Quando a chuva cai,
Não distingue se é, se foi ou se vai.
Molha quem tá embaixo,
E suja, acho.
Quando o sol vem,
Queima o que está queimado também.
Queima quem tá embaixo,
Queima, acho.
Quando o vento sopra com força,
Arrepia o seio direito da moça.
E seca quem tá embaixo.
Seca, acho.
E quando a moça passa,
Arrepia, queima, que é uma desgraça.
E dói.
terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
domingo, 25 de fevereiro de 2007
Perfeição
Dois amigos, depois de dez anos, se reencontram:
- E aí Alfredo, tudo bem?
- Tudo legal, Carlos. E você?
- Ahh, estou bem. Alfredo, me diga uma coisa, depois de tanto procurar, você conseguiu encontrar a mulher perfeita?
- Não te falei? Consegui sim.
- Que ótimo! E aí, vocês estão juntos?
- Não. Ela ainda está à procura do homem perfeito.
- E aí Alfredo, tudo bem?
- Tudo legal, Carlos. E você?
- Ahh, estou bem. Alfredo, me diga uma coisa, depois de tanto procurar, você conseguiu encontrar a mulher perfeita?
- Não te falei? Consegui sim.
- Que ótimo! E aí, vocês estão juntos?
- Não. Ela ainda está à procura do homem perfeito.
Perfeição
O que é perfeito? Quem tem esta fórmula? Quem é nosso parceiro ideal? Quem deve ser escolhido para amor eterno?
Procuramos, constantemente, uma pessoa ideal. Aquela que nos faça feliz quando estamos tristes, que nos ligue quando estamos deprimidos e que nem chegue perto do telefone quando não queremos falar.
Queremos alguém que nos pegue em casa quando estamos cansados e que nem ouse a abrir a porta quando estamos saboreando nossa independência. Queremos alguém que ligue para dizer obrigado e que não esteja em casa quando tudo que precisamos, é de uma bela cama. Queremos alguém que leia nossa mente e que faça o que precisamos na hora em que queremos.
Será que existe esta pessoa? Será que existe tal perfeição?
O perfeito está longe disso, e muito mais perto que você pensa.
Perfeito é uma pessoa nos incomodar às 3 da manhã com uma mensagem de celular que nos acorde e, em segundos, faça-nos odiar aquele celular, ao mesmo tempo que apertamos o travesseiro pensando na pessoa amada. Perfeito é alguém nos pegar em casa e ficar contando, durante trinta minutos, como foi o seu dia, mesmo que não estejamos nem um pouco afim de saber. Perfeito é escutar. Perfeito é assistir televisão juntinhos, enquanto você está doida para fazer uma sobremesa de morango e ele está doido pra continuar dormindo e comendo pipoca. Perfeito é um entender o outro e, aos poucos, admirar suas enormes imperfeições.
Perfeito é correr embaixo de chuva e chegar atrasados no cinema. Perfeito é ficar, juntos, planejando o futuro, mesmo que seja irreal, utópico e fora do alcance dos dois. Mas mesmo assim, planejar. Perfeito é realizar tudo isso, depois.
A perfeição não está no 'o quê' e sim no "como". O perfeito não nasce, é feito.
Perfeito é atropelar as razões de nossa mente com os instintos do coração.
E o perfeito, esse sim é eterno, real e imortal.
sábado, 24 de fevereiro de 2007
O casamento ideal
Começo de namoro é uma beleza. Docinho pra cá, chuchuzinho pra lá, um beijinho aqui, dois abraços acolá. Ahh, quanto amor, quanta paixão! Tudo é novidade, tudo é uma delícia, tudo é motivo para comemorar. Se a menina não gosta de chocolate, o menino vai correndo atrás de sorvete de morango. Se ele não gosta de salada, ela faz um esforço descomunal, sai de sua dieta e, saboreia uma deliciosa pizza quatro queijos com o amado. Nada light.
Tem coisa melhor que começo de namoro? Tudo está bem, tudo está sempre legal. Quem nunca viveu um romance assim? O problema acontece depois de um tempo, quando nem tudo é motivo de tantas risadinhas. Um começa a olhar torto para o outro, não se ver todos os dias não é mais motivo de tristeza e estar juntos acaba se tornando uma obrigação. É aí que eles começam a perceber que tudo está muito igual e, talvez, nunca mude. Seus pensamentos começam a fluir e a separação começa a rodear suas vidas, nada mais apaixonadas.
Pensa que isso só acontece com nossa vida pessoal? Tem uma tal pessoa, a jurídica, que reage da mesma forma. Independente de como e qual é o emprego, sempre sentimo-nos motivados e realizados no início de um novo trabalho. É o cheirinho de novo, o frescor, que nos deixa assim, empolgados e entusiasmados.
Como no início de namoro, o início do emprego é sempre uma delícia para as duas partes. O colaborador se sente valorizado por ser contratado e a empresa se sente bem tendo uma ‘alma nova’ na equipe.
Depois de um tempo, então, tudo volta ao normal e a crise de meio de namoro começa a aparecer. É chefe olhando com a cara feia para o colaborador, é o colaborador fazendo as mesmas coisas de sempre e, como no namoro, o emprego começa a ficar sem gosto e sem muita perspectiva de prosperar.
Assim como no caso dos pombinhos, a solução deve ser pensada antes da crise. O colaborador sempre deve ser estimulado, novos desafios devem surgir, sua individualidade deve ser, em absoluto, respeitada e o frescor deve estar no ar, mesmo com trinta anos de casa. Difícil? Sim. Impossível? Não.
Muita gente me diz que não suporta rotina. E quem suporta? Até mesmo um colaborador que trabalha das nove às seis, rotineiramente, pode, paradoxicalmente, fugir da mesmice em seu dia-a-dia. E cabe ao bom líder mostrar os caminhos e prover diferentes desafios que o faça sentir-se numa empresa que valorize sua garra e que mereça sua motivação.
E brindemos os namoros apaixonados, repletos de novidades, surpresas e carinhos diferentes todos os dias. E que possam ir além, chegando, quem sabe, no casamento ideal.
Tem coisa melhor que começo de namoro? Tudo está bem, tudo está sempre legal. Quem nunca viveu um romance assim? O problema acontece depois de um tempo, quando nem tudo é motivo de tantas risadinhas. Um começa a olhar torto para o outro, não se ver todos os dias não é mais motivo de tristeza e estar juntos acaba se tornando uma obrigação. É aí que eles começam a perceber que tudo está muito igual e, talvez, nunca mude. Seus pensamentos começam a fluir e a separação começa a rodear suas vidas, nada mais apaixonadas.
Pensa que isso só acontece com nossa vida pessoal? Tem uma tal pessoa, a jurídica, que reage da mesma forma. Independente de como e qual é o emprego, sempre sentimo-nos motivados e realizados no início de um novo trabalho. É o cheirinho de novo, o frescor, que nos deixa assim, empolgados e entusiasmados.
Como no início de namoro, o início do emprego é sempre uma delícia para as duas partes. O colaborador se sente valorizado por ser contratado e a empresa se sente bem tendo uma ‘alma nova’ na equipe.
Depois de um tempo, então, tudo volta ao normal e a crise de meio de namoro começa a aparecer. É chefe olhando com a cara feia para o colaborador, é o colaborador fazendo as mesmas coisas de sempre e, como no namoro, o emprego começa a ficar sem gosto e sem muita perspectiva de prosperar.
Assim como no caso dos pombinhos, a solução deve ser pensada antes da crise. O colaborador sempre deve ser estimulado, novos desafios devem surgir, sua individualidade deve ser, em absoluto, respeitada e o frescor deve estar no ar, mesmo com trinta anos de casa. Difícil? Sim. Impossível? Não.
Muita gente me diz que não suporta rotina. E quem suporta? Até mesmo um colaborador que trabalha das nove às seis, rotineiramente, pode, paradoxicalmente, fugir da mesmice em seu dia-a-dia. E cabe ao bom líder mostrar os caminhos e prover diferentes desafios que o faça sentir-se numa empresa que valorize sua garra e que mereça sua motivação.
E brindemos os namoros apaixonados, repletos de novidades, surpresas e carinhos diferentes todos os dias. E que possam ir além, chegando, quem sabe, no casamento ideal.
domingo, 18 de fevereiro de 2007
Farinha pouca? Meu pirão primeiro.
- Gilmar, a nininha tá chorando. Deve estar molhada. Troca ela?
- O que ela fez? O número um ou o número dois?
- Sei lá. Olha ela que eu tô ocupada.
- Argh. Deixa eu ver. Foi o número dois, Telma. Troca você.
- Ai meu Deus. Vem cá minha piquininha. Olha... tá toda sujinha. Fez cocô, nenê, fez? Que bonitinha! Vamos tomar um banhinho, vamos? Isso. Assim você fica bem cheirosinha e gotosa. Que sorrisinho mais lindo.
- Telma, tem cerveja na geladeira?
A população mundial, pelo menos os que têm um mínimo de informação, anda com muito medo do tal do 'aquecimento global'. Tem gente que não vai durar nem mais 10 anos e anda morrendo de medo que o mundo acabe daqui a 100. Pensando nos netos? Filhos? Bah. Hipocrisia. Penso que a humanidade vai acabar muito antes disso. Acho que o tal de aquecimento global, quando chegar ao seu extremo, nem vai ter o que aquecer. Talvez frite um planeta com algumas árvores e uns bichos passeando por ele. Talvez nem isso.
O mal da humanidade é, sem dúvida, a própria humanidade. 'O bom do Brasil é o brasileiro', os quintos dos infernos. O mal do mundo é o povo do mundo, o mal do Brasil é o brasileiro, assim como o mal de São Paulo são os paulistas e assim por diante. O mal das pessoas é pensar somente nelas e em mais ninguém. Farinha pouca? Meu pirão primeiro.
Dia dezoito de fevereiro de dois mil e sete. Hoje. Há algumas horas atrás. Pleno meio de carnaval.
Carnaval é um porre. Um monte de gente se aglomerando para tentar conquistar alguns glúteos, um monte de gente suada, pelada, pulando sob o efeito de energético, vodka, whisky e caipirinhas. Nada contra vodka, nem whisky e muito menos caipirinhas, mas, entre ficar socado com um monte de gente pulando ou ficar numa boa com meus amigos num bar, a segunda opção sempre é 'a opção'!
Resolvo fazer um programa diferente nesse final de semana. Acordo às 5h40, madrugada, e vou correr. Antes, faço um shake de maltodextrina, duas bananas, iogurte, leite de soja e pó de guaraná. Pronto. Alimentado e pronto para o exercício.
Alongo de um lado, alongo de outro, tomo fôlego e começo. Sinto que não haveria coisa melhor a se fazer nesse carnaval. Me sinto disposto e com saúde. Começo a me vangloriar por não ter ido para a farra. Pura babaquice minha. Se soubesse como seria melhor estar num recinto apertado, suado, sujo e com um banheiro, não pensaria assim.
Depois de ter corrido uns dez ou quinze minutos, sinto uma leve pontada no estômago. Ou será que foi na barriga? Corro mais um pouco, outra pontada. Dor de barriga, fato. Viro e começo a correr no sentido oposto, dirigindo-me à minha casa; Coisas começam a acontecer dentro de mim. A medida que a disenteria ia chegando, corria mais rápido. Incrível como seu fôlego aumenta e sua disposição dispara quando a diarréia bate na nossa porta.
- Putaquepariu, não tá dando pra aguentar.
Olho para um lado, para o outro. Vai ser aqui mesmo, penso. Um homem sai de casa e decide fumar um cigarrinho, na minha frente. Desisto.
Corro mais um pouco. Já sinto algo escorrer por minha perna. Deve ser suor. Corro mais. Minha casa não chega nunca, mas Deus é bom. A felicidade se instala em mim. A minha frente, um simpático jovem, aparentando uns trinta e cinco anos, sai de uma casa de construção. Eu me alegro:
- Moço, pelo amor de Deus, deixa eu usar o seu banheiro. É urgente.
- Então, não vai dar não. Eu tô de saída.
- Mas é rápido. Vão ser cinco minutos. Prometo.
- Puuuutz. Acabei de fechar. Vai ficar pra próxima.
- Você não tem coração, não? Eu tô me borrando todo e você não quer me emprestar seu banheiro?
- Vai lá no posto. É aqui do lado. Vai lá.
- Tá bom. Obrigado. Vai com Deus.
O mal da humanidade é, sem dúvida, a própria humanidade. 'O bom do Brasil é o brasileiro', os quintos dos infernos. O mal do mundo é o povo do mundo, o mal do Brasil é o brasileiro, assim como o mal de São Paulo são os paulistas e o mal daquela casa de construção era aquele viado filho da puta.
- Desgraçado miserável de uma figa. Espero que você morra e vá para o inferno. Espero que você tenha uma diarréia como esta, por dia, até o fim da sua vida, penso.
O posto de gasolina está fechado. É carnaval! Ao fundo, ao lado dos banheiros - trancados, óbvio -, vejo um cubículo 1x1 azulejado. Por um segundo pensei em correr até lá e fazer uma obra prima. Com certeza iria me aliviar da dor de barriga e do vexame que iria passar se tentasse correr mais um pouco até minha casa, mas, como disse, pensei nisso por apenas um segundo. Minha consciência não me permitiria tal feito. Resolvi correr mais. Agora, estava a apenas dois minutos de casa. Se corresse, então, chegaria em poucos segundos.
Dez passos a frente, sinto uma pasta grossa, úmida, escorrer por minha perna até meu calcanhar. Não se parece nada com suor. Não quis nem olhar o que era. Continuei correndo. Vinte segundos depois, já estava na frente da minha casa tocando a campainha como um desesperado. Minha mãe acorda, se espreguiça, a passos lentos vai até a janela, olha quem é, abre a porta e ainda com muito sono, vai, vagarosamente, ao meu encontro. Nessas alturas, minha cueca pesava uns 2 quilos e meio.
- Mãe, abre o portão que eu tô me cagando todo. Rápido, abre isso aqui.
Eu já tinha me esquecido daquele corno da casa de contrução e nem pensava em matá-lo mais. Fui correndo até meu banheiro deixando um rastro no chão. Quando fecho a porta, não me seguro e deixo minha vontade tomar conta de tudo.
E eu estava lá. Suado, parado, sentado na privada, me aliviando. Ainda de cueca e de bermuda.
Você pensa que a situação estava acabada? Que não podia piorar? Engano seu.
