São Paulo, uma hora da manhã. É hora de dormir. Meu sono não vem, minha mente vai; vai lá longe, onde as mentes vão quando estamos tentando dormir, apenas para dar um abraço imaginário numa outra mente que também ia. Depois de alguns segundos, volta. Nesse vai-e-vem de idas e voltas, se passam 23 minutos e ainda estou acordado. São quase uma e trinta e cinco da manhã e ainda não consegui dormir. Viro de um lado, viro de outro e quando vou pensar em... puf!. Apago instantaxneamente num sono que seria profundo, profundíssimo, se, após de quatro horas e meia, eu não tivesse que ouvir o despertador falar:
- Trimimimririrmim
Tomo um banho rápido, engulo alguma coisa, carrego meu carro com oito malas, duas delas maiores que eu, pego trânsito, pego minha assistente, pego tudo e chego ao aeroporto. Estaciono o carro, tiro as malas e faço uma pilha gigantesca num carrinho de mão. No guichê para o check-in:
- Senhor, o seu vôo das 10h30 sai de Guarulhos e não de Congonhas. Você tem trinta minutos para chegar no outro aeroporto.
Raiva repentina! Queria colocar a culpa em alguém. Na minha secretária? Na minha assistente? Em quem? Bah! A culpa era minha. Engoli minha burrice, atravessei o aeroporto todo, paguei quase R$ 500,00 e remarquei minha ida à Manaus. Coloco tudo no carro, pago o estacionamento e fico esperando das 10h às 18h em meu escritório.
18h! Triririm!
Saio correndo, dirijo num trânsito obsceno de tão perverso que é, chego então à Guarulhos, agora sem assistente para me ajudar nas malas. Tiro tudo do carro, coloco no carrinho, derrubo três vezes meus pertences no chão, subo, desço, subo, desço e consigo despachar. Minha assistente chega, comemos uma nutritiva, light e saudável Pizza Hutt e embarcamos.
- É só entrar naquele ônibus Senhor. Ele o levará para a aeronave.
Desajeitados, subimos, eu e minha assistente, e aguardamos quase vinte minutos dentro de uma lotação que nos levaria até o avião. Chegamos. Descemos, ficamos numa fila quilométrica para subir no bendito, e dentro da coisa com asas:
- Moça, minhas mãos estão ocupadas. A Sra. poderia fazer a gentileza de pegar o bilhete aqui no meu bolso e dizer qual é meu assento?
- Claro senhor. Deixa eu ver. Hummm. Senhor, o seu vôo é para Manaus e este vai para a Bolívia.
Duzentos passageiros, em coro:
- Bolívia?
Descemos apavorados, corremos atrás do outro ônibus, subimos, brigamos com o motorista, esperamos, esperamos e chegamos ao avião que iria para Manaus - sem escala na Bolívia ou Paraguai.
- Agora sim. Estamos cansados, mas, pelo menos dormiremos no avião.
Dormir? Onde? Se ao menos pudesse sentar-me dignamente já estaria bom. O acento não declina, a aeromoça não vem, minhas pernas são maiores do que o mísero espaço que tinha para elas, as pernas do meu vinho também, ficamos disputando espaço durante duas horas até que eu desisto, tiro meu sapato, e coloco minhas pernas, esticadas, para fora no corredor. Que delícia seria ficar nessa posição nos próximos noventa e dois minutos se a aeromoça não viesse brincando com seu carrinho rápido de comida e não tivesse esmagado meus pés.
- Desculpe senhor, mas o senhor não pode ficar com os pés onde estavam.
Após quarenta e cinco minutos de malabarismos, tentativas de pegar no sono, um bafo com cheiro de azedo do meu vizinho e aeromoças maléficas, consegui dormir. Mas as crianças de trás, espertas, perceberam e começaram a chorar batendo os pés na poltrona da frente. A minha. Levanto-me.
- Moça, eu quero descer.
- Senhor, não é possível, estamos em vôo.
- Jura? Não diga. Eu quero descer mesmo assim. Me dá uma dessas poltronas flutuantes, um pára-quedas ou qualquer coisa, pois, eu preciso descer.
