sábado, 25 de fevereiro de 2006
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006
Oração dos Estressados
Também, me ajude a ser cuidadoso com os calos em que piso hoje, pois eles podem estar diretamente conectados aos sacos que terei que puxar amanhã. Ajude-me, sempre, a dar 100% de mim no meu Trabalho: 12% na segunda-feira, 23%, na terça-feira, 40% na quarta-feira, 20% na quinta-feira, 5% na sexta-feira.
E, ajude-me sempre a lembrar, quando estiver tendo um dia realmente ruim e todos parecerem estar me enlouquecendo, que são necessários 42 músculos para socar alguém, 17 para sorrir e apenas 4 para estender meu dedo médio e mandá-lo tomar no cú.
Que assim seja. Amém.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006
Histórias de quinta à tarde
O Brasil não tem mais jeito! Só tem sem-vergonhas nesse país! Onde iremos parar? Esse povo não tem ética!
Mentira! Mentira! Mentira!
Mentira de merda!
Os jornais, além de tudo, são feitos para mostrar desgraça. Desgraça dá ibope! Desgraça gera comentários quando a gente vai lavar a calçada e avistamos outra patroa do outro lado da rua.
Que graça seria o seguinte diálogo:
- "Bom dia!"
- "Bom dia!"
- "Você viu ontem no jornal? Um rapaz pegou emprestado R$ 10.000,00 do banco e pagou com juros e tudo!"
- "É! Eu vi. E o outro que viu o filho se drogando e resolveu cortar a mesada dele!"
- "Ééééé"
- "Ééééé"
Que diálogo ridículo!
É pra isso que serve o noticiário. Pra fazer a gente ter mais assunto de manhã, mas eu decididamente não estou aqui pra falar de telejornais... estou aqui pra defender o povo brasileiro, que ao contrário do que todos e tudo dizem por aí, é um povo bom, ético e justo.
Aconteceu uma vez.. eu achei estranho.
Aconteceram duas vezes.. ah não! Só pode ser verdade. Resolvi publicar.
Eis as duas histórias que marcaram momentos pacatos de uma vida nada pacata. Histórias simples, mas com uma profundidade especial. Coisas que ninguém acreditaria que pudessem acontecer, e talvez por ninguém acreditar que aconteça, mais delas continuam escondidas... sem acontecer.
História 1: Pipoca depois do teatro.
20h00: Acabei tudo o que tinha que fazer. Sexta-feira e eu aqui - sozinho - Yeca! Esse mundo precisa de mim. não posso ficar aqui e nem dormir... hummm teatro! Isso! Teatro!
Ir ao teatro sozinho, por incrível que pareça, é bom. Sair sozinho de vez em quando é ótimo pra saúde mental. Você pensa um pouco, reflete, pensa mais, reflete mais, come qualquer porcaria, ou come uma comida caprichada, toma caipirinha, ou água, fala com um pessoal, não fala com ninguém... sair sozinho não tem regras! Nem pra ir, nem pra voltar, você não faz absolutamente nada pensando na outra pessoa. Faz pra você e por você.
Bom, o teatro estava uma porcaria [Ô peça ruim. Texto ruim, atores ruins, cadeiras ruins. A única coisa boa daquele dia era eu; eu e minha modéstia.] mas eu estava bem comigo. Foi bom ter umas reflexões pré- e pós-peça... um monte de gente esquisita entrando no local
[Desculpe-me, mas eu não posso deixar de ser sincero! Ô povo esquisito esse que faz teatro... acho que eu estava um pouco diferente deles naquele dia; devo ter assustado os bichinhos... Eles: metade da cabeça raspada, metade com sei-lá-o-quê, chinelo, piercing no pescoço, tatuagem no nariz, sobrancelha verde. Eu: calça social, camisa social, sapato social. Mas eu não ligo, fui só fazer uma social mesmo...]
Quando eu saio, avisto uma coisa vermelha de um lado, branca do outro, dois braços e uma luz em cima. Não, não era mais um esquisito do teatro, era a barraquinha de pipoca! E que pipoca! Pipocas quentinhas, doces, salgadas... uma delícia! Abro minha carteira e tudo o que tinha dentro era uma folha de cheque! Putz. Eu não vou pagar uma pipoca com um cheque. Eu posso ser doido, mas não tanto, e além disso, faltava ainda pagar o estacionamento.
Penso eu: "Tento comprar fiado ou vou pra casa com vontade?"
Respondo pra mim mesmo: "Vou embora, claro... peraí, estou sozinho e não tenho nada do que me envergonhar..."
- "Moço, será que eu poderia levar uma pipoca e te pagar outro dia? Eu prometo que pago."
- "Fiado num posso. Num dá não!"
- "Mas eu pago. Eu juro!"
- "Fiado num posso. Num dá não!"
- "Bom, ok. Tchau"
- "Ô menino! Volta aqui... eu num posso não, mas eu vô fazê prucê"
[sorrisos] - "Legal! Valeu mesmo! Obrigado. Pode ser a doce?"
História 2: Carro dentro, carro fora
17h30: Consulta marcada para 17h30 [minha cirurgia gengival que já foi narrada aqui], chego na rua Pará, travessa da Angélica, entro no estacionamento.
(( Vallet Parking - Estacione aqui ))
- piscando piscando piscando -
- "Bom dia"
- "Bom dia"
Olho pra dentro da minha carteira. Nada de cheque, já tinha usado a última folha com o pipoqueiro!
Hummmm
Cartão! Sim! A minha salvação! Um cartão de débito! Nenhum real, mas um cartão!
- "Vocês aceitam cartão?"
- “Não”
- “Mas esse é de débito, ó! Debita na hora!”
- "Não é isso não. A maquininha quebrou"
- "Putaquepariufudeuagoraferrôaimeudeusquemerda"
- "Pode deixar. Estaciona. Eu pago do meu bolso e outro dia você paga."
- "Quê?"
- "É. Vai pro dentista. Outro dia você paga!"
[Pasmo]
Histórias verídicas! Acredite se quiser.
Depois do estacionamento, minha visão do Brasil mudou. O povo é solidário, o povo acredita no seu semelhante.
Duas provas simples, porém grandiosas em sua essência. Isso me tocou profundamente. Existem almas caridosas no Brasil que merecem meu respeito.
Chega de falar mal desse povo pelos jornais!
Chega de julgar tudo e todos pelos atos de alguns.
O Brasil é feito de gente assim. Simples, porém éticas, solidárias e que acreditam em seu povo.
Tem coisa mais bonita que o ato daquele pipoqueiro? E o homem do estacionamento que tirou de seu bolso para ajudar um cidadão? Isso é bonito! Isso é puro!
Isso é do que eu com orgulho, digo: Meu povo brasileiro! Brasileiro como eu! Que tem verde e amarelo no sangue!
...
...
Se eu voltei lá pra pagar o pipoqueiro e o estacionamento?
Eu não! E nem vou voltar. Eu quero que eles vão à merda!
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006
O Otorrino que se Foda
Estou deitado no divã da Dra. dentista falando tudo pra ela através de uma chapa que havia tirado alguns minutos atrás.
Ela olhava pra mim, pra chapa, pra minha gengiva rosada e sorria; sorria como se aquele campo fosse dela, sorria como se tivesse controle total da situação. E tinha.
- É, vamos ter que abrir.
- Abrir o que ?
- A carne, filho. Tem um cisto assustador embaixo do seu canino, e por cima não dá pra tirar. Vai ter que ser por baixo da raiz.
- Puta que pariu, pensei eu, em minhas íntimas vontades.
- Tem certeza doutora?
- Tenho. E vai doer.
- Filha da puta... continuei em meu desabafo mental. Deselegante, mas sincero.
2 horas depois...
- Pronto, novinho em folha. Alguns pontinhos, uma leve dorzinha, alguns comprimidos e em uma semana você estará em folha.
Dorzinha? Se aquela cadela chama isso de dorzinha, o que é uma puta dor?
Cacete! Parece que enfiaram uma broca na minha boca. É uma mistura de dor de dente com soco no estômago e siso extraído. Isso dói; e muito.
Da próxima vez que você for desejar que alguém morra nos confins do inferno, deseje que ele tenha um cisto embaixo do siso. Muito pior.
- Ah, quase me esqueci. Tome bastante sorvete... sorvete à vontade, de todos os tipos, texturas e gostos.
- Hummm. Alguma coisa tinha que ser bom nisso! Adoro sorvete.
1, 2, 3, 4 bolas de sorvete.
Manhã, tarde, noite.
1,2,3,4 potes de sorvete.
Manhã, tarde, noite.
1, 2, 3, 4 kg de sorvete.
Manhã, tarde, noite.
Comprimidos de Cataflan, Amoxilina e Lisador à noite pro dente não doer.
Tomo tudo acompanhado de um delicioso MilkShake de chocolate. Geladíssimo!
4 dias se passam e minha gengiva ainda está costurada mas não dói muito, e quando dói, tomo algo geladinho pra refrescar. Ahhhh
Até que essa cirurgia foi boa pra alguma coisa. Sorvete é uma delícia.
Esse sorvete era bom demais pra ser verdade. Garganta inflamada não é uma delícia.