Tentei tirar minha cueca, minha bermuda, mas não consegui. Havia amarrado meu tênis, antes de correr, e um nó havia se instalado. Se eu tirasse minha roupa naquele momento, iria me borrar mais ainda. Procuro, acho uma tesoura e começo a cortar minhas roupas. Fui tirando aos poucos, à medida que ia me sujando mais ainda. Detalhe: Não havia papel higiênico também.
Quando olho, de relance, pelo banheiro, vejo a obra de arte que havia feito. Tudo, absolutamente tudo, sujo. Uma cagança total. Levanto, puto, entro no chuveiro e vou dando um jeito nas coisas. Depois de uns quarenta minutos, já estava cheiroso, o banheiro limpo e minhas roupas, as que continuaram inteiras, prontas para serem utilizadas.
Respirei.
- Paulo, a Julia tá chorando. Deve estar molhada. Troca ela?
- O que ela fez? O número um ou o número dois?
- Sei lá. Olha ela que eu tô ocupada.
- Ok. Deixa eu ver. Foi o número dois, Magali. Deixa comigo. Olha... tá toda sujinha. Fez cocô, nenê, fez? Que bonitinha! Vamos tomar um banhinho, vamos? Isso. Assim você fica bem cheirosinha e gotosa. Que sorrisinho mais lindo.
- Paulo, cadê vocês dois? Ahh, estão aí no chuveiro fazendo bagunça, é?
- Péééé.
A campainha toca.
- Magali, quem era?
- Ah, não esquenta não. Era o moço da casa de construção aqui do lado. Ele estava verde, suando, tremendo e com frio. Disse que estava passando mal e precisava usar nosso banheiro.
- E você, o que disse?
- Ah, nada demais. Mandei ele pra puta que o pariu! Mamãe pode tomar banho com vocês?
- O que ela fez? O número um ou o número dois?
- Sei lá. Olha ela que eu tô ocupada.
- Argh. Deixa eu ver. Foi o número dois, Telma. Troca você.
- Ai meu Deus. Vem cá minha piquininha. Olha... tá toda sujinha. Fez cocô, nenê, fez? Que bonitinha! Vamos tomar um banhinho, vamos? Isso. Assim você fica bem cheirosinha e gotosa. Que sorrisinho mais lindo.
- Telma, tem cerveja na geladeira?
A população mundial, pelo menos os que têm um mínimo de informação, anda com muito medo do tal do 'aquecimento global'. Tem gente que não vai durar nem mais 10 anos e anda morrendo de medo que o mundo acabe daqui a 100. Pensando nos netos? Filhos? Bah. Hipocrisia. Penso que a humanidade vai acabar muito antes disso. Acho que o tal de aquecimento global, quando chegar ao seu extremo, nem vai ter o que aquecer. Talvez frite um planeta com algumas árvores e uns bichos passeando por ele. Talvez nem isso.
O mal da humanidade é, sem dúvida, a própria humanidade. 'O bom do Brasil é o brasileiro', os quintos dos infernos. O mal do mundo é o povo do mundo, o mal do Brasil é o brasileiro, assim como o mal de São Paulo são os paulistas e assim por diante. O mal das pessoas é pensar somente nelas e em mais ninguém. Farinha pouca? Meu pirão primeiro.
Dia dezoito de fevereiro de dois mil e sete. Hoje. Há algumas horas atrás. Pleno meio de carnaval.
Carnaval é um porre. Um monte de gente se aglomerando para tentar conquistar alguns glúteos, um monte de gente suada, pelada, pulando sob o efeito de energético, vodka, whisky e caipirinhas. Nada contra vodka, nem whisky e muito menos caipirinhas, mas, entre ficar socado com um monte de gente pulando ou ficar numa boa com meus amigos num bar, a segunda opção sempre é 'a opção'!
Resolvo fazer um programa diferente nesse final de semana. Acordo às 5h40, madrugada, e vou correr. Antes, faço um shake de maltodextrina, duas bananas, iogurte, leite de soja e pó de guaraná. Pronto. Alimentado e pronto para o exercício.
Alongo de um lado, alongo de outro, tomo fôlego e começo. Sinto que não haveria coisa melhor a se fazer nesse carnaval. Me sinto disposto e com saúde. Começo a me vangloriar por não ter ido para a farra. Pura babaquice minha. Se soubesse como seria melhor estar num recinto apertado, suado, sujo e com um banheiro, não pensaria assim.
Depois de ter corrido uns dez ou quinze minutos, sinto uma leve pontada no estômago. Ou será que foi na barriga? Corro mais um pouco, outra pontada. Dor de barriga, fato. Viro e começo a correr no sentido oposto, dirigindo-me à minha casa; Coisas começam a acontecer dentro de mim. A medida que a disenteria ia chegando, corria mais rápido. Incrível como seu fôlego aumenta e sua disposição dispara quando a diarréia bate na nossa porta.
- Putaquepariu, não tá dando pra aguentar.
Olho para um lado, para o outro. Vai ser aqui mesmo, penso. Um homem sai de casa e decide fumar um cigarrinho, na minha frente. Desisto.
Corro mais um pouco. Já sinto algo escorrer por minha perna. Deve ser suor. Corro mais. Minha casa não chega nunca, mas Deus é bom. A felicidade se instala em mim. A minha frente, um simpático jovem, aparentando uns trinta e cinco anos, sai de uma casa de construção. Eu me alegro:
- Moço, pelo amor de Deus, deixa eu usar o seu banheiro. É urgente.
- Então, não vai dar não. Eu tô de saída.
- Mas é rápido. Vão ser cinco minutos. Prometo.
- Puuuutz. Acabei de fechar. Vai ficar pra próxima.
- Você não tem coração, não? Eu tô me borrando todo e você não quer me emprestar seu banheiro?
- Vai lá no posto. É aqui do lado. Vai lá.
- Tá bom. Obrigado. Vai com Deus.
O mal da humanidade é, sem dúvida, a própria humanidade. 'O bom do Brasil é o brasileiro', os quintos dos infernos. O mal do mundo é o povo do mundo, o mal do Brasil é o brasileiro, assim como o mal de São Paulo são os paulistas e o mal daquela casa de construção era aquele viado filho da puta.
- Desgraçado miserável de uma figa. Espero que você morra e vá para o inferno. Espero que você tenha uma diarréia como esta, por dia, até o fim da sua vida, penso.
O posto de gasolina está fechado. É carnaval! Ao fundo, ao lado dos banheiros - trancados, óbvio -, vejo um cubículo 1x1 azulejado. Por um segundo pensei em correr até lá e fazer uma obra prima. Com certeza iria me aliviar da dor de barriga e do vexame que iria passar se tentasse correr mais um pouco até minha casa, mas, como disse, pensei nisso por apenas um segundo. Minha consciência não me permitiria tal feito. Resolvi correr mais. Agora, estava a apenas dois minutos de casa. Se corresse, então, chegaria em poucos segundos.
Dez passos a frente, sinto uma pasta grossa, úmida, escorrer por minha perna até meu calcanhar. Não se parece nada com suor. Não quis nem olhar o que era. Continuei correndo. Vinte segundos depois, já estava na frente da minha casa tocando a campainha como um desesperado. Minha mãe acorda, se espreguiça, a passos lentos vai até a janela, olha quem é, abre a porta e ainda com muito sono, vai, vagarosamente, ao meu encontro. Nessas alturas, minha cueca pesava uns 2 quilos e meio.
- Mãe, abre o portão que eu tô me cagando todo. Rápido, abre isso aqui.
Eu já tinha me esquecido daquele corno da casa de contrução e nem pensava em matá-lo mais. Fui correndo até meu banheiro deixando um rastro no chão. Quando fecho a porta, não me seguro e deixo minha vontade tomar conta de tudo.
E eu estava lá. Suado, parado, sentado na privada, me aliviando. Ainda de cueca e de bermuda.
Você pensa que a situação estava acabada? Que não podia piorar? Engano seu.
Tentei tirar minha cueca, minha bermuda, mas não consegui. Havia amarrado meu tênis, antes de correr, e um nó havia se instalado. Se eu tirasse minha roupa naquele momento, iria me borrar mais ainda. Procuro, acho uma tesoura e começo a cortar minhas roupas. Fui tirando aos poucos, à medida que ia me sujando mais ainda. Detalhe: Não havia papel higiênico também.
Quando olho, de relance, pelo banheiro, vejo a obra de arte que havia feito. Tudo, absolutamente tudo, sujo. Uma cagança total. Levanto, puto, entro no chuveiro e vou dando um jeito nas coisas. Depois de uns quarenta minutos, já estava cheiroso, o banheiro limpo e minhas roupas, as que continuaram inteiras, prontas para serem utilizadas.
Respirei.
- Paulo, a Julia tá chorando. Deve estar molhada. Troca ela?
- O que ela fez? O número um ou o número dois?
- Sei lá. Olha ela que eu tô ocupada.
- Ok. Deixa eu ver. Foi o número dois, Magali. Deixa comigo. Olha... tá toda sujinha. Fez cocô, nenê, fez? Que bonitinha! Vamos tomar um banhinho, vamos? Isso. Assim você fica bem cheirosinha e gotosa. Que sorrisinho mais lindo.
- Paulo, cadê vocês dois? Ahh, estão aí no chuveiro fazendo bagunça, é?
- Péééé.
A campainha toca.
- Magali, quem era?
- Ah, não esquenta não. Era o moço da casa de construção aqui do lado. Ele estava verde, suando, tremendo e com frio. Disse que estava passando mal e precisava usar nosso banheiro.
- E você, o que disse?
- Ah, nada demais. Mandei ele pra puta que o pariu! Mamãe pode tomar banho com vocês?
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
Salut!
Todo homem, certamente, já teve dois tipos de namorada. A primeira é aquela que namoramos por namorar. Ela é carinhosa, sempre te liga, faz uma comidinha gostosa, você se sente bem ao lado dela, mas é só. Se tiver que ficar uma semana longe, não tem problema. Um mês sem se ver? Dá pra segurar. Sabe aquele romance sem gosto? Aquela coisa sem sal? É isso.
Bom, vamos falar do segundo tipo de namorada. Esta tem algo diferente. Não sei se é o jeito de olhar, se é o sorriso, o perfume. Ah! Quando ela passa, tudo estremece por dentro. O corpo começa a suar, o coração bate mais rápido e não há vontade maior do que ficar com ela o dia todo, passando horas e horas e horas, juntinhos.
Assim como na vida pessoal, muita gente procura um “emprego” do tipo namoro-sem-sal. É aquele emprego que fazemos por fazer, só para nos dar o sustento no fim do mês. Aquele que garante que estejamos paradoxicalmente estáveis e aconchegantes num país nada estável e aconchegante. Até aí, nenhum problema. Todos temos o direito de escolher o que queremos de nossa vida. De um namoro sem sal até um emprego sem gosto. A questão é que este tipo de situação não rima, nem um pouco, com vencer desafios, excelência no trabalho e sucesso profissional.
Se o assunto for superação de limites, quebra de barreiras e excelência naquilo que se faz, precisamos realmente encontrar tarefas que nos deixem como um jovem doido por sua amada, que estremeça nosso corpo, que nos faça suar. Porque assim, como o namoro apaixonado, o trabalho entusiasmado supera até problemas de falta de experiência ou conhecimento mediano. O entusiasmo nos faz vencer desafios e nos colocar acima de qualquer limite.
Brindemos os beijos calientes, os romances ardentes e a busca constante por trabalhos apaixonantes.
E, parafraseando Confúcio, "Escolha um trabalho que ame e não tenha que trabalhar um único dia a mais de sua vida".
Salut!
Bom, vamos falar do segundo tipo de namorada. Esta tem algo diferente. Não sei se é o jeito de olhar, se é o sorriso, o perfume. Ah! Quando ela passa, tudo estremece por dentro. O corpo começa a suar, o coração bate mais rápido e não há vontade maior do que ficar com ela o dia todo, passando horas e horas e horas, juntinhos.
Assim como na vida pessoal, muita gente procura um “emprego” do tipo namoro-sem-sal. É aquele emprego que fazemos por fazer, só para nos dar o sustento no fim do mês. Aquele que garante que estejamos paradoxicalmente estáveis e aconchegantes num país nada estável e aconchegante. Até aí, nenhum problema. Todos temos o direito de escolher o que queremos de nossa vida. De um namoro sem sal até um emprego sem gosto. A questão é que este tipo de situação não rima, nem um pouco, com vencer desafios, excelência no trabalho e sucesso profissional.
Se o assunto for superação de limites, quebra de barreiras e excelência naquilo que se faz, precisamos realmente encontrar tarefas que nos deixem como um jovem doido por sua amada, que estremeça nosso corpo, que nos faça suar. Porque assim, como o namoro apaixonado, o trabalho entusiasmado supera até problemas de falta de experiência ou conhecimento mediano. O entusiasmo nos faz vencer desafios e nos colocar acima de qualquer limite.
Brindemos os beijos calientes, os romances ardentes e a busca constante por trabalhos apaixonantes.
E, parafraseando Confúcio, "Escolha um trabalho que ame e não tenha que trabalhar um único dia a mais de sua vida".
Salut!
domingo, 11 de fevereiro de 2007
Nunca, só.
Se ela soubesse o que estaria prestes a acontecer, não teria se arrependido.
Abriu a porta e esperou que ele tomasse qualquer atitude. Desejava que a beijasse e se dissesse arrependido do que fizera. Tola! O coração dela agora era dela e batia como antes. A vida, como em um sopro, voltou a pertencer só a ela. E era só dela.
Arrependeu-se da mensagem que havia enviado a ele, minutos antes de se dirigir ao banho: ”Te amo”. Não o amava, só queria que ele a olhasse nos olhos e devolvesse tudo aquilo que pertencia a ela.
Com um tiro, recebeu tudo aquilo que a pertencia. Fechou a porta diante do corpo dele estendido no chão, entrou no banheiro e tomou um longo banho de banheira, com a vida dela a seus pés, só dela.
A água escorria por seu corpo e, por mais que caísse quente e molhada, não lavava sua consciência, sua memória, sua alma. Não por tê-lo matado, absolutamente, mas por não tê-lo permitido que a amasse como deveria, como ela desejava e como ele queria. Agora, ele não podia mais falar o que estava preso em sua garganta. Mas mesmo se não estivesse morto, assim, estirado no chão, sua timidez não o deixaria proferir aquelas palavras que a fariam pensar; razão esta pela qual escreveu um bilhete, extenso, com seus pensamentos mais profundos, que, quando lidos, arrancariam as raízes de sua alma.
Enxugou apenas seu corpo, permitindo que seu cabelo demarcasse o caminho de seus últimos passos. Nua, lavada, porém ainda suja, andou pela sala, cozinha, bebeu um copo d'água com gás gelado e, arrependida, decidiu dar-lhe seu último beijo. Se ela soubesse, não teria se arrependido.
Debruçou-se sobre ele e o beijou como nunca tinha o beijado. Suspirou. Todo seu amor aflorava e a fazia suar. Toda a paixão sentida um dia, voltava como um rojão. O sentimento de culpa e arrependimento faziam uma forte dor de cabeça aparecer. Magali o sentia e deixava algumas lágrimas escorrer por seu rosto molhado, enquanto o veneno, tomado por Paulo minutos antes de entrar em sua casa, era degustado pela boca da moça. O mundo entenderia os porquês quando lessem o bilhete escrito à mão, perto de seu coração, mas, o que acharam foi simplesmente cinzas de papel, destruído à queima-roupa, misturado com suor, lagrimas e um pouco de sangue dos dois. Juntos.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
O primeiro retorno
Cinqüenta acionistas aguardavam sua chegada. Não, hoje não teriam mais uma reunião de metas, mas sim, uma palestra do presidente sobre o futuro da companhia e, conseqüentemente, o futuro profissional - e talvez, pessoal - dos empresários que apostavam neste empreendimento.
Paulo tomou uma ducha quente, andou em passos lentos até a varanda e voltou para sua mesa. Preparou os quinze slides, todos recheados de fórmulas, números e gráficos. Projetou as metas anuais, recalculou o market share, growth, year over year, penetração, evolução, variações e todos os índices que o ajudariam a tomar a grande decisão.
Os acionistas mostravam-se inquietos. Dois não paravam sentados. Andavam pela gigantesca sala azul e cinza enquanto bagunçavam seus cabelos com as mãos. Os outros, sentados, tentavam controlar a respiração, e mesmo assim, sem fôlego, fumavam freneticamente. O provável ataque cardíaco era assunto que vinha e voltava à suas mentes a todo instante.
Ele, por sua vez, aparentava-se calmo, mas apenas aparentava. Posso até dizer que sua angustia excedia a soma de todos os outros.
Um mero detalhe o fazia ainda ter dúvida. Um mero detalhe que podia acabar com um império de trinta e cinco anos.
Levantou de sua mesa, fechou seus arquivos, escovou seus dentes e foi. Buzinas viraram concerto em seus ouvidos. Estava praticamente cego aos faróis e mais de dois flashes de velocidade não o fizeram diminuir sua ansiedade. Queria chegar logo. Sim, não, sim, não dançavam em sua mente. Por que o presidente tem que ser eu? Pensou.
Há três minutos da empresa, um barulho seguido por uma vibração avisa que chegou uma mensagem em seu celular. Abre o telefone e lê: "Te Amo"
Reduziu a marcha, deu seta e pegou o primeiro retorno.
Paulo tomou uma ducha quente, andou em passos lentos até a varanda e voltou para sua mesa. Preparou os quinze slides, todos recheados de fórmulas, números e gráficos. Projetou as metas anuais, recalculou o market share, growth, year over year, penetração, evolução, variações e todos os índices que o ajudariam a tomar a grande decisão.
Os acionistas mostravam-se inquietos. Dois não paravam sentados. Andavam pela gigantesca sala azul e cinza enquanto bagunçavam seus cabelos com as mãos. Os outros, sentados, tentavam controlar a respiração, e mesmo assim, sem fôlego, fumavam freneticamente. O provável ataque cardíaco era assunto que vinha e voltava à suas mentes a todo instante.
Ele, por sua vez, aparentava-se calmo, mas apenas aparentava. Posso até dizer que sua angustia excedia a soma de todos os outros.
Um mero detalhe o fazia ainda ter dúvida. Um mero detalhe que podia acabar com um império de trinta e cinco anos.
Levantou de sua mesa, fechou seus arquivos, escovou seus dentes e foi. Buzinas viraram concerto em seus ouvidos. Estava praticamente cego aos faróis e mais de dois flashes de velocidade não o fizeram diminuir sua ansiedade. Queria chegar logo. Sim, não, sim, não dançavam em sua mente. Por que o presidente tem que ser eu? Pensou.
Há três minutos da empresa, um barulho seguido por uma vibração avisa que chegou uma mensagem em seu celular. Abre o telefone e lê: "Te Amo"
Reduziu a marcha, deu seta e pegou o primeiro retorno.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
Injeta
Vício. Pensei em procurar no dicionário o significado desta palavra, mas, obviamente, seria inútil. Não conheço uma pessoa que não entenda o que vício significa. Se você não consegue parar, você está viciado. Simples. Se fuma maconha um dia, apenas está experimentando. Se fuma para sempre, você está viciado. Se come chocolate todos os dias, você deve estar gordo. Se come toda hora, está viciado. Mas se consegue parar, está curado. Definição simples, não é?
Mas ainda não vou me aprofundar no prefácio. Como sempre, vou mudar de assunto do nada. Que está se tornando um vício. Ah!
Estudando alguns livros de neurociência - minto, foi num filme. Nunca estudei neurociência -, descobri uma definição fantástica para a paixão, amor, ou qualquer coisa que remeta à romance, corações disparando, estômagos doendo e essas coisas que você já sabe decor (ou de cor? Não sei. Ainda não decorei.) e provavelmente já viveu.
Segundo os neurocientistas, que devem conhecer muito mais do que eu do que se passa em nossa mente, quando você encontra um alguém, seus neurônios se alimentam com informações desta pessoa. Ás vezes, eles, os neurônios, simplesmente respiram, degustam, sentem essa informação e mais nada. Às vezes, eles degustam e querem mais e mais e mais. Sem parar. Pronto! Eles estão viciados pela energia, astral, magia ou qualquer coisa que você queira acreditar desta pessoa. Seu neurônio está viciado. Alucinado. Doidão.
Sabe aquela expressão "rolou a química"? É exatamente isto que ocorre. Reações químicas acontecem em nosso cérebro quando encontramos a pessoa amada. E essas reações nos fazem bem, nos viciam. Emoções alucinógenas.
Pensando desta forma, podemos tirar, ou tentar tirar algumas conclusões: O vício sempre foi considerado algo ruim para nós. Nossa mãe já dizia: "tudo que é em excesso faz mal". E vício, sendo excesso por definição, faz mal. Por sua vez, estar apaixonado é bom, diga-se que de passagem, ótimo. Mas, se estar apaixonado (que é bom) é um vício (que é ruim), estar apaixonado torna-se ruim. Mas também é bom. Ou seja, é um ruim que é bom. Entende? Não? Explicarei novamente.
Amar é bom, mas se amar é um vício, quem você ama te vicia. Fato. Mas é claro que amar é um vício bom, mas, nenhum vício é bom. É mal. Então, uma pessoa que você ama é uma pessoa má porque te vicia, mas te faz se sentir amada, que é bom, ou seja, sua cara-metade é uma pessoa boa que te dá algo de ruim, que é, na verdade, bom, então esta pessoa má, torna-se boa. É algo mal que faz bem. Mas continua mal. E bom. Entendeu agora? Não? Então você entendeu, claro.
