Levantou seu rosto, que ainda esboçava-se melancólico, tentando encarar o horizonte. Seus olhos, negras pedras preciosas, brilhavam como se tivessem sido polidas pelo encanto de seu sorriso, entretanto, brilhariam muito mais, não fosse o sopro da brisa fazendo-os abrir e fechar como se quisessem declamar uma poesia ao seu amado. Instantes antes da vaidade permitir que seus cabelos caíssem sobre seu rosto nu, um arrepio, leve, suficientemente satisfatório, ao mesmo tempo que intenso e desconcertante, sobe por suas espinhas, excitando seus pêlos e fazendo-a mordiscar suavemente seus úmidos lábios. Ele escorrega sua mão pelo pescoço dela, toca levemente sua orelha, vai de encontro aos seus curtos cabelos e agressivamente puxa-os para trás, fazendo com que sua cabeça incline-se para ele, deixando-a estremecida e com os lábios sedentos pelo seu sabor. Ela, por alguns segundos, tenta resistir, mas, instintivamente entrega-se a seu domínio. Sua áspera mão esquerda passa sobre a barriga despida da moça, riscando sua pele com suas unhas mal cortadas. Ela, delicada, inclina seu quadril para trás, enquanto fecha os olhos e sente sua orelha ser levemente mordida pelo rapaz de cabelos longos. Ele, já tomado pelo instinto, a segura novamente pelos cabelos, puxa-os para frente e respira em sua nuca, como se quisesse sentir cada centímetro, fazendo-a estremecer por completo e por alguns instantes pensar que estaria no céu. Ele, então, a vira de frente, penetra profundamente em seu olhar e, como antes, transforma sua vida. Em cinco segundos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário