quando dizemos que estamos na ‘Era do Cliente’ deveríamos entender simplesmente que devemos desenvolver nossos produtos e serviços a partir de gostos de nossos clientes.
Quando falamos em CRM – Customer Relationship Management – deveríamos traduzir como Gerenciamento de Relações com Clientes e deveríamos simplesmente gerenciar essas relações e não nos tornarmos mães e tias de clientes – e se estiver errado, minha mãe deve ter feito um MBA em gestão de pessoas com a Ana Maria Braga, porque ultimamente não vejo diferença no tratamento dela para o tratamento que recebo nos hotéis do Brasil -. Existe uma linha tênue entre ser cordial e ser chato. E ultimamente estou sendo rodeados por cordiais chatos puxa-sacos!

Não sei se estou reclamando de barriga cheia, não sei se deveria simplesmente agradecer e não sei se a aeromoça está querendo me cantar. Sei lá...

E sabe o que é o pior de tudo isso, que me deixa mais irritado?
É que estou há uns 10 minutos escrevendo este texto aqui no hall do hotel e ainda não veio nenhum sujeito para engraxar minhas havaianas de marca. Ninguém!

Onde vamos parar? Não se fazem mais hotéis como antigamente.

humpf.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Zifio 3777

Sempre sou muito cauteloso quando faço mágica. Quando alguém me pergunta se é mágica de verdade, logo digo que são habilidades que podem ser aprendidas por qualquer um; digo também que a mágica, ou ilusionismo - como chamam, é simplesmente uma união de destreza, técnica, amor à profissão e muita força de vontade.

Há umas semanas estava num show no Rio de Janeiro, pertinho da Barra da Tijuca, fazendo mágicas para uns funcionários de uma empresa carioca, quando vejo um senhor se aproximar de mim. Ele aparentava ter uns quarenta e muitos anos, era moreno, não tinha barba e mantinha um bigodão cheio e grosso abaixo do nariz.

Acha estranho dizer que era abaixo do nariz? Depois te falo onde fica o bigode da Dona Zeumira, a pipoqueira.

Particularmente, sou uma pessoa que nota fácil os sentimentos de alguém apenas com um simples olhar e, nesse momento, eu sabia que aquele senhor não estava muito contente com a idéia de mágico no evento da empresa dele.

Sem nenhum preconceito, mas com algumas dúvidas, me dirigi a ele e perguntei: - Boa tarde. O senhor gostaria de ver uma mágica?

Ele, sem paciência e muito rápido, responde: - Olha moço, eu sou evangélico e não posso ver essas coisas do capeta, não. Não acredito em macumba.

- Pode ficar tranqüilo que minha mágica não tem feitiço nenhum. Tudo é questão de habilidade e treino; até o senhor poderia fazer mágica, falei, tentando ganhar a simpatia de um espectador.

- Não me leve a mal não moço, mas como eu falei, sou evangélico, gente do bem e não posso ver nada disso não, continuou firme o senhor.

- Tudo bem então. Até mais, desisti.

- Olha, que Deus abençoe! Você será curado, Deus te guie, praguejou ele. E se foi.

(Que coisa mais impressionante. Não vou nem pensar em discutir a religião dele, mas, como somos escravos de nossos paradigmas. Como é forte o poder de nosso consciente sobre nossa vida.

Você deve estar pensando: "Que absurdo! Como uma religião pode controlar a vida de uma pessoa desta maneira?", mas tenho certeza que também és escravo de seus pensamentos enraizados, seus malditos os paradigmas. Estou certo que coloca sua mão no fogo por besteiras cerebrais, coisas que vem lá de dentro e vão lá pra fora.)

- Tudo bem então. Até mais, desisti.

- Olha, que Deus lhe abençoe! Você será curado, praguejou ele. E se foi.

E eu? Bom, me eu me despedi das pessoas presentes, matei duas galinhas pretas, juntei com pipoca, canjica, uma garrafa de pinga e fumei um charutinho.

Só pra relaxar.