Explico. Se você entendeu, você realmente não entendeu nada. Mas se você não entendeu nada e está ainda mais perdido, você entendeu tudo. Isso é o amor: Algo bom e ruim ao mesmo tempo que, até em sua definição, confunde quem lê, machuca quem sente e alegra quem dá. E respectivamente, vice-versa.
E como diria meu amigo otimista: Eu te amo, você me vicia.
E como diria meu amigo pessimista: Você é um vício, me faz mal.
E como eu diria: Injeta.
Mas ainda não vou me aprofundar no prefácio. Como sempre, vou mudar de assunto do nada. Que está se tornando um vício. Ah!
Estudando alguns livros de neurociência - minto, foi num filme. Nunca estudei neurociência -, descobri uma definição fantástica para a paixão, amor, ou qualquer coisa que remeta à romance, corações disparando, estômagos doendo e essas coisas que você já sabe decor (ou de cor? Não sei. Ainda não decorei.) e provavelmente já viveu.
Segundo os neurocientistas, que devem conhecer muito mais do que eu do que se passa em nossa mente, quando você encontra um alguém, seus neurônios se alimentam com informações desta pessoa. Ás vezes, eles, os neurônios, simplesmente respiram, degustam, sentem essa informação e mais nada. Às vezes, eles degustam e querem mais e mais e mais. Sem parar. Pronto! Eles estão viciados pela energia, astral, magia ou qualquer coisa que você queira acreditar desta pessoa. Seu neurônio está viciado. Alucinado. Doidão.
Sabe aquela expressão "rolou a química"? É exatamente isto que ocorre. Reações químicas acontecem em nosso cérebro quando encontramos a pessoa amada. E essas reações nos fazem bem, nos viciam. Emoções alucinógenas.
Pensando desta forma, podemos tirar, ou tentar tirar algumas conclusões: O vício sempre foi considerado algo ruim para nós. Nossa mãe já dizia: "tudo que é em excesso faz mal". E vício, sendo excesso por definição, faz mal. Por sua vez, estar apaixonado é bom, diga-se que de passagem, ótimo. Mas, se estar apaixonado (que é bom) é um vício (que é ruim), estar apaixonado torna-se ruim. Mas também é bom. Ou seja, é um ruim que é bom. Entende? Não? Explicarei novamente.
Amar é bom, mas se amar é um vício, quem você ama te vicia. Fato. Mas é claro que amar é um vício bom, mas, nenhum vício é bom. É mal. Então, uma pessoa que você ama é uma pessoa má porque te vicia, mas te faz se sentir amada, que é bom, ou seja, sua cara-metade é uma pessoa boa que te dá algo de ruim, que é, na verdade, bom, então esta pessoa má, torna-se boa. É algo mal que faz bem. Mas continua mal. E bom. Entendeu agora? Não? Então você entendeu, claro.
Explico. Se você entendeu, você realmente não entendeu nada. Mas se você não entendeu nada e está ainda mais perdido, você entendeu tudo. Isso é o amor: Algo bom e ruim ao mesmo tempo que, até em sua definição, confunde quem lê, machuca quem sente e alegra quem dá. E respectivamente, vice-versa.
E como diria meu amigo otimista: Eu te amo, você me vicia.
E como diria meu amigo pessimista: Você é um vício, me faz mal.
E como eu diria: Injeta.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
O monge e o escorpião
O monge e seus discípulos iam por uma estrada e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelas águas. O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e tomou o bichinho na mão. Quando o trazia para fora, o bichinho o picou e, devido à dor, o homem deixou-o cair novamente no rio.
Foi então à margem, tomou um ramo de árvore, adiantou-se outra vez a correr pela margem, entrou no rio, colheu o escorpião e o salvou. Voltou o monge e juntou-se aos discípulos na estrada. Eles haviam assistido à cena e o receberam perplexos e penalizados:
- Mestre, deve estar doendo muito! Porque foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda! Picou a mão que o salvara! Não merecia sua compaixão!
O monge ouviu tranqüilamente os comentários e respondeu:
- Ele agiu conforme sua natureza, e eu de acordo com a minha. Ele agiu conforme sua natureza, e eu de acordo com a minha.
Foi então à margem, tomou um ramo de árvore, adiantou-se outra vez a correr pela margem, entrou no rio, colheu o escorpião e o salvou. Voltou o monge e juntou-se aos discípulos na estrada. Eles haviam assistido à cena e o receberam perplexos e penalizados:
- Mestre, deve estar doendo muito! Porque foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda! Picou a mão que o salvara! Não merecia sua compaixão!
O monge ouviu tranqüilamente os comentários e respondeu:
- Ele agiu conforme sua natureza, e eu de acordo com a minha. Ele agiu conforme sua natureza, e eu de acordo com a minha.
Autor desconhecido
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007
Que mágica é essa?
Que mágica é essa que faz o coelho surgir do nada, mas não te faz aparecer aqui, do nada também?
Que mágica é essa que faz uma moeda viajar de uma mão para outra, mas não te faz viajar até minhas mãos?
Que mágica é essa que faz um pombo aparecer com um estalar de dedos e mesmo com o estalar de todos os dedos não consegue te trazer aqui?
Que mágica é essa que some uma, duas, três cartas, o baralho inteiro e não pode fazer sumir essa saudade que aperta o peito?
Que mágica é essa desse mágico que encanta multidões e multidões de pessoas, mas é encantado apenas por uma pessoa?
Será que essa, é a mágica que ilude?
Será que essa ilusão é real?
Ou toda essa realidade é apenas uma ilusão da minha magia?
Que mágica é essa?
domingo, 4 de fevereiro de 2007
2 minutos e meio
São Paulo, uma hora da manhã. É hora de dormir. Meu sono não vem, minha mente vai; vai lá longe, onde as mentes vão quando estamos tentando dormir, apenas para dar um abraço imaginário numa outra mente que também ia. Depois de alguns segundos, volta. Nesse vai-e-vem de idas e voltas, se passam 23 minutos e ainda estou acordado. São quase uma e trinta e cinco da manhã e ainda não consegui dormir. Viro de um lado, viro de outro e quando vou pensar em... puf!. Apago instantaxneamente num sono que seria profundo, profundíssimo, se, após de quatro horas e meia, eu não tivesse que ouvir o despertador falar:
- Trimimimririrmim
Tomo um banho rápido, engulo alguma coisa, carrego meu carro com oito malas, duas delas maiores que eu, pego trânsito, pego minha assistente, pego tudo e chego ao aeroporto. Estaciono o carro, tiro as malas e faço uma pilha gigantesca num carrinho de mão. No guichê para o check-in:
- Senhor, o seu vôo das 10h30 sai de Guarulhos e não de Congonhas. Você tem trinta minutos para chegar no outro aeroporto.
Raiva repentina! Queria colocar a culpa em alguém. Na minha secretária? Na minha assistente? Em quem? Bah! A culpa era minha. Engoli minha burrice, atravessei o aeroporto todo, paguei quase R$ 500,00 e remarquei minha ida à Manaus. Coloco tudo no carro, pago o estacionamento e fico esperando das 10h às 18h em meu escritório.
18h! Triririm!
Saio correndo, dirijo num trânsito obsceno de tão perverso que é, chego então à Guarulhos, agora sem assistente para me ajudar nas malas. Tiro tudo do carro, coloco no carrinho, derrubo três vezes meus pertences no chão, subo, desço, subo, desço e consigo despachar. Minha assistente chega, comemos uma nutritiva, light e saudável Pizza Hutt e embarcamos.
