domingo, 31 de dezembro de 2006

sábado, 30 de dezembro de 2006

Pressa para ...

Espero correndo a pressa passar
Esta, que sem pressa, me demora
Com pressa, não quero mais esperar
O futuro com pressa, depressa, agora

Desgraça de angústia que gruda e não passa
Confesso que espresso que deixe em paz
E sonho acordado, gritando calado
E o que eu mais preciso é que eu tenho demais

E se com pressa o futuro pra junto vier
E atender assim, sem mais meu pedido?
O que sem pressa virá lá depois
Quando o amanhã que não chega tiver partido?

A dois passos do paraíso

Longe de casa
há mais de uma semana
há milhas e milhas distante
do meu amor

Será que ela está me esperando?
Fico aqui sonhando
eu vôo alto, chego perto do céu

e é quando eu saio a noite
vou andando sozinho
mas eu não entro em qualquer barra
só sigo o meu caminho

De repente rola uma canção
Ela me faz lembrar você
Eu fico louco de emoção
(ah) já eu não sei o que vou fazer

Refrão
Estou a dois passos do paraíso
(não sei se vou voltar)
Estou a dois passos do paraíso
(Talvez eu volte, ou fique por lá)
Estou a dois passos do paraíso

Não sei por que eu fui dizer bye bye

Bye bye baby bye bye (bis)

Princesa decapitada

Sem palavras...



quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Delícia

- Vai levar champagne doutor?
- Não, só os pãezinhos mesmo.
- Que demora, estava cozinhando aqui no carro.
- Tava pegando pão fresquinho.
- Que cara é essa?
- Hã? Nada.

Ele queria mesmo é falar da angústia que sentia. Angústia de Ano Novo. Normal, sabe? (Normal nada. Nunca me senti assim.).
É. Realmente. Jorge nunca se sentira desta forma. Angustiado, um pouco deprimido e com um pouco de cólica resultante de um peru de Natal mal cozido, o Rony. (Lá em casa a gente tem mania de apelidar o peru. Coitado do Rony.)

- Comprou Coca-cola?
-
- Comprou Coca-cola?
-
- Tô falando com você. Volta pra Terra.
- Hã? Comprei pão sim.
- Que pão? Onde você tá com a cabeça, Jorge?
- Ahh Silvia, sei lá. Normalmente eu fico assim no ano novo. Não sei explicar, mas ando pensando demais. Pensar não deve ser muito bom pra cuca, não.
- Pensando em quê, amor?
- Pensando na vida. Pensando em tudo que fiz nesse ano, e, principalmente no que deixei de fazer.
- Posso lavar o vidro chefe?
- Pode. Esse ano eu vou fazer diferente. Prometo.
- Ahh, mas isso você fala todo ano, paixão.
- Eu sei, mas este vai ser diferente. Juro por Deus!
- Tá pronto chefia. Dá uma ajudinha 'pá nóis'.
- Não tenho nada.
- Como não tem cumpadi? Como é que...

O farol abrindo:

- Bom ano pra você. Depois a gente dá uma força.

Franciscleidison, o flanelinha, desejou um 'Vai se foder seu filho da puta dos infernos. Desejo que você morra queimado num incêndio na cozinha com essa vagabunda da sua mulher.', mas apenas disse:

- Bom ano pra você também.

- Entende amor? É uma vontade de fazer tudo diferente do que venho fazendo. Estou decidido.

E realmente ele estava.

- Decidido mesmo.

Plenamente decidido.

- Bem decidido.
- Amor, você já disse três vezes que está decidido.
- Eu sei, mas se esse babaca desse narrador parar de se intrometer no meio, eu consigo terminar uma frase. Assim fica impossível para o leitor entender alguma coisa.

Ok. Desculpe.

- Desculpe a puta que o pariu! Agora termina a história seu viado de merda.

Não, termina você.

- Eu não falo mais bosta nenhuma. Não quer falar, sabichão? Fique à vontade.

Tá bom, desculpe. Pode falar.

- Ai amor, ele pediu desculpa.
- Desculpa o cacete. Tá do lado dele, é? Vai lá, então, narrar o final da história.

Agora eu gostei. Come on, baby.

- Se tocar nela eu te mato, desgraçado.

Ok. Hello sweet. Intenso prazer. Eu sou o narrador.
Olá, sou Silvia.
Bom, onde estávamos?
Estávamos falando que Jorge resolveu mudar seus atos, suas promessas para 2007.
Ahh sim. E quais seriam essas mudanças?
Sei lá, você não é o narrador? Diga você?
E você veio aqui pra quê, vadia? Pra me encher o saco? Volta pra cena.

- Olha como você fala com minha mulher, seu porco. Vou enfiar essa Coca-cola no seu cu.

Cuidado com essa boca.

- Cuidado porra nenhuma, se eu te peg...

E por alguma força divina, Jorge perdeu a voz.

- hmmm hmmm hmmm hmm hmmm hmmm hmmm
- hmmm hmmm hmmm hmm hmmm hmmm hmmm
- hmmm hmmm hmmm hmm hmmm hmmm hmmm
- hmmm hmmm hmmm hmm hmmm hmmm hmmm

E além disso, Silvia começou a se despir e mostrar-se nua para os pedestres.

- Ai meu Deus. Por que estou fazendo isso?
- hmmm hmmmm hmmmm
- hmmm hmmmm hmmmm
- hmmm hmmmm hmmmm

ahã.. pigarreou o narrador, digo, pigarreei eu.
Voltando. E Jorge realmente resolveu mudar de comportamento. Decidido!

Antes, ele prometia que freqüentaria uma academia, mas nunca cumpria a promessa.
Agora, ele prometeu que nunca pisaria naquelas 'gyms' na vida.

Antes, ele prometia que faria uma faculdade de verdade, mas nunca cumpriu.
Agora, ele prometeu que continuaria sem saber ler e escrever pra sempre.

Antes, ele prometia que pararia de fumar e apenas beberia socialmente, mas nunca cumpriu.
Agora, ele prometeu que fumaria umas coisas mais fortes, coisa de macho.

Realmente Jorge mudou.
Agora ele cumpriu absolutamente tudo que prometeu. Admiro esse rapaz.

Ah, não posso me esquecer.
Antes, ele falava que tinha alergia de homem. Hoje...

- hmmmmm hmmmmm hmmmmm hmmmmm hmmmmm
- hmmmmm hmmmmm hmmmmm hmmmmm hmmmmm
- hmmmmm hmmmmm hmmmmm hmmmmm hmmmmm

Sabe, Silvia, se eu fumasse, acenderia um cigarro agora.
Delícia.

Preciso

Se não puder , que seja no próximo minuto.
Se não puder, que seja na próxima hora.
Se não puder, que seja no próximo dia.
Se não puder, que seja na próxima semana.
Se não puder, que seja no próximo mês.
Se não puder, que seja no próximo ano.

Desde que hoje seja 31/12 às 23h59, domingo.

Compre já!

Depois do sucesso "Quem mexeu no meu Queijo?", um livro que trata de mudanças em nossa vida pessoal e empresarial...

...vem aí:
"Quem mexeu no meu presunto?"

Um livro com dicas de como agir depois que morrer. Porque morrer é uma grande mudança!
Compre o livro e esteja pronto para morrer feliz.

"Quem mexeu no meu presunto?" , um livro da editora carne.
Já nas bancas!

E pra você que tem menos que 30 anos:


"Quem mexeu no meu presunto - light"
Assim você terá mais tempo para usufruir deste best-seller!
Compre já!

Se Camões usasse o MSN

Amorrrrrrrrrrr eh foguuu ki ardi sem si ve;
Eh firida ki doi i naum si sentiiii;
Eh um contentamentu discontenti;
Eh dor que desatina sem doer!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Eh um naum quere + que bem quereeeeeeeeeee;
Eh solitario anda por entre a genti;
Eh nunka contenta-se di contenti;
Eh cuida que se ganha em si perde ;)

Eh quere estah presu por vontadi;
Eh servi a kem venci, o vencedor;
Eh te com kem nos mata lealdadiiiiii. :)

Mas como causar podi seu favor
Nos coracaossss humanos amizadii,
Si taum contrario a si eh o mesmo amorrrrrrrrrrrrrrrr?

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Porque a vida é feita de doces momentos...

- Meu Deus, olha o cachorro lambendo o chantilly do chão. Sai Nero, sai.
- Vem cá cachorrinho, vem. Deixa comigo.
- Tá, mas volta logo senão eu caio desse banco. E traz mais bolinhas vermelhas pra mim.
- Mãe, posso pendurar os bonecos?
- Pode meu anjo, pode.

Omar estava lá atrás do balcão empoeirado ( - É, empoeirado porque não adianta nada limpar. Construção nova. Sabe como é, né? Tem pó pra todo lado.), atrás da coleira do Nero, mas, neste momento, não pensava realmente na coleira. Olhava para Mel em cima do banco e Isis pegando os enfeites do chão. Sua vista ficava cada vez mais embaçada e só conseguia enxergar as duas mulheres da sua vida. Sempre sonhou em ter uma menina. Deus colocou esse anjinho em sua vida há apenas 4 anos. Narizinho, boquinha, bracinhos, trancinha feita pela mãe, de meia no chão e uma boina lilás que insistia em cair em seus olhinhos de dois em dois minutos. Mas ela não ligava. Adorava.

- Linda do céu, não brinca com a farinha. Omar, dá pra parar de ficar olhando e vem pegar essa menina?
- Tô indo, tô indo. Só vim pegar a...

Ele nem sabia mais o que estava procurando. Aquelas duas gelavam seu peito a cada olhada, a cada respiro.

Voltando pro salão:

- Pronto, vem cá meu doce, do jeito que você está, se sair no sol vai virar um bolo. Vamos dar um jeito nessa sujeira.

- Que tal? Ficou bom assim?
- Lindo demais. Vai lá com a mamãe, vai.
- Agora sim, isto está começando a parecer uma confeitaria de verdade.

- Amor, bonbon é com 'm'.
- Com m para você, ignorante. Riu. Bonbon é francês, xuxu. Significa pequenos doces.

- Mas você notou que não está na França?

Sim, ela sabia que não estava na França. Na verdade ela tinha um sonho de trabalhar na Itália ou França, mas não tinha noção da dificuldade que um brasileiro teria em sonhar em montar um negócio por lá. Ela está satisfeita em apenas visitar a Europa de ano em ano, mas ainda quer abrir um negócio por lá.

- Manhê, posso comer chocolate?
- Não. Você já comeu uma barra inteira hoje. Não estou na França, mas minha confeitaria vai se chamar 'Bonbon', como se estivesse lá. Com n. Você querendo ou não.

"Ahh capricorniana! Essa faz tudo que quer. Nunca liga pra minha opinião.", pensaria Omar se não fosse a admiração que teria pela mulher. Batalhadora, sonhadora e de muitas conquistas. Pensaria, mas não pensou. Pensou sim na bagunça que a pequena Isis estava fazendo com farinha, chocolate, o cachorro e a toalha nova, ganhada há três dias da melhor amiga de Mel – trazida da Europa.

- Não acredito. Pelo amor de Deus minha filha, não dá chocolate pro cachorro e nem pisa na toalha da mamãe. Vem cá, presta atenção. A próxima vez que você fiz...
- Papai, amo você.

Tombou.