- Um minutinho, senhor. Vou falar com o comandante Barroso.
Quarenta e dois minutos depois:
- Ok, Senhor. O comandante autorizou.
- Senhoras e senhores, preparem-se para a aterrissagem.
Manaus!
Aterrisamos, esperamos todos os trogloditas saírem da aeronave, descemos, fizemos o check-out, pegamos as oito malas, duas delas maiores que eu, e aguardamos na saída do aeroporto uns cinqüenta minutos até perceber que o motorista que viria nos buscar não veio.
Pegamos um táxi, chegamos no hotel, fizemos check-in, nos arrastamos até nossos respectivos quartos, tentei tirar meu segundo sapato e, às quatro da manhã, capotei novamente. Agora sim eu teria muitos e muitos minutos de sono. Para ser exato, cento e vinte minutos. E depois dessas todas duas horas de cochilo:
- Tririmriririrmrmrimrirmirmrrim
- Â? Â? Â?
Tomo um banho rápido, engulo alguma coisa, chamo um taxi, carrego minhas oito malas, duas delas maiores que eu, mas que não sei por quê, estavam maiores e mais pesadas, agora. Chego ao local do evento, monto o circo, as pessoas entram.
- Senhoras e senhores, bom dia!
- Vocês dormiram bem? Que ótimo.
Na segunda fileira tinha um moço de calça jeans e camisa pólo que insistia em fechar e abrir os olhos durante meu show. Isto por quê ele tinha dormido apenas 7 horas nas últimas três noites. Coitado.
Termino o show, desmonto tudo, taxi vai, taxi vem, mala cai, mala fica, assistente reclama, tudo no hotel, puto, cansado, de saco cheio, costas moídas, cérebro cansado e vistas semi-pulsantes.
Felipe, um amigo de infância que reencontro casualmente por lá, me arrasta até um mini zoo, dentro de um super-hiper-hotel próximo ao nosso. O nosso era apenas super.
Já lá dentro, uma arara se vira pra mim e diz OiOiOi, dois macaquinhos fazem tchau e uma tartaruga, gigante, coloca a cabecinha pra fora d'água, fecha os olhos e sorri pra mim, enquanto que o ursinho, bem do outro lado, estava doido de vontade de me dar um abraço de 2 minutos e meio.
- Trimimimririrmim
Tomo um banho rápido, engulo alguma coisa, carrego meu carro com oito malas, duas delas maiores que eu, pego trânsito, pego minha assistente, pego tudo e chego ao aeroporto. Estaciono o carro, tiro as malas e faço uma pilha gigantesca num carrinho de mão. No guichê para o check-in:
- Senhor, o seu vôo das 10h30 sai de Guarulhos e não de Congonhas. Você tem trinta minutos para chegar no outro aeroporto.
Raiva repentina! Queria colocar a culpa em alguém. Na minha secretária? Na minha assistente? Em quem? Bah! A culpa era minha. Engoli minha burrice, atravessei o aeroporto todo, paguei quase R$ 500,00 e remarquei minha ida à Manaus. Coloco tudo no carro, pago o estacionamento e fico esperando das 10h às 18h em meu escritório.
18h! Triririm!
Saio correndo, dirijo num trânsito obsceno de tão perverso que é, chego então à Guarulhos, agora sem assistente para me ajudar nas malas. Tiro tudo do carro, coloco no carrinho, derrubo três vezes meus pertences no chão, subo, desço, subo, desço e consigo despachar. Minha assistente chega, comemos uma nutritiva, light e saudável Pizza Hutt e embarcamos.
- É só entrar naquele ônibus Senhor. Ele o levará para a aeronave.
Desajeitados, subimos, eu e minha assistente, e aguardamos quase vinte minutos dentro de uma lotação que nos levaria até o avião. Chegamos. Descemos, ficamos numa fila quilométrica para subir no bendito, e dentro da coisa com asas:
- Moça, minhas mãos estão ocupadas. A Sra. poderia fazer a gentileza de pegar o bilhete aqui no meu bolso e dizer qual é meu assento?