- É só entrar naquele ônibus Senhor. Ele o levará para a aeronave.
Desajeitados, subimos, eu e minha assistente, e aguardamos quase vinte minutos dentro de uma lotação que nos levaria até o avião. Chegamos. Descemos, ficamos numa fila quilométrica para subir no bendito, e dentro da coisa com asas:
- Moça, minhas mãos estão ocupadas. A Sra. poderia fazer a gentileza de pegar o bilhete aqui no meu bolso e dizer qual é meu assento?
- Claro senhor. Deixa eu ver. Hummm. Senhor, o seu vôo é para Manaus e este vai para a Bolívia.
Duzentos passageiros, em coro:
- Bolívia?
Descemos apavorados, corremos atrás do outro ônibus, subimos, brigamos com o motorista, esperamos, esperamos e chegamos ao avião que iria para Manaus - sem escala na Bolívia ou Paraguai.
- Agora sim. Estamos cansados, mas, pelo menos dormiremos no avião.
Dormir? Onde? Se ao menos pudesse sentar-me dignamente já estaria bom. O acento não declina, a aeromoça não vem, minhas pernas são maiores do que o mísero espaço que tinha para elas, as pernas do meu vinho também, ficamos disputando espaço durante duas horas até que eu desisto, tiro meu sapato, e coloco minhas pernas, esticadas, para fora no corredor. Que delícia seria ficar nessa posição nos próximos noventa e dois minutos se a aeromoça não viesse brincando com seu carrinho rápido de comida e não tivesse esmagado meus pés.
- Desculpe senhor, mas o senhor não pode ficar com os pés onde estavam.
Após quarenta e cinco minutos de malabarismos, tentativas de pegar no sono, um bafo com cheiro de azedo do meu vizinho e aeromoças maléficas, consegui dormir. Mas as crianças de trás, espertas, perceberam e começaram a chorar batendo os pés na poltrona da frente. A minha. Levanto-me.
- Moça, eu quero descer.
- Senhor, não é possível, estamos em vôo.
- Jura? Não diga. Eu quero descer mesmo assim. Me dá uma dessas poltronas flutuantes, um pára-quedas ou qualquer coisa, pois, eu preciso descer.
- Um minutinho, senhor. Vou falar com o comandante Barroso.
Quarenta e dois minutos depois:
- Ok, Senhor. O comandante autorizou.
- Senhoras e senhores, preparem-se para a aterrissagem.
Manaus!
Aterrisamos, esperamos todos os trogloditas saírem da aeronave, descemos, fizemos o check-out, pegamos as oito malas, duas delas maiores que eu, e aguardamos na saída do aeroporto uns cinqüenta minutos até perceber que o motorista que viria nos buscar não veio.
Pegamos um táxi, chegamos no hotel, fizemos check-in, nos arrastamos até nossos respectivos quartos, tentei tirar meu segundo sapato e, às quatro da manhã, capotei novamente. Agora sim eu teria muitos e muitos minutos de sono. Para ser exato, cento e vinte minutos. E depois dessas todas duas horas de cochilo:
- Tririmriririrmrmrimrirmirmrrim
- Â? Â? Â?
Tomo um banho rápido, engulo alguma coisa, chamo um taxi, carrego minhas oito malas, duas delas maiores que eu, mas que não sei por quê, estavam maiores e mais pesadas, agora. Chego ao local do evento, monto o circo, as pessoas entram.
- Senhoras e senhores, bom dia!
- Vocês dormiram bem? Que ótimo.
Na segunda fileira tinha um moço de calça jeans e camisa pólo que insistia em fechar e abrir os olhos durante meu show. Isto por quê ele tinha dormido apenas 7 horas nas últimas três noites. Coitado.
Termino o show, desmonto tudo, taxi vai, taxi vem, mala cai, mala fica, assistente reclama, tudo no hotel, puto, cansado, de saco cheio, costas moídas, cérebro cansado e vistas semi-pulsantes.
Felipe, um amigo de infância que reencontro casualmente por lá, me arrasta até um mini zoo, dentro de um super-hiper-hotel próximo ao nosso. O nosso era apenas super.
Já lá dentro, uma arara se vira pra mim e diz OiOiOi, dois macaquinhos fazem tchau e uma tartaruga, gigante, coloca a cabecinha pra fora d'água, fecha os olhos e sorri pra mim, enquanto que o ursinho, bem do outro lado, estava doido de vontade de me dar um abraço de 2 minutos e meio.
- Trimimimririrmim
Tomo um banho rápido, engulo alguma coisa, carrego meu carro com oito malas, duas delas maiores que eu, pego trânsito, pego minha assistente, pego tudo e chego ao aeroporto. Estaciono o carro, tiro as malas e faço uma pilha gigantesca num carrinho de mão. No guichê para o check-in:
- Senhor, o seu vôo das 10h30 sai de Guarulhos e não de Congonhas. Você tem trinta minutos para chegar no outro aeroporto.
Raiva repentina! Queria colocar a culpa em alguém. Na minha secretária? Na minha assistente? Em quem? Bah! A culpa era minha. Engoli minha burrice, atravessei o aeroporto todo, paguei quase R$ 500,00 e remarquei minha ida à Manaus. Coloco tudo no carro, pago o estacionamento e fico esperando das 10h às 18h em meu escritório.
18h! Triririm!
Saio correndo, dirijo num trânsito obsceno de tão perverso que é, chego então à Guarulhos, agora sem assistente para me ajudar nas malas. Tiro tudo do carro, coloco no carrinho, derrubo três vezes meus pertences no chão, subo, desço, subo, desço e consigo despachar. Minha assistente chega, comemos uma nutritiva, light e saudável Pizza Hutt e embarcamos.
- É só entrar naquele ônibus Senhor. Ele o levará para a aeronave.
Desajeitados, subimos, eu e minha assistente, e aguardamos quase vinte minutos dentro de uma lotação que nos levaria até o avião. Chegamos. Descemos, ficamos numa fila quilométrica para subir no bendito, e dentro da coisa com asas:
- Moça, minhas mãos estão ocupadas. A Sra. poderia fazer a gentileza de pegar o bilhete aqui no meu bolso e dizer qual é meu assento?
- Claro senhor. Deixa eu ver. Hummm. Senhor, o seu vôo é para Manaus e este vai para a Bolívia.
Duzentos passageiros, em coro:
- Bolívia?
Descemos apavorados, corremos atrás do outro ônibus, subimos, brigamos com o motorista, esperamos, esperamos e chegamos ao avião que iria para Manaus - sem escala na Bolívia ou Paraguai.
- Agora sim. Estamos cansados, mas, pelo menos dormiremos no avião.
Dormir? Onde? Se ao menos pudesse sentar-me dignamente já estaria bom. O acento não declina, a aeromoça não vem, minhas pernas são maiores do que o mísero espaço que tinha para elas, as pernas do meu vinho também, ficamos disputando espaço durante duas horas até que eu desisto, tiro meu sapato, e coloco minhas pernas, esticadas, para fora no corredor. Que delícia seria ficar nessa posição nos próximos noventa e dois minutos se a aeromoça não viesse brincando com seu carrinho rápido de comida e não tivesse esmagado meus pés.
- Desculpe senhor, mas o senhor não pode ficar com os pés onde estavam.
Após quarenta e cinco minutos de malabarismos, tentativas de pegar no sono, um bafo com cheiro de azedo do meu vizinho e aeromoças maléficas, consegui dormir. Mas as crianças de trás, espertas, perceberam e começaram a chorar batendo os pés na poltrona da frente. A minha. Levanto-me.
- Moça, eu quero descer.
- Senhor, não é possível, estamos em vôo.
- Jura? Não diga. Eu quero descer mesmo assim. Me dá uma dessas poltronas flutuantes, um pára-quedas ou qualquer coisa, pois, eu preciso descer.
- Um minutinho, senhor. Vou falar com o comandante Barroso.
Quarenta e dois minutos depois:
- Ok, Senhor. O comandante autorizou.
- Senhoras e senhores, preparem-se para a aterrissagem.
Manaus!
Aterrisamos, esperamos todos os trogloditas saírem da aeronave, descemos, fizemos o check-out, pegamos as oito malas, duas delas maiores que eu, e aguardamos na saída do aeroporto uns cinqüenta minutos até perceber que o motorista que viria nos buscar não veio.
Pegamos um táxi, chegamos no hotel, fizemos check-in, nos arrastamos até nossos respectivos quartos, tentei tirar meu segundo sapato e, às quatro da manhã, capotei novamente. Agora sim eu teria muitos e muitos minutos de sono. Para ser exato, cento e vinte minutos. E depois dessas todas duas horas de cochilo:
- Tririmriririrmrmrimrirmirmrrim
- Â? Â? Â?
Tomo um banho rápido, engulo alguma coisa, chamo um taxi, carrego minhas oito malas, duas delas maiores que eu, mas que não sei por quê, estavam maiores e mais pesadas, agora. Chego ao local do evento, monto o circo, as pessoas entram.
- Senhoras e senhores, bom dia!
- Vocês dormiram bem? Que ótimo.
Na segunda fileira tinha um moço de calça jeans e camisa pólo que insistia em fechar e abrir os olhos durante meu show. Isto por quê ele tinha dormido apenas 7 horas nas últimas três noites. Coitado.
Termino o show, desmonto tudo, taxi vai, taxi vem, mala cai, mala fica, assistente reclama, tudo no hotel, puto, cansado, de saco cheio, costas moídas, cérebro cansado e vistas semi-pulsantes.
Felipe, um amigo de infância que reencontro casualmente por lá, me arrasta até um mini zoo, dentro de um super-hiper-hotel próximo ao nosso. O nosso era apenas super.
Já lá dentro, uma arara se vira pra mim e diz OiOiOi, dois macaquinhos fazem tchau e uma tartaruga, gigante, coloca a cabecinha pra fora d'água, fecha os olhos e sorri pra mim, enquanto que o ursinho, bem do outro lado, estava doido de vontade de me dar um abraço de 2 minutos e meio.
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007
Sonhando...
Sonhar é a única coisa que possuímos e que ninguém pode tirar de nós. Podemos fechar nossos olhos, pensar que somos capazes de dominar todos os nossos medos e realizar cada desejo oculto dentro de nossa mente.
Havia uma menina chamada Júlia, de aproximadamente 4 anos, aquela que acredita que o mundo é um lugar cheio de magia e super-heróis.
Todas as noites, essa menina escalava sua cama, abria a janela de seu quarto e ficava procurando as estrelas.
Seu pai, uma vez a pegou em pé na janela e preocupado, perguntou:
-Filha, o que está fazendo?
A menina, emocionada:
-Pai, como eu alcanço as estrelas?
O pai olhou bem para seus olhinhos, pegou sua pequena mão, e disse:
- Basta que você vá até às estrelas.
- Mas como? É tão longe e alto.
- Fácil. Feche seus olhos e voe. Se você pode sonhar, você pode realizar.
Júlia fechou seus olhos e sonhou.
Havia uma menina chamada Júlia, de aproximadamente 4 anos, aquela que acredita que o mundo é um lugar cheio de magia e super-heróis.
Todas as noites, essa menina escalava sua cama, abria a janela de seu quarto e ficava procurando as estrelas.
Seu pai, uma vez a pegou em pé na janela e preocupado, perguntou:
-Filha, o que está fazendo?
A menina, emocionada:
-Pai, como eu alcanço as estrelas?
O pai olhou bem para seus olhinhos, pegou sua pequena mão, e disse:
- Basta que você vá até às estrelas.
- Mas como? É tão longe e alto.
- Fácil. Feche seus olhos e voe. Se você pode sonhar, você pode realizar.
Júlia fechou seus olhos e sonhou.
Bom dia, Magali.
Levantou seu rosto, que ainda esboçava-se melancólico, tentando encarar o horizonte. Seus olhos, negras pedras preciosas, brilhavam como se tivessem sido polidas pelo encanto de seu sorriso, entretanto, brilhariam muito mais, não fosse o sopro da brisa fazendo-os abrir e fechar como se quisessem declamar uma poesia ao seu amado. Instantes antes da vaidade permitir que seus cabelos caíssem sobre seu rosto nu, um arrepio, leve, suficientemente satisfatório, ao mesmo tempo que intenso e desconcertante, sobe por suas espinhas, excitando seus pêlos e fazendo-a mordiscar suavemente seus úmidos lábios. Ele escorrega sua mão pelo pescoço dela, toca levemente sua orelha, vai de encontro aos seus curtos cabelos e agressivamente puxa-os para trás, fazendo com que sua cabeça incline-se para ele, deixando-a estremecida e com os lábios sedentos pelo seu sabor. Ela, por alguns segundos, tenta resistir, mas, instintivamente entrega-se a seu domínio. Sua áspera mão esquerda passa sobre a barriga despida da moça, riscando sua pele com suas unhas mal cortadas. Ela, delicada, inclina seu quadril para trás, enquanto fecha os olhos e sente sua orelha ser levemente mordida pelo rapaz de cabelos longos. Ele, já tomado pelo instinto, a segura novamente pelos cabelos, puxa-os para frente e respira em sua nuca, como se quisesse sentir cada centímetro, fazendo-a estremecer por completo e por alguns instantes pensar que estaria no céu. Ele, então, a vira de frente, penetra profundamente em seu olhar e, como antes, transforma sua vida. Em cinco segundos.
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
Tempo
Tic, Tac, Tic, Tac. Os poteiros movem-se. São 11:28:25.
Depois de 1 segundo ele marca 11:27:25.
Será que estou de ponta-cabeça? Será que o tempo está quebrado?
Quando sonhamos, retornamos ao passado.
Quando agimos, mudamos o futuro.
E quando agimos nos sonhos? Funde-se o tempo ou o tempo se confunde?
Paro o tempo por algum tempo. O texto que quer nascer: Cinco segundos.
Em tempo, apenas um pouco de abraço. Em abraço, apenas um pouco de tempo.
Depois de 1 segundo ele marca 11:27:25.
Será que estou de ponta-cabeça? Será que o tempo está quebrado?
Quando sonhamos, retornamos ao passado.
Quando agimos, mudamos o futuro.
E quando agimos nos sonhos? Funde-se o tempo ou o tempo se confunde?
Paro o tempo por algum tempo. O texto que quer nascer: Cinco segundos.
Em tempo, apenas um pouco de abraço. Em abraço, apenas um pouco de tempo.
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