Como é que três palavrinhas vindas de uma coisinha dessas podem arrebatar um marmanjo de mais de 30 anos nas costas? E ela, Isis, tinha esse poder. Carinha de anjo, jeitinho de boneca, de princesa. Esta era a Isis que aprendera cedo como deixar os pais sem saber o que dizer.

- Bom, já que ele está gostando, deixa ele comer então. Assim ele fica forte igual a você, minha flor.
- Pronto. A decoração já está feita.

Uma bola gigante de vidro cheia de chocolate do lado esquerdo da porta, um boneco de neve ao lado direito.

Logo em frente, uma vitrine refrigerada com três andares.

Primeiro andar: Bolos.
Bolo de chocolate com menta, morango com chocolate, coco com chantilly, passas ao rum com castanha e nozes e um bem pequeno recheado com mousse de maracujá e raspas de limão.

O segundo andar era reservado para as tortas. Maçã, morango, cereja, uva, creme, framboesa, chantilly, chocolate, maracujá e mais uns 7 sabores. Todos fresquinhos, feitos pela manhã.

O terceiro foi feito para os olhinhos das crianças (- Por isso que fizemos embaixo, não é Omar?). Tudo, absolutamente tudo, que você puder sonhar com chocolate estava lá. Trufa de chocolate, boneco de neve de chocolate, pokemon de chocolate, moedas de chocolate, copinhos de chocolate, licor de chocolate e algumas outras dúzias de delicias de chocolate disputavam lugar naquele espaço da vitrine.

Nas paredes, licores e vinhos de todos os sabores e todos os lugares do mudo, e o chão, pintado de azul clarinho e revestido com um plástico macio, te dava a impressão que pisava nas nuvens enquanto andava.

A confeitaria já seria de primeiro mundo se fosse apenas assim, mas Mel resolveu decorar o teto também. Bom, o teto é um caso à parte. Era normal presenciar pessoas entrando e saindo da confeitaria apenas para ficar observando a decoração do teto. Bolinhas de plástico presas em linhas finíssimas, junto com alguns personagens do Peter-pan faziam você jurar que estava num conto de fadas, onde a qualquer momento um boneco de marshmallow poderia entrar pela porta do fundo e te agarrar.

- Você acha mesmo que ela deve se chamar Isis?
- Claro que sim. Isis é nome de princesa.
- E se for homem?
- Sei lá, mas acho que vai ser menina.
- E será que ela vai querer cozinhar, como a mãe?

Assim discutia os jovens, deitados no chão, olhando pra cima, enquanto sonhavam com a confeitaria que certamente abririam após quatro anos do nascimento da menina, que aconteceria após dois anos de casados, que aconteceria após três anos de namoro, que aconteceria após algum tempo...
- Cozinhar nada. Se depender de mim, ela vai viver para encantar os outros. Como o pai.

Magic hands

Is the hand quicker than the eyes?

domingo, 24 de dezembro de 2006

Peixe of my heart

Afinal, é natal!

Enquanto pegava o último saco de sucrilhos da terceira gôndola:
- Papai Noel devia estar atrás das grades.
- Não fala assim John, nosso filho ainda vê nele o símbolo de natal.

John Correia, empurra o carrinho, tentando equilibrar aquele monte de porcarias natalinas que Elza fez questão de comprar há 4 horas da virada (- é só umas lembrancinhas pras molecada, sabe? - São umas lembrancinhas, Elza, são!).

- Elza, o que é natal? Há tempos que eu tô tentando abolir essa palavra do meu dicionário.
- Natal é tempo de união, respeito, amizade, companheirismo, fé.
- Você está enganada, paixão, isso se chama copa do mundo. Natal é outra coisa.

A moça do caixa, de cabelo preto, batom roxo e terríveis sombracelhas postiças (- Tina, muito prazer. É que eu resolvi dar uma mudada no visual. Tina 2007, ninguém me segura!) tenta agradar o casal com um cordial "Boa noite e Feliz Natal, senhores", mas Elza e John estavam muito ocupados tentando convencer um ao outro o que era mesmo o natal. Sem respostas, pegou um a um os itens do carrinho e começou a colocar na esteira, banhada a óleo e farinha de trigo (- Tudo por causa daquele barrigudo de ontem, porco!).

- Me dá arrepios a falta de vergonha na cara desse bando de vagabundos que perdem uma semana antes e uma semana depois pra festejar o natal. Festejar, hunpf. - Esbraveja John.
- Amor, qual o problema em ter um pouco de paz, fé, alegria?
- Eu é que pergunto. Por que é que temos que ter fé, paz, amor e alegria apenas e tão somente dos dias 23 à 5 de janeiro? Agora tem data pra ser justo, honesto e ter fé?
- É, estou começando a concordar com você, mas pelo menos nesses dias nós temos isso, não é?
- Quinhentos e vinte e três reais e setenta centavos.
- Não! O que nesses dias ganhamos com amor, prosperidade e paz, perdemos com hipocrisia.
- Senhor, são Quinhentos e vinte e três reais e setenta centavos. - Diz a moça que já não estava lá tão risonha (- É que ainda tem muita gente pra ser atendida e quero sair mais cedo hoje. É natal.)

- Hã? Ah, tá. Um minuto. - Dá um cheque seu, amor.
- Senhor, não aceitamos cheque.
- Ah não? Ok. - Retirou o cartão de crédito e entregou.
- Desculpe senhor, veja aquela placa: "Aceitamos apenas dinheiro ou cartão de débito."

- Eu não tenho cartão de débito e devo ter uns trinta reais em dinheiro. Vai ter que aceitar o cheque ou fazer um descontão, haha. - Riu ironizando.
- Desculpe, mas eu não posso.
- Puta que pariu! Como não? Cheque é dinheiro! Com cheque se paga tudo. É como se fosse dinheiro. - Começou a gritar aquele que não tinha noção nenhuma de cheque.
- Senhor, só estou cumprindo normas.
- Chame seu patrão, então.

A fila começou a fazer cara feia para os três. Eram quase 21h30 do dia 24 e o espírito de natal estava saindo do controle daquele monte de gente com peru e vinho tinto no carrinho.

- Como assim hipocrisia?
- Quê?
- Você que falou John. Natal é hipocrisia.
- Quando? Por causa da moça do caixa?
- Não, cabeça dura. A gente estava discutindo sobre o que era o natal.
- Ahhh. Tá bom. Como disse, todo mundo fica hipócrita no natal. Esse monte de feliz natal e próspero ano novo é uma baita de uma hipocrisia sem tamanho. O sujeito nunca me viu na vida, ou então pior, nunca foi com a minha cara, aí vem, me dá um sorriso esbranquiçado e solta um "Feliz Natal! Próspero Ano Novo". Próspero ano novo os infernos pra ele! Te desejo um cacete, isso sim. Pelo menos, é um cacete honesto.

- Sabe Elza, isso me parece aquele 'bom dia' de elevador, com a única função de fazer passar o tempo, de quebrar o gelo e nada mais. Natal pra mim é isso, hipocrisia comendo solta pelas ruas e um bando de vagabundos querendo tirar férias.

- Boa tarde senhor.
- Amigo, eu só tenho cartão de crédito ou cheque. Ou aceita ou vou embora.
- Senhor, são normas da casa. Não posso aceitar, mesmo porque, se eu aceitar e o cheque voltar, vou ter que tirar do meu bolso.
- Eu avisei. - Se intrometeu Tina.
- Moço, por favor. - Choramingou Elza.
- Amigo, é natal! Seja bondoso, acredite na boa vontade das pessoas, entre no espírito natalino, seja solidário, acredite nas pessoas. - Soltou John, fazendo cara de Noel, enquanto Elza fazia cara de interrogação e exclamação, seguidas.

Eles se entreolharam com certo respeito interrogativo e um leve sorriso.

- Você tem razão, é natal! - Relaxaram.
- Hoje passa, Tina. Pode tirar aquela placa dali. Hoje, mas apenas hoje, aceitaremos qualquer forma de pagamento. Menos fiado.
Agora sim. Todos riam juntos, enquanto Tina embalava os últimos itens da família Correia.

E a noite terminou desta forma. Todos felizes, satisfeitos, solidários, fraternos, sem discussões, compras feitas e exatamente oito mil, quatrocentos e quarenta reais distribuídos em 27 cheques sem fundo nas mãos do gerente, inclusive um de Quinhentos e vinte e três reais e setenta centavos, assinado por Elza Correia.
Mas Elza não ficou com a consciência pesada, pois afinal,
É natal!


Aproveito o ensejo para desejar um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo para você e para toda sua família, que eu não tenho noção de quem seja. Mas mesmo assim eu desejo, pois afinal.
Já sabe, né?

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Fino

Ganhei há 3 semanas e meia, uma caixa de chocolates suíços de uma amiga minha - Por que? Era meu aniversário; uma data muito especial com pessoas mais que especiais.

Pelo que vi na caixa, eram originais de uma cidade tradicional suíça que não faço nem idéia de como se escreve.
Já não bastasse a griffe e o odor que aquela caixa exalava, como se um fino doce perfume entrasse em nossas narinas e tocasse nosso coração, a caixa era decorada com uma lâmina preta fosca na parte de cima, uma lâmina brilhante em baixo e finos fios de ouro branco em suas bordas. Era simplesmente o chocolate perfeito.
Note que ainda nem tinha aberto a caixa e já estava fascinado pelo presente. Não pensei duas vezes, falei com o google e descobri que metade de uma caixa daquelas valia aproximadamente trezentos e setenta reais. Uau!

Tirei o laço, apertei a parte superior e...

- Não, não vou abrir agora. Estes bombons finos foram feitos para uma ocasião especial com pessoas finas, um aniversário, um casamento, bodas de ouro, sei lá! Qualquer coisa mais importante que hoje, e eu lá nem sou assim tão fino.

Decidido, fechei-a com o laço prateado e deixei o presente esquecido num lugar onde ninguém nada fino poderia fuçar.

Demorou algum tempo, mas o grande momento chegou. Amigos finos reunidos, pessoas finas importantes, tudo fino e especial.

O presente foi trazido à mesa, num clima de suspense foi aberto, e dentro, chocolates fora do prazo de validade derretidos se misturavam com o papel fino da embalagem. Prontinho.. para ir ao lixo com plástico fino.

Que chocolate é você?
Qual o seu prazo de validade?
Vai ficar esperando até quando?
Que dia é especial para você? Hoje ou quando já estiver estragado?

Ah, não vai estragar?
Você deve ser hidrogenado, então. E fino.

domingo, 17 de dezembro de 2006

Apenas música

Esses dias, estava lendo um livro sobre liderança e deparei-me com a seguinte colocação: "Não vemos o mundo como ele é, mas como nós somos" e, novamente, pensava e debatia sobre Paradigmas.

Este é um tema que um dia escreverei uma tese. Meses atrás, já discursei sobre isto nesse blog, mas agora, vou utilizar o mesmo tema para falar sobre um aspecto diferente do que o rodeia.

Paradigmas são pensamentos enraizados, padrões psicológicos, modelos ou mapas que usamos para navegar na vida. Vou exemplificar de uma forma bem simples:
Imagine que você use um óculos com lentes verdes. Pronto! Tudo e todos que você verá sofrerão alterações na cor e serão sempre imagens esverdeadas. Assim são nossos paradigmas; lentes que se instalam em nosso cérebro e filtram tudo o que vemos, sentimos e pensamos.