Hoje eu não sinto mais dor na gengiva, pois a da garganta é mais forte. Ultimamente, engolir um comprimido está sendo tão traumatizante quanto o primeiro rasgo que minha gengiva sofreu. Gengiva rasgada e garganta inflamada.
Ninguém merece. (não resisti!)
Vou voltar lá. Ah se vou...
- Doutora, vamos conversar. O lance do sorvete foi fenomenal da sua parte, mas as coisas não estão mil maravilhas pra mim não. Nessa brincadeira, ganhei uma garganta inflamada e vou ter que visitar o Sr. Otorrinolaringologista semana que vem.
- Ah é? O otorrino que se foda.
Otorrinolaringologista:
Pessoa preocupada com a garganta alheia.
Normalmente quer que o dentista se foda.
Dentista:
Pessoa preocupada com o dente alheio.
Normalmente quer que o otorrino se foda.
- Dra, não entendi.
- Não entendeu o que? Você é retardado? Eu quero é que o otorrino se foda. Você acha que eu sou o que? Feirante? Que vende de tudo? Meu negócio é dente; na pior das hipóteses, gengiva. Garganta não é da minha alçada, companheiro.
Até que ponto o foco é saudável?
Esses dias uma amiga me disse que Sagitarianos, como eu sou, eram índios atiradores de flechas. Um dia estava fazendo uma coisa, outro dia fazendo outra, outro dia outra etc etc etc. Concordo. Sou mesmo. Mas quem não é?
Quando me envolvo com um grande amor, a vida simplesmente perde o brilho e tudo se resume à esta paixão, tudo!
Desde um bombom de cereja que vejo na vitrine da padaria até um poste cinza numa marginal qualquer... minha vida perde brilho, mas não o sentido. É como se eu clicasse com o botão direito dos meus olhos no desktop da vida e selecionasse: “setar como plano de fundo”.
A vida num plano de fundo! Nunca tinha pensado nisso, mas é exatamente como acontece quando me envolvo com uma grande paixão. Assim como o otorrino não existe para o dentista, o resto passa a perder importância para mim; amigos, amigas, estudos, tudo, mas o problema não é só amoroso não. Isso acontece exatamente com o trabalho...
Ah, é só aparecer alguma grande oportunidade e eu no mesmo momento clico com o botão direito e bye bye resto. Agora o trabalho é minha vida.
Normal? Maníaco? Louco?
Porque não conseguimos, ou melhor, eu não consigo me focar em vários pontos distintos? Talvez porque foco, por definição, se limita em um único ponto.
Porque não conseguimos, ou melhor, eu não consigo viver tudo de uma forma amena? Porque eu preciso viver tudo intensamente? Sem cansar. Sem temer. Sem medir forças. Sem dó. Por que? Porque preciso dar todo o meu amor de uma vez só? Porque não consigo pulverizá-lo em doses homeopáticas pra durar mais? Porque essa ejaculação precoce de emoções? Por que essa pressa toda?
Certo? Errado? Não sei.
Perguntas? Há muitas. Respostas? Não sei se quero pensar nelas agora.Talvez mais tarde, quando acabar de viver intensamente todas as pequenas coisas que me rodeiam, e que hei de torná-las gigantes.
E agora eu vou é beber um Gatorade tão gelado como um picolé no pólo norte num dia frio apenas para torná-lo tão quente como meus lábios beijando os seus.
E o Otorrino?
O Otorrino que se foda!
sábado, 4 de fevereiro de 2006
Dipirona, prometazina e adifenina.

Que droga de consultório. Venho correndo como um animal pra chegar no horário e ainda sou obrigado a ficar vendo passarinhos enquanto essa mocoronga não me atende.
Cirurgia na boca! Putz... Vou fazer uma cirurgia e não tem ninguém aqui pra ficar me bajulando; bem que podia ter alguém aqui do meu lado só pra eu fingir que estou com medo da tortura e ser acariciado por uma mão leve e perfumada....
- Vem cá meu lindinho. Fica aqui no meu colinho... deixa eu fazer cafuné em você... vem que eu quero te dar um beij...
- Rafael Baltresca
- Ãh? onde? Eu? Cadê a... putz.. sonhando.
- Muito prazer, meu nome é dentista, mas pode me chamar de abre-gengivas. Abre a boca, bem grandão e fica quieto. Faz um AAAAAAAAA pra tia.
- AAAAAAAAA
- Dói?
- Ahã
- E aqui na língua? Dói?
- Ahã
- Vamos ter que dar mais uma anestesia.
- Aiiiiii
- E agora?
- Ahã
- Essa vai ser a úlltiimm... dói?
- nãnã
Crshhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Isso mesmo. "Crshhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh" foi o barulho que eu nitidamente ouvi quando ela rasgou uns 8 cm de gengiva de Baltresca para tirar um cisto de Baltresca que resolveu nascer embaixo de um dente ainda meu. Sangue, pinças, bisturis, tesouras, mais sangue, luzes na minha cara, pânico da assistente, mais tesouras, mais pinças sujas de sangue, a mão fina da Dra. saindo de dentro da minha boca com algo preto e vermelho e sujo e minutos, minutos e minutos que passam depois daquela última anestesia.
Tudo isso e mais: sem dor.
Não existe num consultório branquinho (que se contradiz a todo instante com os gritos que de lá surgem) coisa mais agonizante do que ouvir, cheirar e degustar aqueles sons, imagens e sabores de carne mal passada sem sentir, em momento algum, nenhuma dor.
É engraçado como alguém pode te ferir sem te machucar... é engraçado como a carne pode ser violentamente estragada enquanto seus olhos são voluntariamente fechados para não ver o sangue que corre entre seus dentes... não vê e não se sente.
Depois de cortes, furos e apertos, as coisas sempre voltam ao normal. Sempre vai haver uma linha pra se...
- Pronto. Acabado. Só falta costurar.
- Costurar?
- Costurar.
Por que a carne não é deixada aberta, ferida, rasgada, ensangüentada para que não seja necessário passar por isto novamente? Se for pra machucar, que seja uma vez só!
Um, dois, três, quatro, ..., dez pontos; ainda sinto a linha fina, preta, pontuda, quando passo minha língua no ferimento... uma linha que teima em brigar contra o corte. Um querendo se abrir para não poder mais se fechar – o corte - , a outra tentando curar o que logo poderá ser aberto novamente – a linha -.
A linha, a lenha... A linha que não pode receber nada quente pra não se abrir. A lenha que precisa de algo quente, pra se aquecer. Pra aquecer...
7 dias de descanso. 7 penosos dias de lembranças...
Nosso coração não se distingue muito de uma gengiva machucada.
Ao longo da nossa vida, as amizades esquecidas, os amores perdidos, a saudade não correspondida, nossas paixões platônicas, nossa vida platônica, funcionam como anestésicos. Elas furam a gente quando não queremos e logo você se acostuma com elas...
As primeiras doem muito e muitos temem em não resistir. Muitos não resistem e são fatalmente mortos por hemorragias de amor.
As segundas picadas são mais amenas, pois, o efeito da primeira anestesia já nos faz entender da onde vem aquela dor, e as terceiras picadas já não são simplesmente suportadas e sim esperadas pelas lembranças das primeiras injeções de tristeza que nos foram fincadas.
A parte ruim são as emoções que vêm após as inúmeras injeções anestésicas de amores mal resolvidos uma vez aplicadas em nós.
Por nosso coração estar ainda anestesiado, podemos não sentir o que vem logo em seguida; bom e ruim! Por estar anestesiados, não nos machucamos com os rasgos até mais fundos que podem nos aguardar, porém, o destino pode nos colocar diante de um grande amor... que por conta das anestesias não sentimos sua intensidade e o deixamos escapar.
É difícil, mas devemos tentar deixar essas picadas anestésicas se amenizarem com o tempo, e tomar cuidado para não sermos picados novamente e novamente e novamente.... mas quem manda no destino chamado Dra. corta-gengivas?
Como devemos nos preocupar? Como devemos enxergar?
Só temo excessivas picadas e rasgos... temo me acostumar com os cortes, as dores, os furos no meu peito, para não perder diferentes sensações que podem talvez um dia tentar nos surpreender...
- Pronto. Doeu?
- Não.
- Tá vendo... essa anestesia é boa mesmo.
- Você vai tomar uma cápsula de Amoxilina de 6 em 6 horas, um comprimido de Cataflan de 8 em 8 horas e um comprimido de Lisador somente se doer, ok? Somente se doer pois este remédio é muito forte.
- Pois não?
- Eu queria três caixas de Lisador e um copo d’água.
- Algo mais?
- Não. Nada mais.
Um, dois, três, quatro, vinte e quatro, vinte e cinco comprimidos.... Coloco tudo no copo.
- Senhor, você não deve...
- Glup'
- Dor? Nunca mais.
Dipirona, prometazina e adifenina.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos...
Não quero lhe falar meu grande amor das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar, eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa
Por isso cuidado meu bem, há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal está fechado prá nós que somos jovens
Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz
Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantada com uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração
Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida
Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais
Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que eu 'tô por fora', ou então que eu 'tô inventando'
Mas é você que ama o passado e que não vê
É você que ama o passado e que não vê
Que o novo sempre vem
Hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova consciência e juventude
Tá em casa guardado por Deus contando vil metal
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo, tudo o que fizemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
como nossos pais