31 de Agosto de 2006, Porto Alegre. RS.
Flat Piazza Navona. Este Flat é maior que minha casa. Vida ruim.
Chegamos ontem à tarde no sul. Primeira aparição do mágico em ventos sulistas.
Agora são onze e seis da manhã, estou aqui no meu quarto ouvindo rádio a volume médio e minha assistente – Clarissa – a volume alto, dorme. Igual a um boi.
Quem acompanha meus textos sabe que não sou do tipo que escreve diário no blog, mas vou abrir uma exceção pela diversão valenciana de ontem à noite.
Fizemos um show para aproximadamente 40 médicos e alguns representantes no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, o MARGS. Que espetáculo! Quadros me rodeavam enquanto tentava fazer o povo rir. Uma escultura lindíssima em bronze de uma mulher nua na cama, uma senhora pintada e seus detalhes também não paravam de me olhar enquanto Valêncio... bom, eu não tenho a mínima idéia de onde estava Valêncio nesta hora. Apenas conheci Valêncio umas duas horas depois, quando estávamos prestes a sair.
Antes de tudo, deixe-me apresentar Valêncio.
Em seus quarenta e poucos anos de idade, calvo, magro, de pijama, cabelos apenas na lateral e um bigodinho típico de um filme mexicano ruim, Valêncio era chefe de polícia do Rio Grande do Sul e, por ser uma pessoa respeitosa, cautelosa e responsável, Valêncio tomava conta do Museu do Rio Grande nas tão perigosas noites da capital Gaúcha.
Deixamos nosso material de show no Museu, acordamos com Valêncio que em algumas horas estaríamos de volta e fomos jantar.
Se a apresentação tinha sido um espetáculo, o jantar foi um show à parte.
Filé de frango ao molho de maçã...
Sorvete de creme com merengue ao molho de chocolate. Quem agüenta?
Duas horas após conversar com um casal agradabilíssimo, tomar taças e taças de vinho e de ouvir alguns causos gaúchos, a saga se inicia.
1:00 am.
- Tchau pessoal. Até mais. Prazer em conhecê-los, amanhã voltaremos. Não. Não precisamos de carona. Vamos até o museu, pegaremos nossas malas, minha carteira e pedir um táxi até o hotel. Tchau, tchau!
1:05 am.
- Clap, clap, clap. Valêncio.
- Clap, clap, clap, clap. Valêncio.
- Clap, clap, clap, clap, clap. Valêncio.
- Clap, clap, clap, clap, clap, clap. Valêêêêncio.
- Putaquepariu! Ferrou! O Valêncio deve estar dormindo.
- Ô Valêncio!!!! Acorda! Somos o pessoal das malas.
- Valêêêêêêncio, acorda desgraça!
- Valêêêêêêncio cacete, sua mãe ta aqui!
- Valêêêêêêncio poooorra, tem uma guria te esperando!
- Valêêêêêêncio FDP, tem uma geladinha te esperando!
Ficamos aproximadamente 26 minutos gritando o nome daquele fiodumaégua. Todos os nossos pertences, nossas malas, carteiras, tudo dentro de um museu e o segurança Valêncio, dormindo. Dormindo e babando.
Demos – eu, minha assistente, o dono do restaurante, três seguranças, um casal de amigos que conhecemos e um garçom – uma volta no museu, subimos numa janela de uns 3 metros e meio de altura e adivinhem quem estava estirado no chão entre dois sofás? É. O próprio.
Cutucamos a janela de vidro por uns 5 minutos e quase quebramos fizemos um estrago na vidraça do Museu. O nome Valêncio já tinha sido ouvido pela vizinhança toda, digo, quase toda a vizinhança, pois, o próprio não dava a mínima para nossos berros.
Entre nós, conversamos e decidimos (!) que ele estaria morto.
Chamamos a brigada de incêndio, falamos com o diretor do Museu, Sr. Paulo, e tivemos a autorização para derrubar as portas, quebrar as janelas a até tacar fogo no Museu, se necessário.
Lá pelas 3 da manhã, quando os bombeiros estavam chegando, o defunto resolve acordar. Acende as luzes, caminha e tchãããããããã.
- Tem alguém me chamando?
- Ê Valêncio!!! Tu acordou, cabra???
Pelas próprias palavras do pudim de cana:
- Deixaaaaa eu explicar... eu sei que vocês, eu sei que, eu sei que vocêêêê é uma pessoa inte, in, inteligeeeente e vai intendê o quiiii. Eu sei que vai intendêê o que eu vô falar. É que eu não deixo qualquer um entrar aqui aqui a noite aqui no Museu. Éééé noorma de norma de siguuurannnça.
Puta bafo de pinga dos infernos!
Ficamos quase três horas cutucando o safado, chamando, xingando e nada. Aí o miserável acorda e diz que não tinha vindo por que não podia abrir pra estranhos no meio da noite. Piada!
Bom, fazer o que? Pelo menos nos divertimos.
E antes que eu me esqueça, você é um Valêncio!
A vida fica te cutucando pra levantar, fazer alguma coisa e você aí, dormindo, dormindo, babando e se justificando.
Bom, agora vou deitar um pouco, pois, estou começando a ficar com inveja da minha assistente…
E pensar cansa tanto…
Flat Piazza Navona. Este Flat é maior que minha casa. Vida ruim.
Chegamos ontem à tarde no sul. Primeira aparição do mágico em ventos sulistas.
Agora são onze e seis da manhã, estou aqui no meu quarto ouvindo rádio a volume médio e minha assistente – Clarissa – a volume alto, dorme. Igual a um boi.
Quem acompanha meus textos sabe que não sou do tipo que escreve diário no blog, mas vou abrir uma exceção pela diversão valenciana de ontem à noite.
Fizemos um show para aproximadamente 40 médicos e alguns representantes no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, o MARGS. Que espetáculo! Quadros me rodeavam enquanto tentava fazer o povo rir. Uma escultura lindíssima em bronze de uma mulher nua na cama, uma senhora pintada e seus detalhes também não paravam de me olhar enquanto Valêncio... bom, eu não tenho a mínima idéia de onde estava Valêncio nesta hora. Apenas conheci Valêncio umas duas horas depois, quando estávamos prestes a sair.
Antes de tudo, deixe-me apresentar Valêncio.
Em seus quarenta e poucos anos de idade, calvo, magro, de pijama, cabelos apenas na lateral e um bigodinho típico de um filme mexicano ruim, Valêncio era chefe de polícia do Rio Grande do Sul e, por ser uma pessoa respeitosa, cautelosa e responsável, Valêncio tomava conta do Museu do Rio Grande nas tão perigosas noites da capital Gaúcha.
Deixamos nosso material de show no Museu, acordamos com Valêncio que em algumas horas estaríamos de volta e fomos jantar.
Se a apresentação tinha sido um espetáculo, o jantar foi um show à parte.
Filé de frango ao molho de maçã...
Sorvete de creme com merengue ao molho de chocolate. Quem agüenta?
Duas horas após conversar com um casal agradabilíssimo, tomar taças e taças de vinho e de ouvir alguns causos gaúchos, a saga se inicia.
1:00 am.
- Tchau pessoal. Até mais. Prazer em conhecê-los, amanhã voltaremos. Não. Não precisamos de carona. Vamos até o museu, pegaremos nossas malas, minha carteira e pedir um táxi até o hotel. Tchau, tchau!
1:05 am.
- Clap, clap, clap. Valêncio.
- Clap, clap, clap, clap. Valêncio.
- Clap, clap, clap, clap, clap. Valêncio.
- Clap, clap, clap, clap, clap, clap. Valêêêêncio.
- Putaquepariu! Ferrou! O Valêncio deve estar dormindo.
- Ô Valêncio!!!! Acorda! Somos o pessoal das malas.
- Valêêêêêêncio, acorda desgraça!
- Valêêêêêêncio cacete, sua mãe ta aqui!
- Valêêêêêêncio poooorra, tem uma guria te esperando!
- Valêêêêêêncio FDP, tem uma geladinha te esperando!
Ficamos aproximadamente 26 minutos gritando o nome daquele fiodumaégua. Todos os nossos pertences, nossas malas, carteiras, tudo dentro de um museu e o segurança Valêncio, dormindo. Dormindo e babando.
Demos – eu, minha assistente, o dono do restaurante, três seguranças, um casal de amigos que conhecemos e um garçom – uma volta no museu, subimos numa janela de uns 3 metros e meio de altura e adivinhem quem estava estirado no chão entre dois sofás? É. O próprio.
Cutucamos a janela de vidro por uns 5 minutos e quase quebramos fizemos um estrago na vidraça do Museu. O nome Valêncio já tinha sido ouvido pela vizinhança toda, digo, quase toda a vizinhança, pois, o próprio não dava a mínima para nossos berros.
Entre nós, conversamos e decidimos (!) que ele estaria morto.
Chamamos a brigada de incêndio, falamos com o diretor do Museu, Sr. Paulo, e tivemos a autorização para derrubar as portas, quebrar as janelas a até tacar fogo no Museu, se necessário.
Lá pelas 3 da manhã, quando os bombeiros estavam chegando, o defunto resolve acordar. Acende as luzes, caminha e tchãããããããã.
- Tem alguém me chamando?
- Ê Valêncio!!! Tu acordou, cabra???
Pelas próprias palavras do pudim de cana:
- Deixaaaaa eu explicar... eu sei que vocês, eu sei que, eu sei que vocêêêê é uma pessoa inte, in, inteligeeeente e vai intendê o quiiii. Eu sei que vai intendêê o que eu vô falar. É que eu não deixo qualquer um entrar aqui aqui a noite aqui no Museu. Éééé noorma de norma de siguuurannnça.
Puta bafo de pinga dos infernos!
Ficamos quase três horas cutucando o safado, chamando, xingando e nada. Aí o miserável acorda e diz que não tinha vindo por que não podia abrir pra estranhos no meio da noite. Piada!
Bom, fazer o que? Pelo menos nos divertimos.
E antes que eu me esqueça, você é um Valêncio!
A vida fica te cutucando pra levantar, fazer alguma coisa e você aí, dormindo, dormindo, babando e se justificando.
Bom, agora vou deitar um pouco, pois, estou começando a ficar com inveja da minha assistente…
E pensar cansa tanto…