E são os nossos paradigmas, que nem sempre são ruins, que nos dão nossa marca, nosso estilo, nosso jeito de ser.

Conhece aquela música do WhiteSnake, "Too many tears"?
Isto é um exemplo mais que real para mim.

Parece que nunca é por acaso. Ela sempre resolve aparecer no meu rádio em todo início ou final de relacionamento, e é absurda a forma que a mesma música é captada de formas diferentes por meus ouvidos.
Ora eu ouço a música com um ar apaixonado e pensando em minha amada e nas lágrimas de alegria que a música imprime, ora da forma mais melancólica possível e nas lágrimas de tristeza caindo ao chão.

Alguns afirmam que paradigmas, mesmo que com muito esforço, são praticamente impossíveis de serem quebrados, outros, contrariamente dizem que com algum esforço, podemos mudar nossa forma de pensar, de agir, de ser e mudar as lentes do nosso óculos cerebral.

E eu, bom, eu acho que deveríamos colecionar paradigmas e ter uma gaveta cheia de lentes para poder trocá-las todos os dias e sentir sensações diferentes vindas de um mesmo lugar. Ver o mundo amarelo na segunda-feira, vermelho na terça e assim por diante.

E como diz minha irmã:
A música não é triste; nós é que somos. A música é apenas, música.

"Too many tears"
(coverdale/vandenberg)

I used to be the man for you,
Did everything you wanted me to,
So, tell me, baby,
What did I do wrong...

I told you what you wanted to know,
Precious secrets never spoken before.
All Im asking,
Where did I go wrong...

Some things are better left unsaid,
But, all I do is cry instead,
Now, Ive cried me a river,
Thinking how it used to be...

Thereve been too many tears falling,
And thereve been too many hearts
Breaking in two.
Remember what we had together,
Believing it would last forever.
So, tell me, baby,
Where did I go wrong...

Everything I had was yours,
More than I have ever given before,
So, wont you tell me
Did I hurt you so bad...

I guess Im fooling myself,
cause I want you and no one else.
And I cant understand
Why youre doing these things to me...

Thereve been too many tears falling,
And thereve been too many hearts
Breaking in two...
Remember what we had together,
Believing it would last forever.
So, tell me, baby,
Where did I go wrong, where did I go wrong...

Now my heart is breaking,
My whole world is shaking,
cause I cant understand
Why youre doing these things to me...

Thereve been too many tears falling,
And thereve been too many hearts
Breaking in two...
Remember what we had together,
Believing it would last forever...
So, tell me, baby,

Where did I go wrong...

sábado, 16 de dezembro de 2006

Quem

Quem te faz pensar enquanto dorme?
Quem te vem aos sonhos quando não pode mais dormir?
Quem não te deixa mais dormir?

Quem te coloca sobre as nuvens?
Quem te faz viajar além do horizonte?
Quem é seu horizonte?

Quem te cobre quando xove?
Quem te exquenta quando está friu?
Quem não si inporta com seus erros de portugueis?

Quem te acha bonita quando está de pijama e creme na cara?
Quem te dá boa noite quando você está só?
Quem nunca te deixa só?

Quem às vezes nem aparece quando está tão feliz?
Quem te vem à mente quando está assim, tão triste?
Quem te faz nunca estar assim, tão triste?

Quem te faz pensar enquanto dorme?
Quem não te deixa mais dormir?

Faltando alguns verbos...

Querer-dizer, sentir, sente ver,
Poder, olhar, poder, escutar,
Jurar, apertar, abraçar e agarrar.

Piscar, sem falar, sorrir sem chorar,
Cantar, beijar, molhar e melar,
Pegar, respirar, rolar, enrolar.

Dançar, adoçar e adoçar e adoçar,
Tentar, não parar e não proibir,
E sem corrigir o rir e o sorrir.

Sem ti sem pensar,
Sentir sem pensar,
Escrever sem parar,
Clicar, arrastar, enviar.

Será que você pode completar?

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

BIA

Ele acabara de completar 27 anos, mas ainda se lembrava nitidamente de sua professora de matemática da primeira série, a BIA.
BIA era um nome curto, mas muito forte e presente em sua vida.

Depois de ter se formado administrador, montou um negócio com BIA, sua amiga de classe, no mesmo ano em que foi chamado para ser padrinho de sua sobrinha, a pequena BIA.

Por alguma razão inexplicável, este nome, BIA, o acompanhava desde sua infância, quando ainda era cuidado pela BIA, a babá.

Quando o moço da concessionária ligou para dizer que o carro novo já estava disponível, ele, brincando com o vendedor, tentou adivinhar as três primeiras letras da placa: B I A.
E acertou.

Ele sempre teve dúvidas sobre o amor, nunca esteve certo que teria uma família, filhos e essas coisas, mas um dia, a paixão bateu à sua porta; conheceu a mulher da sua vida, namorou, noivou e casou com aquela moça encantadora de pele morena.

Seu nome? Maria Cândida Celestina da Silva.
Fim


Nem sempre as coisas são do nosso jeito.




E quando não é, a gente ajeita as coisas.
"... mas ele a chama carinhosamente de BIA."

Uma ótima noite de sono

Quero percorrer os vales mais profundos,
Subir as pedras mais altas,
Nadar pelos mares mais imensos.

Mas antes de tudo quero poder saber
Compreender o jeito de amar das pessoas,
Lidar com seus erros,
Perdoar as mágoas mais escancaradas.

Quero ser o mais forte dos fortes,
Brigar com tigres e leões,
Correr e saltar lá de cima.

Mas antes de tudo quero poder ver
Entender a verdade que existe em cada mentira,
Ou a verdade que é que eu minto ser,
Ver, ter, sentir

Sentir aquilo que meu é
De dever, poder fazer o que é certo
E de errado, permitir apenas o poucos erros desse verso.

Ser forte por fora e macio por dentro
Permitir que o sentimento flua
e me entregar à ELA ...
Justamente como tem que ser.

E por assim acabado,
ponto final.


ps.

E se um "ps" for inserido - depois de um ponto final,
Talvez mude bem o sentido, talvez continue real.
Uma prosa vira verso, uma palavra em abandono.
Mentes cheias de rimas e cores, uma ótima noite de sono.

Bons sonhos.

domingo, 10 de dezembro de 2006

Barriga!

Barriga pra dentro, peito pra fora e um umbigo!
Umbigo. Que coisa mais feia, não acham?

Barriga é uma palavra tão bonita. Tem uma sonoridade única e precisa.
Fale bem devagar: Baaarriiigaaa...
Não dá vontade de dormir?

Porque tem que ter um umbigo no meio da história?
Qual a função do umbigo, esse buraco? Nenhuma!

Todos os buracos no corpo do ser humano têm algum motivo. Cada parte do corpo tem sua função bem definida, mas o umbigo...
Umbigo é uma parte do corpo que não serve para absolutamente nada.

Tá bom, já vem você com esse papinho medíocre e primário que o cordão que liga o feto à blablabla blablabla blablabla...
Ué.. Não podia ter um cordão nasal que saía do nariz? Por que que tem que ser justamente no meio da barriga? Só pra atrapalhar?

Ahhhh barriga.

Barriga sim. Essa é uma coisa divina.
Na barriga se beija, se abraça, se faz carinho.

A barriga serve de travesseiro praquelas tardes chuvosas de domingo, regadas à Domingão do Faustão, que cheiram pipocas com manteiga e sal.

Barriga serve pra gente beliscar quando a namorada faz besteira e principalmente para massagear quando estamos bem satisfeitos de macarrão com guaraná.

Dito! Lutemos então contra os umbigos de nossas vidas e proclamemos a felicidade de nossas barrigas!

Ahhh Barrigas!

sábado, 9 de dezembro de 2006

Beleza

Lá estava ela.
Seus cabelos esvoaçantes tocavam a janela do quarto.
O sol aquecia seu corpo esguio.
Ela não se movia.

Lá estava ela.
O vento soprava em seus pés.
Não sabia se a tocava ou apenas a contemplava.
Decidi.

Lá estava ela.
Em largos passos, andei.
Com firmeza, a segurei e disse:
Mas que beleza de vassoura.

Felicidade

Provei todos os sabores;
E o mais doce é você.

Provei demais as dores da vida;
E só sofro por você.

Provei milhões de drogas;
E só seu jeito me vicia.

Provei vinhos e vinhos;
E só teu olhar tem o poder de embriaguez.

Resultado:

Tô com dor de estômago, um braço quebrado, entorpecido e bêbado.
Tá feliz?

domingo, 26 de novembro de 2006

A saga do mágico do mal (Ep4)

Para ver o episódio2:
Para ver o episódio3:


Parabéns pra você...nessa data querida...muitas felicidades..muitos anos de vida.
Pra Raquelzinha nada!!! Tudo!!! Como é que é? É pique.. É pique.. É pique é pique é pique. É hora.. É hora.. É hora é hora é hora.. Rá! Tim! Bum! Raquelzinha, Raquelzinha, Raquelzinha, Raquelzinha!


Raquelzinha, agora assoprando sua 13ª velhinha, nunca esteve tão feliz.
Bexigas estourando, o LP da Xuxa - aquele mesmo - arranhado no último volume, pratinhos de bolo no chão, amiguinhos sujando o sofá de brigadeiro, tudo como ela sempre quis, porém, o grande motivo pela felicidade, não era apenas esse. Já com quase 3 horas de festa, a menina não tinha nem sonhado com o famigerado mágico do mal. Bom, é melhor nem pensar nisso; vai que atrai o...

- Putaquepariu! Olha quem está ali escondido atrás da coluna. Pensou a garotinha ex-feliz.
– Já vi que esse merda vai estragar minha festa de novo.

- Lindaaaaaaaaaaaaaa! Você viu quem a mamãe chamou pra animar sua festinha?
- Vi.

- Olá crianças... O mágico chegou.
- Chegou para que? Para que? Parafuso?
- Nãããão.
- Para-quedas?
- Nãããão.
- Para-raio?
- Nãããão.
- Paraque?
- Para divertiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiir!
- Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.

A criançada não se continha em seus lugares. Parecia que tinham formigas em seus bumbuns. Todos queriam ir ao encontro do bondoso senhor de cabelos brancos, olhinhos pequeninos azuis e covinha.
Digo, quase todos.

Raquelzinha engolia seu choro e fazia cara de brava no mesmo momento em que guardava um garfo afiado em seu vestido.

O mágico do mal divertiu, entreteu, encantou e magicou a meninada toda; depois de seu último ato, deu um beijinho na Raquelzinha e foi embora.

A aniversariante entrara em parafusos. O que aconteceu com esse cara? Será que ficou bonzinho novamente? Porque ele não fez nada além do programado?
Raquelzinha pensou por alguns poucos segundos e logo parou, quando embalada pelo mais novo single ‘Ilariê’ da musa.
Brincou bastante, se divertiu e quando todos foram embora, a menina voltou para seu quarto, para abrir seus presentinhos.
Cadê? Cadê? Cadê? - Exclamou 3 vezes.
Cadê? Cadê? - Exclamou mais 2 vezes.
Cadê porra? - Exclamou a última vez.

“Ilarilariê, ô ô ô.
Ilarilariê, ô ô ô.
Ilarilarilariê, ô ô ô.
É a turma da Xuxa que vai dando deu alô.”

