terça-feira, 29 de agosto de 2006

O dia em que todo o povo gritou

Seu nome era Álvaro Romeu, mas artisticamente era conhecido como Rumbeau - pronuncia-se 'Rambôu' - o príncipe do vento.
Rumbeau trabalhara há 4 anos como mágico, mas todo o dinheiro, toda a fama e todas as mulheres que tinha conseguido durante sua estrada não eram suficientes.
Rumbeau, queria mais que esses meros detalhes mortais.
Rumbeau queria palmas;
Rumbeau queria milhares e milhares de pessoas gritando seu nome;
Rumbeau queria mais...

Era gostoso ver todas aquelas pessoas gritando seu nome, era bom tendo fãs espalhados pelo picadeiro, era simplesmente fenomenal ser visto como um mestre, como um rei.
Rumbeau passou quase toda sua vida em busca deste poder supremo onde todos exaltariam e exclamariam seu nome.
Rumbeau viveu quase todos os seus dias em busca de uma fórmula secreta onde teria este poder...e um dia a encontrou.

Passeando nas redondezas de veneza, Rumbeau viu um saci vindo à sua direção. O saci chegou bem pertinho de Rumbeau mas não coneguia dizer uma só palavra. O saci se esforçava, se esforçava e tudo que podia-se ouvir era: Papai.

Foi então que apareceu o pai e a mãe do mini saci, de apenas 2 anos de idade.

- "Ele não é a cara do Pai", disse a mamãe.
- "É. Claro.", exclamou Rumbeau, não entendendo muito bem a situação.

Após longas horas de discussão, os sacis concederam a Rumbeau 6 mágicas, desde que Rumbeau as fizesse uma seguida da outra.

Rumbeau preparou o picadeiro.
Rumbeau colou os cartazes.
Rumbeau anunciou o grande evento.
Rumbeau convenceu a multidão.

E tudo, absolutamente tudo estava preparado para o grande dia de glória de Rumbeau.
Um dia que o mágico teria prestígio, fama e muitas, digo, muitas e muitas e mais palmas.

Os expectadores esperavam ansiosos pelo show. Mais de 15.000 pessoas roendo as unhas e pensando no que poderia acontecer naquele dia.

Eis que abrem-se as cortinas e chega Rumbeau.
Todos tentam aclamá-lo com palmas, mas:
- "Ainda não pessoal... Mais um minuto."

Mágica número 1: Rumbeau estala os dedos e o elefante desaparece.
Todos tentam aclamá-lo com palmas, mas:
- "Ainda não pessoal... Mais um minuto."

Mágica número 2: Rumbeau estala os dedos e o leão desaparece.
Todos tentam aclamá-lo com palmas, mas:
- "Ainda não pessoal... Mais um minuto."

Mágica número 3: Rumbeau estala os dedos e o picadeiro desaparece.
Todos tentam aclamá-lo com palmas, mas:
- "Ainda não pessoal... Mais um minuto."

Mágica número 4: Rumbeau estala os dedos e o domador desaparece.
Todos tentam aclamá-lo com palmas, mas:
- "Ainda não pessoal... Mais um minuto."

Mágica número 5: Rumbeau estala os dedos e o pipoqueiro desaparece.
Todos tentam aclamá-lo com palmas, mas:
- "Ainda não pessoal... Mais um minuto."

A platéia queria gritar seu nome... e Rumbeau queria terminar o show com chave de ouro.
Ainda lhe faltava uma desaparição, mas nesta altura do show, só haviam 2 coisas: O público e o próprio Rumbeau.

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Mágica número 6: Rumbeau estala os dedos e o chão desaparece.
Aí todo mundo caiu.

E foi este o dia em que todo o povo gritou.

Um comentário:

Anônimo disse...

Na verdade, a maioria de nós já tem muitas coisas das quais poderiam se orgulhar então, meu comentário está relacionado aos seguintes provérbios:
“Quem tudo quer, nada tem” porque, “Do prato à boca é que se perde a sopa”.
Ele, com certeza é partidário do: “No fim é que se cantam as glórias”.
Pobre coitado, não sabia que “Ferro se malha enquanto está quente” ou “Enquanto há vento, molha-se a vela”. Fazer o que não é mesmo! Realmente “Não é o mel para a boca do asno”.