- Claro senhor. Deixa eu ver. Hummm. Senhor, o seu vôo é para Manaus e este vai para a Bolívia.
Duzentos passageiros, em coro:
- Bolívia?
Descemos apavorados, corremos atrás do outro ônibus, subimos, brigamos com o motorista, esperamos, esperamos e chegamos ao avião que iria para Manaus - sem escala na Bolívia ou Paraguai.
- Agora sim. Estamos cansados, mas, pelo menos dormiremos no avião.
Dormir? Onde? Se ao menos pudesse sentar-me dignamente já estaria bom. O acento não declina, a aeromoça não vem, minhas pernas são maiores do que o mísero espaço que tinha para elas, as pernas do meu vinho também, ficamos disputando espaço durante duas horas até que eu desisto, tiro meu sapato, e coloco minhas pernas, esticadas, para fora no corredor. Que delícia seria ficar nessa posição nos próximos noventa e dois minutos se a aeromoça não viesse brincando com seu carrinho rápido de comida e não tivesse esmagado meus pés.
- Desculpe senhor, mas o senhor não pode ficar com os pés onde estavam.
Após quarenta e cinco minutos de malabarismos, tentativas de pegar no sono, um bafo com cheiro de azedo do meu vizinho e aeromoças maléficas, consegui dormir. Mas as crianças de trás, espertas, perceberam e começaram a chorar batendo os pés na poltrona da frente. A minha. Levanto-me.
- Moça, eu quero descer.
- Senhor, não é possível, estamos em vôo.
- Jura? Não diga. Eu quero descer mesmo assim. Me dá uma dessas poltronas flutuantes, um pára-quedas ou qualquer coisa, pois, eu preciso descer.
- Um minutinho, senhor. Vou falar com o comandante Barroso.
Quarenta e dois minutos depois:
- Ok, Senhor. O comandante autorizou.
- Senhoras e senhores, preparem-se para a aterrissagem.
Manaus!
Aterrisamos, esperamos todos os trogloditas saírem da aeronave, descemos, fizemos o check-out, pegamos as oito malas, duas delas maiores que eu, e aguardamos na saída do aeroporto uns cinqüenta minutos até perceber que o motorista que viria nos buscar não veio.
Pegamos um táxi, chegamos no hotel, fizemos check-in, nos arrastamos até nossos respectivos quartos, tentei tirar meu segundo sapato e, às quatro da manhã, capotei novamente. Agora sim eu teria muitos e muitos minutos de sono. Para ser exato, cento e vinte minutos. E depois dessas todas duas horas de cochilo:
- Tririmriririrmrmrimrirmirmrrim
- Â? Â? Â?
Tomo um banho rápido, engulo alguma coisa, chamo um taxi, carrego minhas oito malas, duas delas maiores que eu, mas que não sei por quê, estavam maiores e mais pesadas, agora. Chego ao local do evento, monto o circo, as pessoas entram.
- Senhoras e senhores, bom dia!
- Vocês dormiram bem? Que ótimo.
Na segunda fileira tinha um moço de calça jeans e camisa pólo que insistia em fechar e abrir os olhos durante meu show. Isto por quê ele tinha dormido apenas 7 horas nas últimas três noites. Coitado.
Termino o show, desmonto tudo, taxi vai, taxi vem, mala cai, mala fica, assistente reclama, tudo no hotel, puto, cansado, de saco cheio, costas moídas, cérebro cansado e vistas semi-pulsantes.
Felipe, um amigo de infância que reencontro casualmente por lá, me arrasta até um mini zoo, dentro de um super-hiper-hotel próximo ao nosso. O nosso era apenas super.
Já lá dentro, uma arara se vira pra mim e diz OiOiOi, dois macaquinhos fazem tchau e uma tartaruga, gigante, coloca a cabecinha pra fora d'água, fecha os olhos e sorri pra mim, enquanto que o ursinho, bem do outro lado, estava doido de vontade de me dar um abraço de 2 minutos e meio.
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