– Cantava o mágico do mal enquanto contava os presentinhos que tinha roubado na hora do parabéns…

sábado, 25 de novembro de 2006

Sentimentos enlatados

Hoje, estava conversando com minha mãe sobre latas. É, latas de cozinha, alimentos enlatados.
Como pode um molho de tomate ficar dias, meses, anos dentro de uma lata e não estragar?

Diz ela, por sua vivência gastronômica, que eles ficam ainda mais concentrados, mais espessos e mais saborosos quando dentro de latas.
Há uma latinha guardada na dispensa há uns 4 anos; já não tem mais rótulo. Sua carcaça é prateada, com ranhuras ao redor e pesada. Muito pesada.
Ainda não sei o que tem dentro. Ela me diz que vai guardar para um momento especial, pois cada lata tem a hora e um jeito certo de abrir.

Sentimentos enlatados
Você, mesmo que queira, nunca deixará de odiar alguém.
Você, mesmo que queira, nunca deixará de amar alguém.

Vamos começar pela seguinte premissa: Sentimentos são enlatados.
Amor, ódio, raiva, alegria, tristeza, felicidade, saudade, esperança e outras porções de sentimentos são normalmente enlatados por nós.

Quando você ama alguém, você simplesmente abre uma latinha e despeja o amor lá dentro.
Assim como numa caldeira, o amor fica borbulhando naquele compartimento e, hora se esparrama pelo resto do corpo, o lambuzando de paixão, hora fica quietinho, sem se mexer muito - guardado. De qualquer forma, a latinha de amor está lá dentro, aberta e pronta.

Quando se diz que o amor está acabando, que a paixão está indo embora, quando o coração está sendo ferido, na verdade o que está acontecendo é que sua latinha está sendo vagarosamente fechada e cada vez é mais difícil se usar o amor que está sendo confinado. Quando se menos espera, vem o tempo e 'zapt' - Lacra o pote.

Cada um de nós convive diariamente com muitas latinhas abertas e muitas fechadas dentro da gente. Latinhas trancadas de um amor que foi embora, latinhas abertas de esperança que não se fecha, latinhas de receios, de tristeza, mágoas.

Você, mesmo que queira, nunca deixará de odiar alguém.
Você, mesmo que queira, nunca deixará de amar alguém.... pois a latinha - aquela mesmo - ainda está lá; esperando para ser aberta.

O que a gente não sabe é que uma vez lacrada, a lata só pode ser aberta por quem a fechou. Só pode usar o abridor aquele que um dia ajudou a deixá-la assim...
Normalmente esta é uma tarefa difícil, tem que fazer com cuidado para não estragar a tampa [não rasgar o rótulo] e muito vagarosamente para não derramar - e perder - seu conteúdo.

Dizem que algumas cheffs de cozinha têm uma tendência maior a acumular latas - talvez pela sua rotina profissional - e, por empilhar tantas latas de emoções, umas acabam sendo fechadas e esquecidas.

Dizem que mágicos fazem sumir latas, mas acho que não. Os mágicos apenas as escondem de uma forma que ninguém perceba, mas não adianta, assim como a mágica sempre acontece, uma hora a latinha acaba aparecendo...para algum abridor que seja muito mais do que simplesmente forte para abri-la, mas pronto o suficiente para receber o que encontrar por lá.
E quando a latinha é muito forte, pesada e recheada... dá uma dor no estômago...

ainda não choveu.

Já vim assim: vento na cara no carro... cara ao céu, ao léu, no vento, na brisa.
Cheguei aqui às 16h. Céu limpíssimo, um sol estonteante, uma janela que não reflete, límpida, limpa. Uma janela de sorte.

Meu dia foi bem produtivo. Relaxei, pensei, pensei, relaxei mais um pouco, bom, todas aquelas coisas que é normal se fazer em um sábado à tarde.

De repente um estalo. A luz se apaga. Com isso, o ar condicionado que me refresca se vai, o computador em que trabalho é desligado e minha vontade de sair para caminhar termina.
Relâmpagos, trovões, nuvens.

Pronto! Só falta chover.

A luz não é mais luz e não se permite ver... o refresco já não sopra mais e é desligada minha vontade de continuar.

Alguém me explica? [explica?]
Como um céu tão limpo, como um ar tão fresco se vai sem dar nenhum motivo? Como a luz se apaga de uma hora para outra? Como a vontade chega ao fim?

Tantas perguntas impossíveis de serem respondidas pela natureza. Tantas respostas a serem inventadas por mim baseadas em percepções. Sim. Percepções e não fatos, pois, nem tudo é o que vemos e sim vemos o que nos permitimos ver.

E já sem mais motivos para questionar, apenas pude fazer uma afirmação: O céu pode estar cinza, o azul pode já ter ido embora, o vento, a luz, o sol podem ter sido desligados, mas,

ainda não choveu.

E depois de algumas frações de tempo, o céu se rebela contra suas próprias vontades, o calor nasce de dentro e, vagarosamente [mas ainda mais intenso], o céu vai se abrindo, e abrindo, e abrindo.
Algo me diz que eu preciso de um filtro solar, fator 23.
Será que é muito caro?

28/11 - Chegando o Dia Internacional do Baltresca

Os indivíduos extremamente intensos nascidos em 28 de novembro devem buscar seu próprio curso. Dados a paradoxos, são sujeitos complexos que nunca deixam de espantar sua família e amigos com sua combinação única de agressividade e sensibilidade. Sua ideologia é extremamente importante para eles, mas ela pode mudar, deixando os outros confusos, suas idas e vindas percorrendo uma rede intrincada de ironia e seriedade. Por exemplo, pode ser difícil determinar se alguém nascido em 28 de novembro é conservador ou radical, de esquerda ou de direita, um defensor da ordem social ou um rebelde anarquista. Em última análise, tais termos têm pouco significado para os padrões mentais dos nascidos em 28 de novembro, que...
devem ser compreendidos segundo seus próprios termos.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

A Saga do mágico do mal (Ep3)

Para ver o episódio2:
http://baltresca.blogspot.com/2006/11/saga-do-mgico-do-mal-ep2.html


Episódio 3: O Mágico do Mal ataca novamente
Por Rasputin

Outro aniversário... Raquelzinha suava frio... Tinha a absoluta certeza que a mãe contrataria de novo o mágico das covinhas, olhos azuis angelicais e queixo com furinho (essa imagem nunca saía de sua mente atormentada). Era inevitável... Ano após ano e aquele mostro devorando sua infância.

Esse ano seria diferente! Antes de qualquer mágica, Raquelzinha daria um basta naquilo! Ela tramou um plano mirabolante. Maravilhoso, genial, espetacular... A angústia de colocar seu belo plano em ação a afligia ainda mais... Mas era uma dor prazerosa... A expectativa de vingança.

Eis que chega o dia! Raquelzinha agora estava na fase sertaneja: Depois de assistirem a “Dois Filhos de Francisco”, o Karaokê alugado só tocava aqueles sons infernais (ou melhor, as canções de tão talentosa dupla). A decoração Country estava divina: uma bela cabeça decepada de boi na parede, arreios, estribos e bitolas penduradas pela casa... Bexigas marrons e, o melhor de tudo, um touro mecânico...

Tocam a campainha. “É agora, pensa Raquelzinha”. A mãe de Raquelzinha, depois de tirar dois meninos que estavam inundando o banheiro, abre a porta. “Uau!” – pensa Raquelzinha. Ele estava divino vestido de peão... Lindo, maravilhoso, Raquelzinha sentiu seu coração infantil bater mais forte.

E as mágicas começam: coelhos fofos saem de minúsculas caixas, ovos brotam das orelhas de seus amigos, bengalas dançam no ar, e a vingança fica esquecida. Repentinamente, o Mágico olha para Raquelzinha e pede para que venha até a frente. “Sim, meu am... ops!”

Primeiro, o Mágico prende os pulsos da aniversariante com algemas, depois a enrola com cordas. Raquelzinha estava radiante, ela sentia a respiração adocicada de seu príncipe perto de sua boca... Sua mão delicada tocando seu corpo pré-adolescente. Por fim, o Mágico colocou um capuz na cabeça da menina. A mágica do desaparecimento iria acontecer... Suspense...

Depois de alguns segundos, o Mágico grita: “Vamos todos para o Mac Donalds!”. E foi aquele alvoroço de crianças correndo para o microônibus do Mágico. Raquelzinha estava sozinha, até sua mãe e pai foram também...
“Pessoal, cadê vocês? Geeeente? Aloooooooow?”

A Saga do mágico do mal (Ep2)

Para ver o episódio1:
Episódio 2: O retorno do famigerado mágico do mal
Por Rasputin

Dia de alegria. Mais uma primavera. Raquelzinha está radiante com mais um aniversário: a expectativa dos presentes, docinhos, amigos bagunçando tudo, DVD da Xuxa no máximo! Apenas uma sombra paira sobre seus doces sonhos de infância: um telefone armazenado no celular da mãe - o número do mágico do ano passado.“Estaria aquela doida pensando em contratá-lo novamente?”. Raquelzinha suou frio, mas logo isso foi esquecido: o aparelho de som tocava Tati Quebra-Barraco. Nada melhor do que isso para esquecer um trauma infantil.

Amigos chegando, pais aliviados por terem algumas horas de sossego, deixando seus lindos fardos nas mãos de uma mártir: a mãe de Raquelzinha. Vários vasos quebrados depois, chega a atração principal: NÃO!!!

Era ele, o mágico do mal novamente! Seus olhos azuis, suas covinhas, seu queixo com furinho... Ele inteirinho! Iniciaram-se os números: moedas brotavam do nada dentro de um pequeno balde e Raquelzinha tremia: “vai acontecer de novo!”

No entanto, nada acontecia, uma jarra aparecia cheia de água, depois leite, depois Diet Coke com Mentos (cuidado crianças, isso explode a barriga!). Raquelzinha estava mais aliviada, até divertia-se.

Minutos depois, o mágico anuncia seu último número: eis que de um pequeno lenço branco surgem três lindas pombas brancas (como a alma daquelas crianças). Raquelzinha encanta-se: “Sr. Mágico, posso pegar uma delas?”
“Sim, meu anjo!” – responde o mágico que já não parecia tão assustador assim.

Raquelzinha estende seus bracinhos e em poucos minutos o caos é instaurado!!! Pombas voando como caças F15, bombardeando com excrementos o maravilhoso bolo em forma de Barbie gigante! Olhos, nariz e barriguinha sarada cheios de cocô de pombo!

Raquelzinha chora desesperada. O mágico sorri por trás do lenço branco, fingindo que está assoando o nariz...

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

A história do pintinho quase

O pintinho se chamaria quase.
Ele acharia que esse era um nome de urso, mas sua mãe o convenceria que não.

Ele viveria uma vida cheia de surpresas e emoções.
Seria o galo mais bonito, forte e elegante do pedaço.

Seu pai teria orgulho pelo que faria.
E ele, pelo que diria.

Chamaria, acharia, convenceria, viveria, seria, teria, diria.

Quando ainda novo no ovo, há poucas horas de nascer, sua vida foi interrompida pela quina de uma frigideira cinza.
E ele ficou por lá. Amarelo-vermelho sobre o óleo frio.

Havia duas alternativas.
Juntar as cascas ou ligar o fogo.

Ela não teve dúvida,

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Descobri que eu tenho uma filha de 4 anos

Descobri que eu tenho uma filha de 4 anos.
O mesmo nariz, o mesmo olhar, a mesma bochecha. Só pode ser minha.

A mancha de nascensa está exatamente no mesmo lugar. Nem um centímetro a mais, nem um a menos.
O nome dela é exatamente este que você está pensando; e já não tenho mais dúvidas, é minha filha.

Pele rosada, cheiro de neném. Olhou pra mim e disse: Papai.
Nunca tinha me visto, mas ela já sabia quem era.

Até teste de DNA eu fiz. 100% de comprovação.

A mãe? Nunca vi na vida.
Muito prazer, Rafael.

Mas a filha? É minha.
Há quatro anos,

Minha.

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Detecta

Ela tinha tanto de altura e tanto de cintura. Seus cabelos eram assim e seus olhos... ah seus olhos. Tinham a cor daquele pássaro que nunca pousara na minha janela pela manhã.
Mas nesta noite, pousou.
Quem é ela?

É. Depois de tanto procurar, de tanto derrapar, eu encontrei a mulher da minha vida. Aquela pra se casar, ter três filhos, uma casa no campo e viver feliz para sempre.
Por ela eu pararia com a sedução de minha mágica e não seria mais um conquistador qualquer. Por ela eu faria com que minha sedução fizesse a mágica de conquistá-la todos os dias. Para sempre.

Anjo.

Sabe quando você encontra a perfeição? Bom, neste caso eu percebi que a perfeição, quando comparada a ela, nem é tão perfeita assim.

Eu, que sempre tentei driblar a emoção, desta vez fui fisgado por algo mais forte, que me fizesse sofrer de uma forma boa, sorrir de uma forma verdadeira e amar como nunca tinha amado.

Nosso encontro foi marcado para o dia 5.
Minhas mãos suavam, meus lábios secavam e meu corpo, tremia por dentro. Palpitações, calafrios, dores de barriga, de estômago e tudo que a paixão nos dá de brinde quando chega de repente. E desta vez veio forte.

Cheguei ao local combinado, a vi, peguei em sua mão e disse:

- “triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim”
- “triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim”
- “triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim”

- “Alô.”
- “Bom dia, meu nome é Michele Bastos da Silva, sou da Telefônica e gostaria de estar sabendo se o senhor gostaria de estar recebendo o plano Detecta gratuito por 3 meses. Esta promoç...”

“Clack.”

Telefônica filha da puta. Maldição de empresa! Detecta a puta que o pariu. Michele Bastos da Silva o cacete. Porra!
Eu queria era um detecta pra detectar quando esses cornos inconvenientes ligam pra gente, pra mandar um choque e dizimar essa população de sem-noção dos infernos!

Pronto. Puta sonho bom e essa vadia me liga pra saber se eu quero o Detecta.
Raiva é pouco perto do que a gente sente nessas horas.

Sonho cortado, destruído. Fantasia petrificada, quebrada e jogada em alto mar.

Já aconteceu com você? Já aconteceu com seus sonhos?
Não é metáfora, não. Estou falando daquele sonho de dormir mesmo.
Já aconteceu de você estar sonhando e vem algum maldito dos infernos para destruir suas fantasias?

A gente até tenta pegar no sono de novo, mas, nada! Nunca conseguimos chegar ao estágio imaginativo de antes. Às vezes, na melhor das hipóteses, conseguimos sonhar com outra coisa... totalmente diferente – e sem graça - .

Na vida é assim também. Às vezes somos tomados por uma paixão avassaladora, mergulhamos de cabeça e sem equipamento no mar do amor - com a boca aberta e sem oxigênio - . Deixamos nos encantar por sentimentos e paixões difíceis se explicar pela razão do pensamento, mas, fácil de mostrar pela razão do coração.
Ficamos iludidos, encantados, acelerados e, quando menos esperamos, nossos sonhos desabam. Nossas fantasias são novamente petrificadas, quebradas e jogadas em alto mar.

Porque que a gente não nasce com um Detecta a prova d’água, hein? Apenas para detectar se o amor vai ou não vai dar certo. Apenas para detectar se a paixão vai embora rápido demais.
Assim seria mais fácil. A gente não mergulharia a toa em sentimentos quentes e úmidos para depois serem secados com um jato de ar frio.

Da segunda vez foi real. Nada de sonhos.

Ela tinha tanto de altura e tanto de cintura. Seus cabelos eram assim e seus olhos... ah seus olhos. Tinham a cor daquele pássaro que nunca pousara na minha janela pela manhã.
Mas nesta noite, pousou.

É. Depois de tanto procurar, de tanto derrapar, eu encontrei a mulher da minha vida. Aquela pra se casar, ter três filhos, uma casa no campo e viver feliz para sempre.
Por ela eu pararia com a sedução de minha mágica e não seria mais um conquistador qualquer. Por ela eu faria com que minha sedução fizesse a mágica de conquistá-la todos os dias. Para sempre.

Quem é ela?

- Oi. Muito prazer. Trabalho na telefônica, com telemarketing.
- Meu nome? Michele Bastos da Silva.

- Detecta acompanha?

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

O Aprendis

Cena 3

Palco vazio. Cinco holofotes distribuídos igualmente cegam o público, que chega ao teatro.
A medida que os espectadores entram o som é aumentado, até chegar num estágio ensurdecedor.

No som, ouve-se pessoas gritando de dor. Algumas risadas também compõe este "barulho".

Voz off: Senhoras e senhores, a Cia. Júlia de teatro que não dá sono apresenta: "O Aprendis"
O som é cessado no momento do black-out.

O aprendis se posiciona no centro do palco, nú e com os olhos vendados. Luzes vermelhas se acendem gradativamente sobre ele, que fala com a platéia. Sua fala não é compreendida, pois, ouve-se nas caixas de acústicas um ensurdecedor choro infantil.

O aprendis força sua mão contra seu estômago como se quizesse esmagá-lo. Neste exato momento o som cessa.
Ele volta a falar com a platéia, angustiado. O choro ensurdecerdor volta, deixando-o cada vez mais tenso.
O jogo "fala/choro" / "grito/silêncio" se repete por 7 vezes.

Após a sétima vez, alguém surge da platéia, vai até o aprendis e, em seu ouvido, diz:

- "É com z."

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

O homem-burro

O homem-burro já tinha lá seus vinte e poucos anos, era formado há 5, trabalhava, era responsável, honesto, sempre elogiado, mas, entre nós, era tão burro que doía!

Deixe-me contar a última do homem-burro, que aconteceu longe, bem longe de casa.
Estava ele se preparando para voltar de uma viagem de negócios. Tinha acabado de chegar no aeroporto daquela cidade-longe quando, repentinamente, te deu um estalo:

- "Meu celular. Putaquepariu... esqueci no carro!"

Como é que uma coisinha eletrônica ridícula daquelas faz a gente passar tanto nervoso, hein? Pois é, o homem-burro acabara de perceber que seu telefone celular tinha ficado no banco da frente do carro da moça que trabalhava com o cara que era o contato da empresa que pertencia ao grupo que contratou o homem-burro.

Como o homem-burro era também um homem-ligeiro, olhou no relógio e viu que tinha quase uma hora até o embarque.

- "Dá tempo!", pensou que estava pensando o homem-burro.

Em um segundo, abriu seu laptop para localizar o telefone do contratante da cidade-longe para tentar localizar o telefone do carro-carona.

Abriu 1,2,3, 10 e-mails. Selecionou, pesquisou, clicou e nada. Fechou, agrupou, abriu, clicou de novo e nada!
Pegou, pesquisou e Ôpa! Achou!
Com o telefone do contratante em mãos, ligou. Chamou 1, chamou 2, chamou 3.

- "Sua ligação será encaminhada para a caixa de mensagens. Após o sinal grave sua mensagem."
- "Porra! Que merda."
- “Piiiiiiiiiiiiiiiiii” - Sinalizou
- “Cleq” – Fechou

Já sei! Exclamou o homem-burro.
Com alguns cliques, conseguiu o telefone do contato de São Paulo que certamente teria o contato do cara da cidade-longe que certamente teria o contato do amigo do cara do carro-carona que certamente teria o telefone do carro-carona.
A trama mirabolante seria perfeita não fosse o fato do ponteiro pequeno marcar 7 e o grande 12.. Nem o de São Paulo, nem o da cidade-longe, nem o amigo do cara do carro-carona estavam acordados. Apenas o carro-carona, mas este, ninguém sabia o paradeiro.

- "Senhores passageiros com destino a São Paulo e conexões , embarque imediato no portão 1"

Às vezes o homem-burro tem um lapso de esperteza, mas quase sempre tardio - que não adianta nada e ainda reforça sua burrice - .
Neste dia, o homem-burro teve seu lapso atrasado, também.

- "0 31 11 XXXX-XXXX"

Simples. Tudo o que o homem burro deveria ter feito no momento em que percebeu que tinha deixado o celular no carro, era ter ligado para o próprio telefone.
Simples, fácil e certamente teria poupado todo o transtorno e as futuras amolações para os correios...

Eita homem-burro!
FIM

ps. Se alguém quiser me contactar nos próximos 3 dias, faça através do e-mail contato@omagico.com, pois, meu celular ficou em salvador. No banco da frente do carro-carona.

sábado, 30 de setembro de 2006

A Saga do mágico do mal (Ep1)

Episódio 1: Raquelzinha, a aniversariante, e a surpresa legal.

Ele já estava lá.
O mágico do mal foi contratado por Sérgio, o pai, e Lucília, a mãe e no momento da contratação explicou aos dois que sua última mágica seria surpreendente, ninguém esperaria algo tão diferente e alucinante em seu super-hiper-show.

As crianças já curtiam o mágico do mal há aproximadamente 40 minutos, quando o misterioso anuncia seu último número!
Pediu para que todos os pais e mães depositassem uma nota de dez reais dentro de uma caixinha de madeira.

Após alguns minutos 30 pessoas já tinham dado sua contribuição que totalizava duzentos e noventa reais e cinqüenta centavos - um pai sacaneou o mágico do mal. Viado de merda -.

O mágico do mal fechou a caixinha com um cadeado e pediu para que cada criança pegasse uma chave dentro de seu saquinho mágico. Informou então para os pestinhas que apenas uma chave abriria a caixa do mágico e o sortudo iria ganhar todo o dinheiro que estava lá dentro.
As crianças estavam eufóricas, principalmente Raquelzinha, a aniversariante.

Raquelzinha, a aniversariante, era uma menina meiga, linda, lorinha e de olhos azuis. Tinha muitos amiguinhos e decidiu convidar para sua festinha todos eles, até mesmo o betinho, um garoto arrogante, antipático e que não ia muito com a cara de Raquelzinha, a aniversariante.

Raquelzinha, a aniversariante, pediu que seus amiguinhos formassem a fila e colocou betinho no último lugar.
O mágico do mal deixou a caixinha no centro do palco, cuidou para que o suspense pairasse sobre o ambiente e iniciou a surpresa legal.
João foi a primeiro. Tentou de um lado, tentou de outro e nada.
Juquinha foi o segundo. Depois de algumas brigas com a caixa, desistiu.
E assim foi Lia, Letícia, Pedro, Bruninha, Carminha e o Rafa. Ninguém conseguia abrir a caixinha do mágico do mal.

Sérgio e Lucília, os pais de Raquelzinha, a aniversariante, se olhavam, sorriam e já sabiam o que estava prestes a acontecer. Todos tentavam, tentavam e ninguém conseguia, quando chega a vez de Raquelzinha, a aniversariante.

Ela fecha seus olhos, faz um super-pedido-positivo, decide doar todo o dinheiro para uma instituição de caridade, vira a chave e... nada. Tenta de novo e... nada. Força mais uma vez e... nada. Solta um "caralhooooo!" acidental e.. nada.

- "Agora é a vez do Betinho", disse o mágico do mal.
Betinho - menino mal -, o último da fila, respira, enfia a chave no buraquinho do cadeado, dá um sorrisinho sacárstico, vira a chave e... nada também.

O mágico do mal olha para a platéia e grita: "Eu menti! HAHAHAHAHA"

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Só pra lembrar

Considerações sobre o post abaixo:

Desculpe minha sinceridade, mas eu realmente não criei o texto abaixo esperando 'concordos' ou 'não concordos' de V. Sa. e sua opinião não influencia e nunca influenciará sobre o que penso ou não penso em escrever.


Esta é simplesmente a verdade. Que também se cria,

Aceite.

E só pra lembrar, a raiva, o desgosto, o riso ou simplesmente essa sua cara aí, também foi criada por este post.

Emoções são fabricadas.
Só pra lembrar.

domingo, 24 de setembro de 2006

Dip'n'lick

Shopping da Zona Oeste, 19:00.

Bem ao lado do CineMark, um casal. Do outro lado, perto do pipoqueiro, o segundo casal.

O primeiro casal não se desgruda. O braço direito do rapaz passa sobre o pescoço da moça e se apoia em seu ombro, enquanto sua mão esquerda pega no braço da menina.
Ela, feliz, segura um algodão doce cor-de-rosa e diz: "Estou apaixonada!"

O segundo casal não se desgruda. O braço direito do rapaz passa sobre o pescoço da moça e se apoia em seu ombro, enquanto sua mão esquerda pega no braço da menina.
Ela, feliz, segura um algodão doce azul e diz: "Estou apaixonada!"

O primeiro casal comemora 3 anos de casados. Namoraram 4 anos e há 3 estão juntos no papel.
No começo foi difícil. Terminaram e voltaram algumas dezenas de vezes. Ele a traiu 2 vezes e ela, amorosa e esperançosa, o perdoou. A família dela lutou a vida toda para que os dois ficassem juntos, a família dele nem tanto. Ele quase não tinha família. Depois de 3 anos de casados a vida dele mudou. Ele até pensou em terminar tudo pra ficar com Julia, mas pensou direito e percebeu que ela - a do cinema - era sua melhor escolha. Resolveu então comemorar esta nova fase num shopping da Zona Oeste, no Cinemark. Logo ali.

O segundo casal não comemora nada.
Ele a conheceu há 1 semana e estão logo ali, ao lado do pipoqueiro. Apaixonados.

Sabe qual a diferença do casal 1 para o casal 2 naquele momento? A cor do algodão-doce.
Toda a vida vivida pelo casal 1, toda a raiva que se foi, todas as brigas, todo o amor, todas as paixões, absolutamente tudo que os dois viveram não influencia em nada quando os comparamos com o casal 2, que se põe na mesma posição, com a mesma opinião, nos mesmos sentimentos do casal 1.
Naquele momento, os dois fazem, pensam e sentem o mesmo.

Emoções fabricadas. Num instante, em um segundo.

Há alguns meses conheci uma menina num shopping. Estávamos juntos há exatamente 3 horas - e só.
Resolvi fazer um teste comigo mesmo. No cinema, na metade do filme, passei minha mão pela sua nuca, apoiei seu rosto sobre meu peito e disse: "Eu amo você".
O beijo que aconteceu após este ato mentiroso e plástico foi um dos melhores que já dei na minha vida. Meu coração bateu mais forte e enganamos nossos sentimentos por alguns segundos.
Decidimos que naquela noite fingiríamos ser noivos.
Declarações de amor foram feitas durante todo aquele tempo, e, mesmo sabendo que tudo aquilo não passava de uma fantasia, cada beijo, cada toque, cada olhar se intensificava e nos provava que sentimentos podem ser fabricados.

Amor, Ódio, Paixão, Raiva, Felicidade, Tristeza, Alegria, Angústia podem ser moldados e CRIADOS a todo instante.
Se o amor pode existir após anos de convivência, por que não fazer com que cada segundo de nossa vida seja uma cópia fiel do que gostaríamos que fosse? Se podemos fazer a massa, o recheio e a cobertura do bolo, porque então não comprar pronto da padoca? No mínimo a gente economiza tempo.

Hoje vou sair com ela novamente.
E o jantar já está escolhido: Macarrão instantâneo com molho de tomate enlatado. Para beber, fanta uva natural.

E a sobremesa, Dip'n'lick.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Signos

[19][9][7][14][15][19]...
[2][25] [18][1][6][1][5][12] [2][1][12][20][18][5][19][3][1]

A = 1
B = 2
C = 3
D = 4
E = 5
F = 6
G = 7
H = 8
I = 9
J = 10
K = 11
L = 12
M = 13
N = 14
O = 15
P = 16
Q = 17
R = 18
S = 19
T = 20
U = 21
V = 22
W = 23
X = 24
Y = 25
Z = 26

[20][15][4][15][19] [15][19] [4][9][1][19], [8][9][16]ó[3][18][9][20][1][19] [14]ó[19], [1][3][21][19][1][13][15][19] [16][5][19][19][15][1][19] [16][15][18] [22][5][19][20][9][18][5][13] [13]á[19][3][1][18][1][19]. [1][3][21][19][1][13][15][19], [1][3][21][19][1][13][15][19] [5] [4][5][16][15][9][19] [20][9][18][1][13][15][19] [1] [14][15][19][19][1]. [5] [5][14][20]ã[15] [3][15][12][15][3][1][13][15][19] [15][21][20][18][1]. [19][15][13][15][19] [13][1][19][3][1][18][1][4][15][19] [16][15][18] [14][1][20][21][18][5][26][1]. [19][1][4][8][11][10] [8][19][1][11][4][10][8] [12][9][24][15] [19][1][4][12][10][19][1][12][11][10] [1][12][19][4][10][19][12][1][4][11][10] [1][16][18][5][14][4][5][13][15][19] [1] [22][9][22][5][18] [3][15][2][5][18][20][15][19]. [3][15][2][5][18][20][15][19] [16][15][18] [13][5][4][15][19], [3][15][2][5][18][20][15][19] [16][15][18] [19][9][7][14][15][19], [3][15][2][5][18][20][15][19] [16][15][18] [16][5][18][19][15][14][1][12][9][4][1][4][5][19] [6][5][9][20][1][19] [5] [1] [20][15][4][15] [13][15][13][5][14][20][15] [13][5][20][1][13][15][18][6][15][19][9][1][4][1][19]. [17][21][1][14][20][15][19] [10][15][7][15][19] [14]ã[15] [6][1][26][5][13][15][19] [5] [1][3][1][2][1][13][15][19] [19][5][14][4][15] [15] [10][15][7][15]? [17][21][1][14][20][1][19] [6][1][18][19][1][19] [1][3][21][19][1][13][15][19] [16][1][18][1] [14][15][20][1][18] [17][21][5] [5][19][20]á[22][1][13][15][19] [14][5][12][1][19]? [19][9][7][14][15][19], [13]á[19][3][1][18][1][19]... [19][15][13][15][19] [21][13] [13][15][14][20][9][14][8][15] [4][5] [21][13] [13][15][14][20][5] [4][5] [3][15][9][19][1] [17][21][5] [20][1][12][22][5][26] [14][21][14][3][1] [19][5][18]á [4][5][19][3][15][2][5][18][20][15] [16][15][18] [5][12][5][19]... [15][21] [20][1][12][22][5][26] [5][12][5][19] [14][15][19] [4][5][19][3][15][2][18][9][18]ã[15], [1][14][20][5][19] [4][5] [14]ó[19] [13][5][19][13][15][19]. [19][9][7][14][15][19], [13]á[19][3][1][18][1][19], [6][9][13].

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Cascão

Acho este quadrinho de extremo mau-humor e penso também que não devemos divulgar obcenidades e infantilidades quanto esta que os senhores terão o desprazer de apreciar logo abaixo.

Coisa linda

Muito prazer, meu nome é Rafael Baltresca, Mágico.

Não sei o que pessoas têm na cabeça. Dizem que é cérebro. E muita imaginação...
É só verem um mágico ou saber que acontecerá uma apresentação que elas começam:

- “Ei mágico, não dá pra você fazer as minhas contas sumirem?
- “Mágico, faz minha mulher e minha sogra desaparecerem, por favor.
- “Ô Mister M, porque você não transforma o João num sapo?
- "Mágicôôô, você esconde a cobra?"

No começo é legal, a gente dá risada, se sente até importante de ser reconhecido como “O Mágico”, mas depois de um tempo não tem pesadelo pior que isso.
Depois de um show, a gente quer se sentar, jantar, conversar sobre futebol, mulher, falar do vídeo da Cicarelli, qualquer coisa. Tudo, menos ficar falando de mágica e mágica e mágica.

Um dia eu dormi e sonhei...

- “Ei mágico, não dá pra você fazer as minhas contas sumirem?”
- “Ôpa!” Puft! Num estalar de dedos, todas as contas dele tinham sumido. Conta de luz, conta de água, contas da faculdade dos filhos, IPVA e IPTU.

- “Mágico, faz minha mulher e minha sogra desaparecerem?”
- “Faço sim.” Pleft. Num passe de mágicas, não existia nem sogra e nem mulher.

- “Ô Mister M, porque você não transforma o João num sapo?”
- “É pra já!”. Cabammm! Em um segundo o sapinho já estava na ativa.
Depois de todas as contas terem sumido, e, obviamente não podendo as pagar, ele foi multado 19 vezes, sua casa foi tomada e seu carro levado pelo governo. Como seus filhos não podiam mais estudar e nem morar, entraram para o mundo do crime e se tornaram viciados em maconha, cocaína e lítio.

A mulher e a sogra desapareceram.
Ele entrou em depressão pois não tinha mais ninguém em sua casa. Alguns meses depois foi preso por provável assassinato e por ter escondido os corpos. Seus filhos o odiavam e, sua vida, nunca mais foi a mesma.

O amigo de João ficou sem o amigo.
Após ter sido transformado num sapo, João foi beijado por sua namorada, porém, não se transformou num príncipe. Sua amada pegou leptospirose e morreu.


- "Mágicôôô, você esconde a cobra?"
- "Claro que escondo!" 3 minutos depois, a cobra já estava sendo escondida... na filha do espectador.
22 aninhos, olhos verdes. Parecia a Cicarelli.

Coisa linda!

A espera


Esperei um minuto,

Esperei uma hora,
Esperei um dia,
Esperei uma semana,
Esperei um mês,
Esperei um ano...



Pra ficar com VOCÊ!


Resultado: 6.843.312.000 segundos perdidos.
Putaquepariu, que merda!

terça-feira, 19 de setembro de 2006

IoIoIoIoIo

Coração
Para que se apaixonou por alguém que nunca te amou
Alguém que nunca vai te amar

Vou fazer promessas
Para nunca mais amar
Alguém que só quis me ver sofrer
Alguém que só quis me ver chorar

Preciso sair dessa, dessa de me apaixonar
Por quem só quer me fazer sofrer
Por quem só quer me fazer chorar

É tão ruim quando alguém machuca a gente
O coração fica doente
Sem jeito até pra conversar

Dói demais, só quem ama sabe e sente
O que se passa em nossa mente
Na hora de deixar rolar

Nunca mais, eu vou provar do teu carinho
Nunca mais, eu vou poder te abraçar
Ou será, que vivo bem melhor sozinho?
E se for, mais fácil assim pra perdoar

O amor, às vezes, só confunde a gente
Não sei, com você pode ser bem diferente diferente
O amor, às vezes só confunde a gente
Não sei, com você pode ser bem diferente

Coração
Para que se apaixonou por alguém que nunca te amou
Alguém que nunca vai te amar

Coração
Para que se apaixonou por alguém que nunca te amou
Alguém que nunca vai te amar

Nunca mais, eu vou provar do teu carinho
Nunca mais, eu vou poder te abraçar
Ou será, que eu vou viver melhor sozinho?
E se for, mais assim fácil pra perdoar

O amor, às vezes, só confunde a gente
Não sei, com você pode ser diferente
O amor, às vezes só confunde a gente
Não sei, com você pode ser diferente

Coração
Para que se apaixonou por alguém que nunca te amou
Alguém que nunca vai te amar

Coração
Canta coração
Coração
Para de se apaixonar
Coração
Canta coração
Coração...

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

A dança

(Rafael Baltresca. Inspirado em ‘evaus emúic’)

vai, vai, vai, vai,,,,,
.....mev ,mev ,mev ,mev

vai e mev___
___mev e vai
vai e mev___

[segura]
]solta[
]s o l t a[
]s o l t a[
]s o l t a[
]s o l t a[
]s o l t a[
]s o l t a[
]s e g u r a[
[s e g u r a]
[s e g u r a]
[s e g u r a]
[s e g u r a]
[segura]
.solta.
..s o l t a..
...s o l t a...
....s o l t a....
.....s o l t a.....
......s o l t a.....
.......s o l t a......

u s
m á
. r
p t
r .
a a
. r
f p
r .
e m
n u
t .
e .
.

de um LADO
ORTUO od

FICABEM
jFuInCtAiBnEhMo
j F u I n C t A i B n E h M o
jFuInCtAiBnEhMo
JUNTINHO

A
b r
a ç
a
r e
l a
x a

EL..........
As..........
enta.......

Eu, sinto. /
Dança comigo?

Bebida ruim

(No vôo 1860 da GOL. De Recife para o Rio de Janeiro)

Falamos que o futebol é - e sempre foi - a mania, a paixão nacional! Mas é obvio que é mentira.
Os estádios são repetidamente lotados para serem assistidos sempre os mesmos jogos; desde criancinha o menino já tem sua chuteira, camisa e bola na mão, são as copas do mundo os eventos responsáveis por mudar nosso horário de trabalho e o das novelas da Globo, mas o café....

Ah o café! Este sim é paixão nacional.
Sempre depois do jogo tem um almoço. Durante o próprio tem cerveja e azeitonas, mas depois dos petiscos adivinha quem chega? O café!
Pessoas invadem o estádio para torcer, outros vão apenas para brigar, mas depois do time ter ganhado ou da gangue ter batido, quem vem para acompanhar? O próprio!
E mais, se o seu time - ou você - apanhou, toma um cafezinho com leite pra relaxar.

O café é assustadoramente a bebida mais consumida no mundo todo e tenho notado que a cada dia, mais são os adeptos a esta bebida ruim.

Bom, como o leitor pode perceber no título, resolvi escrever apenas para tentar entender como algo tão ruim, forte, amargo e que ainda deixa os dentes amarelos e o bafo azedo, consegue ser a paixão nacional, ou até mundial.
Eu não sou exceção. Não fico sem meu cafezinho após o almoço, não recuso após o jantar e fico em estado de nervos se não tomo uma xícara na minha hora do rush. O dilema é que analisando, veremos que ele realmente não tem um gosto agradável, normalmente o primeiro gole é amargo e quando é bem feito, sempre queima a ponta da língua.

Mas sabe uma coisa que percebi?
Quando estamos sós, sofremos desesperadamente procurando nossa cara-metade;
Quando encontramos nossa cara-metade, sofremos e sofremos até conquistar nosso amor;
Quando conquistamos, tentamos manter nossa vida amorosa saudável e sofremos nas brigas e ciúmes diários;
Quando terminamos, sofremos e nos sentimos dolorosamente solitários;

Mas quando tomamos o último gole......tem sempre um caldinho de açúcar no final.
Sempre tem.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Missa

.missa ...arof arp ortned eD !muuB .ohlurab zaf ,êcov moc exem es ,ortned ed mev eS .evaus é acnun emúiC O ?emúiC ?evauS ?ebas meuQ ?ieres euq áres uo aid mu aled iuf euq áreS ?áres euq áres uo aid mu ahnim iof áj euq áreS ?aducsrza palavras ed sárta rednocse es me etsisni euq méugla etse áres meuQ ?omrud oãn odnauq setion sahnim sad onos o arit euq aossep atse áres meuQ ?emúic evaus etse áres meuq eD

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Que bom que V. Sa. sabe ler

Cheguei em Cuiabá, ou melhor, no Aeroporto Internacional de Várzea Grande, sacanagicamente chamado de aeroporto de Cuiabá, às 16h00 – local time.

“Senhoras e senhores, bem-vindos à Cuiabá. Estamos muito felizes em tê-los conosco. Nós da Gol Linhas Aéreas Inteligentes sabemos que a escolha da companhia aérea é escolha do cliente e esperamos nos encontrar novamente.” – Disse o comandante mentiroso e a comissária puxa-saco de uma figa.

“Boa tarde senhor. Por gentileza, deixe-me colocar suas bagagens aqui. Prefere ar condicionado ou quer que eu abra a janela? Quer que eu ligue o rádio? Que música gostaria de ouvir?” – Disse o taxista chato de galocha.

“Boa tarde senhor. Pode deixar que eu levo suas bagagens. Deixe-me abrir a porta do quarto. Vocês podem subir neste elevador enquanto eu vou no de serviço. Muito obrigado e desculpe por qualquer inconveniente. Tenha uma ótima estada.” – Disse o mensageiro mentiroso, puxa-saco e almofadinha do hotel.

Juro, quando entrei naquele hotel a impressão que tive foi que o mensageiro apanhava de chinelo do gerente, tão politicamente correto que era. Foi então que chegou o gerente e mudou meu modo de ver:

- “Senhor, com é bom tê-lo conosco. Se precisar de qualquer coisa é só chamar. Ficamos muito felizes em atendê-lo bem e que sua estada seja confortavelmente feliz.”

Aí já mudei de idéia. Não apenas o mensageiro apanhava do gerente como o gerente deve apanhar – e muito – do dono do hotel.
Foi então que chega o dono e com a maior cara de pau diz:

- “Senhor, como fico feliz em saber que alguém de São Paulo vem nos prestigiar. Este é meu telefone celular: (65) 1234-5678. Fique à vontade e me ligue quando precisar. O café da manhã da madrugada é cortesia do hotel e não exite em chamar-nos quando desejar. Se precisar, fale diretamente comigo.”

Agora não! O dono do hotel conseguiu ser mais almofadinha, caxias e chato do que o coitado do mensageiro – que deve apanhar pacas -. Não é possível. Eu não sou nenhum cantor sertanejo famoso e este hotel nem é tão caro assim pra receber tal tratamento.

Porque vivemos nesta falsidade medíocre? Porque a aeromoça não fala simplesmente:

- “Bem-vindos à Várzea Grande. Nós da Gol Linhas Aéreas Inteligentes desejamos uma boa estada.”

Porque? Porque temos que ser tão bajulados com essas chatices exacerbadas hotelizadas?

(Olha só... enquanto escrevia isso o amigo bem-educado do hotel voltou para perguntar se eu queria um café! Blah!)

Quando dizemos que estamos na ‘Era do Cliente’ deveríamos entender simplesmente que devemos desenvolver nossos produtos e serviços a partir de gostos de nossos clientes.
Quando falamos em CRM – Customer Relationship Management – deveríamos traduzir como Gerenciamento de Relações com Clientes e deveríamos simplesmente gerenciar essas relações e não nos tornarmos mães e tias de clientes – e se estiver errado, minha mãe deve ter feito um MBA em gestão de pessoas com a Ana Maria Braga, porque ultimamente não vejo diferença no tratamento dela para o tratamento que recebo nos hotéis do Brasil -. Existe uma linha tênue entre ser cordial e ser chato. E ultimamente estou sendo rodeados por cordiais chatos puxa-sacos!

Não sei se estou reclamando de barriga cheia, não sei se deveria simplesmente agradecer e não sei se a aeromoça está querendo me cantar. Sei lá...

E sabe o que é o pior de tudo isso, que me deixa mais irritado?
É que estou há uns 10 minutos escrevendo este texto aqui no hall do hotel e ainda não veio nenhum sujeito para engraxar minhas havaianas de marca. Ninguém!

Onde vamos parar? Não se fazem mais hotéis como antigamente.

humpf.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Zifio 3777

Sempre sou muito cauteloso quando faço mágica. Quando alguém me pergunta se é mágica de verdade, logo digo que são habilidades que podem ser aprendidas por qualquer um; digo também que a mágica, ou ilusionismo - como chamam, é simplesmente uma união de destreza, técnica, amor à profissão e muita força de vontade.

Há umas semanas estava num show no Rio de Janeiro, pertinho da Barra da Tijuca, fazendo mágicas para uns funcionários de uma empresa carioca, quando vejo um senhor se aproximar de mim. Ele aparentava ter uns quarenta e muitos anos, era moreno, não tinha barba e mantinha um bigodão cheio e grosso abaixo do nariz.

Acha estranho dizer que era abaixo do nariz? Depois te falo onde fica o bigode da Dona Zeumira, a pipoqueira.

Particularmente, sou uma pessoa que nota fácil os sentimentos de alguém apenas com um simples olhar e, nesse momento, eu sabia que aquele senhor não estava muito contente com a idéia de mágico no evento da empresa dele.

Sem nenhum preconceito, mas com algumas dúvidas, me dirigi a ele e perguntei: - Boa tarde. O senhor gostaria de ver uma mágica?

Ele, sem paciência e muito rápido, responde: - Olha moço, eu sou evangélico e não posso ver essas coisas do capeta, não. Não acredito em macumba.

- Pode ficar tranqüilo que minha mágica não tem feitiço nenhum. Tudo é questão de habilidade e treino; até o senhor poderia fazer mágica, falei, tentando ganhar a simpatia de um espectador.

- Não me leve a mal não moço, mas como eu falei, sou evangélico, gente do bem e não posso ver nada disso não, continuou firme o senhor.

- Tudo bem então. Até mais, desisti.

- Olha, que Deus abençoe! Você será curado, Deus te guie, praguejou ele. E se foi.

(Que coisa mais impressionante. Não vou nem pensar em discutir a religião dele, mas, como somos escravos de nossos paradigmas. Como é forte o poder de nosso consciente sobre nossa vida.

Você deve estar pensando: "Que absurdo! Como uma religião pode controlar a vida de uma pessoa desta maneira?", mas tenho certeza que também és escravo de seus pensamentos enraizados, seus malditos os paradigmas. Estou certo que coloca sua mão no fogo por besteiras cerebrais, coisas que vem lá de dentro e vão lá pra fora.)

- Tudo bem então. Até mais, desisti.

- Olha, que Deus lhe abençoe! Você será curado, praguejou ele. E se foi.

E eu? Bom, me eu me despedi das pessoas presentes, matei duas galinhas pretas, juntei com pipoca, canjica, uma garrafa de pinga e fumei um charutinho.

Só pra relaxar.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Valêncio

31 de Agosto de 2006, Porto Alegre. RS.
Flat Piazza Navona. Este Flat é maior que minha casa. Vida ruim.

Chegamos ontem à tarde no sul. Primeira aparição do mágico em ventos sulistas.
Agora são onze e seis da manhã, estou aqui no meu quarto ouvindo rádio a volume médio e minha assistente – Clarissa – a volume alto, dorme. Igual a um boi.

Quem acompanha meus textos sabe que não sou do tipo que escreve diário no blog, mas vou abrir uma exceção pela diversão valenciana de ontem à noite.

Fizemos um show para aproximadamente 40 médicos e alguns representantes no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, o MARGS. Que espetáculo! Quadros me rodeavam enquanto tentava fazer o povo rir. Uma escultura lindíssima em bronze de uma mulher nua na cama, uma senhora pintada e seus detalhes também não paravam de me olhar enquanto Valêncio... bom, eu não tenho a mínima idéia de onde estava Valêncio nesta hora. Apenas conheci Valêncio umas duas horas depois, quando estávamos prestes a sair.

Antes de tudo, deixe-me apresentar Valêncio.
Em seus quarenta e poucos anos de idade, calvo, magro, de pijama, cabelos apenas na lateral e um bigodinho típico de um filme mexicano ruim, Valêncio era chefe de polícia do Rio Grande do Sul e, por ser uma pessoa respeitosa, cautelosa e responsável, Valêncio tomava conta do Museu do Rio Grande nas tão perigosas noites da capital Gaúcha.

Deixamos nosso material de show no Museu, acordamos com Valêncio que em algumas horas estaríamos de volta e fomos jantar.
Se a apresentação tinha sido um espetáculo, o jantar foi um show à parte.
Filé de frango ao molho de maçã...
Sorvete de creme com merengue ao molho de chocolate. Quem agüenta?

Duas horas após conversar com um casal agradabilíssimo, tomar taças e taças de vinho e de ouvir alguns causos gaúchos, a saga se inicia.

1:00 am.

- Tchau pessoal. Até mais. Prazer em conhecê-los, amanhã voltaremos. Não. Não precisamos de carona. Vamos até o museu, pegaremos nossas malas, minha carteira e pedir um táxi até o hotel. Tchau, tchau!

1:05 am.

- Clap, clap, clap. Valêncio.
- Clap, clap, clap, clap. Valêncio.
- Clap, clap, clap, clap, clap. Valêncio.
- Clap, clap, clap, clap, clap, clap. Valêêêêncio.
- Putaquepariu! Ferrou! O Valêncio deve estar dormindo.
- Ô Valêncio!!!! Acorda! Somos o pessoal das malas.
- Valêêêêêêncio, acorda desgraça!
- Valêêêêêêncio cacete, sua mãe ta aqui!
- Valêêêêêêncio poooorra, tem uma guria te esperando!
- Valêêêêêêncio FDP, tem uma geladinha te esperando!

Ficamos aproximadamente 26 minutos gritando o nome daquele fiodumaégua. Todos os nossos pertences, nossas malas, carteiras, tudo dentro de um museu e o segurança Valêncio, dormindo. Dormindo e babando.
Demos – eu, minha assistente, o dono do restaurante, três seguranças, um casal de amigos que conhecemos e um garçom – uma volta no museu, subimos numa janela de uns 3 metros e meio de altura e adivinhem quem estava estirado no chão entre dois sofás? É. O próprio.

Cutucamos a janela de vidro por uns 5 minutos e quase quebramos fizemos um estrago na vidraça do Museu. O nome Valêncio já tinha sido ouvido pela vizinhança toda, digo, quase toda a vizinhança, pois, o próprio não dava a mínima para nossos berros.

Entre nós, conversamos e decidimos (!) que ele estaria morto.
Chamamos a brigada de incêndio, falamos com o diretor do Museu, Sr. Paulo, e tivemos a autorização para derrubar as portas, quebrar as janelas a até tacar fogo no Museu, se necessário.

Lá pelas 3 da manhã, quando os bombeiros estavam chegando, o defunto resolve acordar. Acende as luzes, caminha e tchãããããããã.

- Tem alguém me chamando?
- Ê Valêncio!!! Tu acordou, cabra???

Pelas próprias palavras do pudim de cana:

- Deixaaaaa eu explicar... eu sei que vocês, eu sei que, eu sei que vocêêêê é uma pessoa inte, in, inteligeeeente e vai intendê o quiiii. Eu sei que vai intendêê o que eu vô falar. É que eu não deixo qualquer um entrar aqui aqui a noite aqui no Museu. Éééé noorma de norma de siguuurannnça.

Puta bafo de pinga dos infernos!
Ficamos quase três horas cutucando o safado, chamando, xingando e nada. Aí o miserável acorda e diz que não tinha vindo por que não podia abrir pra estranhos no meio da noite. Piada!

Bom, fazer o que? Pelo menos nos divertimos.

E antes que eu me esqueça, você é um Valêncio!
A vida fica te cutucando pra levantar, fazer alguma coisa e você aí, dormindo, dormindo, babando e se justificando.

Bom, agora vou deitar um pouco, pois, estou começando a ficar com inveja da minha assistente…

E pensar cansa tanto…

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Adivinha em que Aeroporto eu estava....

www.omagico.com/blog/aeroporto.wmv

Nado ou não nado?

O dia em que todo o povo gritou

Seu nome era Álvaro Romeu, mas artisticamente era conhecido como Rumbeau - pronuncia-se 'Rambôu' - o príncipe do vento.
Rumbeau trabalhara há 4 anos como mágico, mas todo o dinheiro, toda a fama e todas as mulheres que tinha conseguido durante sua estrada não eram suficientes.
Rumbeau, queria mais que esses meros detalhes mortais.
Rumbeau queria palmas;
Rumbeau queria milhares e milhares de pessoas gritando seu nome;
Rumbeau queria mais...

Era gostoso ver todas aquelas pessoas gritando seu nome, era bom tendo fãs espalhados pelo picadeiro, era simplesmente fenomenal ser visto como um mestre, como um rei.
Rumbeau passou quase toda sua vida em busca deste poder supremo onde todos exaltariam e exclamariam seu nome.
Rumbeau viveu quase todos os seus dias em busca de uma fórmula secreta onde teria este poder...e um dia a encontrou.

Passeando nas redondezas de veneza, Rumbeau viu um saci vindo à sua direção. O saci chegou bem pertinho de Rumbeau mas não coneguia dizer uma só palavra. O saci se esforçava, se esforçava e tudo que podia-se ouvir era: Papai.

Foi então que apareceu o pai e a mãe do mini saci, de apenas 2 anos de idade.

- "Ele não é a cara do Pai", disse a mamãe.
- "É. Claro.", exclamou Rumbeau, não entendendo muito bem a situação.

Após longas horas de discussão, os sacis concederam a Rumbeau 6 mágicas, desde que Rumbeau as fizesse uma seguida da outra.

Rumbeau preparou o picadeiro.
Rumbeau colou os cartazes.
Rumbeau anunciou o grande evento.
Rumbeau convenceu a multidão.

E tudo, absolutamente tudo estava preparado para o grande dia de glória de Rumbeau.
Um dia que o mágico teria prestígio, fama e muitas, digo, muitas e muitas e mais palmas.

Os expectadores esperavam ansiosos pelo show. Mais de 15.000 pessoas roendo as unhas e pensando no que poderia acontecer naquele dia.

Eis que abrem-se as cortinas e chega Rumbeau.
Todos tentam aclamá-lo com palmas, mas:
- "Ainda não pessoal... Mais um minuto."

Mágica número 1: Rumbeau estala os dedos e o elefante desaparece.
Todos tentam aclamá-lo com palmas, mas:
- "Ainda não pessoal... Mais um minuto."

Mágica número 2: Rumbeau estala os dedos e o leão desaparece.
Todos tentam aclamá-lo com palmas, mas:
- "Ainda não pessoal... Mais um minuto."

Mágica número 3: Rumbeau estala os dedos e o picadeiro desaparece.
Todos tentam aclamá-lo com palmas, mas:
- "Ainda não pessoal... Mais um minuto."

Mágica número 4: Rumbeau estala os dedos e o domador desaparece.
Todos tentam aclamá-lo com palmas, mas:
- "Ainda não pessoal... Mais um minuto."

Mágica número 5: Rumbeau estala os dedos e o pipoqueiro desaparece.
Todos tentam aclamá-lo com palmas, mas:
- "Ainda não pessoal... Mais um minuto."

A platéia queria gritar seu nome... e Rumbeau queria terminar o show com chave de ouro.
Ainda lhe faltava uma desaparição, mas nesta altura do show, só haviam 2 coisas: O público e o próprio Rumbeau.

.
.
.
.
.

Mágica número 6: Rumbeau estala os dedos e o chão desaparece.
Aí todo mundo caiu.

E foi este o dia em que todo o povo gritou.

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Mãe sempre tem razão

Richard, nos seus vividos 37 anos era visto como um homem quase bem-sucedido.
Tinha três carros importados na garagem, uma coleção de 14 fuscas antigos, duas casas em São Paulo e uma no litoral. Administrava duas empresas de eletrodomésticos e estava à procura de uma terceira.
Richard, ou o ‘Diretor’ como era chamado por seus subordinados, repito, era quase um homem bem-sucedido.
Digo quase, pois, pelas palavras do próprio Richard, “um homem só é bem sucedido, quando tem um alguém para completar sua felicidade com um ombro para acalentar sua dor”.
É isso. Ele sabia que faltava um algo a mais em sua vida...

Carmem, 29 anos, não tivera a mesma sorte que Richard.
A pequena mulher sempre foi alegre, de bem com a vida, honesta e sincera, porém, a sorte financeira não havia batido ainda à sua porta.

Num dia qualquer, de um ano qualquer, quando Richard comprava um Halls Azul na banca de Carmem, o cupido resolveu começar a trabalhar para o Diretor...

A paixão foi imediata. Richard, rico e quase bem-sucedido, via seu corpo e sua alma fisgados por Carmem, pobre e bem mal-sucedida. Neste dia, sua vida ganhara um novo sentido, um novo rumo.

Mas mãe sempre tem razão e Dona Isadora – 66 anos – mãe de Richard, não aprovou esta união desde o primeiro contato... Ela via um algo a mais que fugia aos olhos do Diretor, talvez pela cegueira que a paixão trazia... Ou pela falta experiência que os meninos de 37 anos costumam ter.

Dois meses passaram-se, uma história se passou...

O casal não viveu feliz para sempre. Principalmente para o Diretor, que continuou sua estrada sozinho.
Depois do jantar de 25 de Dezembro, Richard matou Carmem com 17 facadas acidentais e com o carro de Carmem, completou sua coleção de fuscas.

Este seria o 15º. Mas mãe, ahhh mãe.
Essa sempre tem razão.

Um dia depois, Richard viu o pior.
O banco não era original e o fusca da ex-menina não tinha Air Bag duplo.

Nem ABS.