domingo, 26 de novembro de 2006

A saga do mágico do mal (Ep4)

Para ver o episódio2:
Para ver o episódio3:


Parabéns pra você...nessa data querida...muitas felicidades..muitos anos de vida.
Pra Raquelzinha nada!!! Tudo!!! Como é que é? É pique.. É pique.. É pique é pique é pique. É hora.. É hora.. É hora é hora é hora.. Rá! Tim! Bum! Raquelzinha, Raquelzinha, Raquelzinha, Raquelzinha!


Raquelzinha, agora assoprando sua 13ª velhinha, nunca esteve tão feliz.
Bexigas estourando, o LP da Xuxa - aquele mesmo - arranhado no último volume, pratinhos de bolo no chão, amiguinhos sujando o sofá de brigadeiro, tudo como ela sempre quis, porém, o grande motivo pela felicidade, não era apenas esse. Já com quase 3 horas de festa, a menina não tinha nem sonhado com o famigerado mágico do mal. Bom, é melhor nem pensar nisso; vai que atrai o...

- Putaquepariu! Olha quem está ali escondido atrás da coluna. Pensou a garotinha ex-feliz.
– Já vi que esse merda vai estragar minha festa de novo.

- Lindaaaaaaaaaaaaaa! Você viu quem a mamãe chamou pra animar sua festinha?
- Vi.

- Olá crianças... O mágico chegou.
- Chegou para que? Para que? Parafuso?
- Nãããão.
- Para-quedas?
- Nãããão.
- Para-raio?
- Nãããão.
- Paraque?
- Para divertiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiir!
- Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.

A criançada não se continha em seus lugares. Parecia que tinham formigas em seus bumbuns. Todos queriam ir ao encontro do bondoso senhor de cabelos brancos, olhinhos pequeninos azuis e covinha.
Digo, quase todos.

Raquelzinha engolia seu choro e fazia cara de brava no mesmo momento em que guardava um garfo afiado em seu vestido.

O mágico do mal divertiu, entreteu, encantou e magicou a meninada toda; depois de seu último ato, deu um beijinho na Raquelzinha e foi embora.

A aniversariante entrara em parafusos. O que aconteceu com esse cara? Será que ficou bonzinho novamente? Porque ele não fez nada além do programado?
Raquelzinha pensou por alguns poucos segundos e logo parou, quando embalada pelo mais novo single ‘Ilariê’ da musa.
Brincou bastante, se divertiu e quando todos foram embora, a menina voltou para seu quarto, para abrir seus presentinhos.
Cadê? Cadê? Cadê? - Exclamou 3 vezes.
Cadê? Cadê? - Exclamou mais 2 vezes.
Cadê porra? - Exclamou a última vez.

“Ilarilariê, ô ô ô.
Ilarilariê, ô ô ô.
Ilarilarilariê, ô ô ô.
É a turma da Xuxa que vai dando deu alô.”

– Cantava o mágico do mal enquanto contava os presentinhos que tinha roubado na hora do parabéns…

sábado, 25 de novembro de 2006

Sentimentos enlatados

Hoje, estava conversando com minha mãe sobre latas. É, latas de cozinha, alimentos enlatados.
Como pode um molho de tomate ficar dias, meses, anos dentro de uma lata e não estragar?

Diz ela, por sua vivência gastronômica, que eles ficam ainda mais concentrados, mais espessos e mais saborosos quando dentro de latas.
Há uma latinha guardada na dispensa há uns 4 anos; já não tem mais rótulo. Sua carcaça é prateada, com ranhuras ao redor e pesada. Muito pesada.
Ainda não sei o que tem dentro. Ela me diz que vai guardar para um momento especial, pois cada lata tem a hora e um jeito certo de abrir.

Sentimentos enlatados
Você, mesmo que queira, nunca deixará de odiar alguém.
Você, mesmo que queira, nunca deixará de amar alguém.

Vamos começar pela seguinte premissa: Sentimentos são enlatados.
Amor, ódio, raiva, alegria, tristeza, felicidade, saudade, esperança e outras porções de sentimentos são normalmente enlatados por nós.

Quando você ama alguém, você simplesmente abre uma latinha e despeja o amor lá dentro.
Assim como numa caldeira, o amor fica borbulhando naquele compartimento e, hora se esparrama pelo resto do corpo, o lambuzando de paixão, hora fica quietinho, sem se mexer muito - guardado. De qualquer forma, a latinha de amor está lá dentro, aberta e pronta.

Quando se diz que o amor está acabando, que a paixão está indo embora, quando o coração está sendo ferido, na verdade o que está acontecendo é que sua latinha está sendo vagarosamente fechada e cada vez é mais difícil se usar o amor que está sendo confinado. Quando se menos espera, vem o tempo e 'zapt' - Lacra o pote.

Cada um de nós convive diariamente com muitas latinhas abertas e muitas fechadas dentro da gente. Latinhas trancadas de um amor que foi embora, latinhas abertas de esperança que não se fecha, latinhas de receios, de tristeza, mágoas.

Você, mesmo que queira, nunca deixará de odiar alguém.
Você, mesmo que queira, nunca deixará de amar alguém.... pois a latinha - aquela mesmo - ainda está lá; esperando para ser aberta.

O que a gente não sabe é que uma vez lacrada, a lata só pode ser aberta por quem a fechou. Só pode usar o abridor aquele que um dia ajudou a deixá-la assim...
Normalmente esta é uma tarefa difícil, tem que fazer com cuidado para não estragar a tampa [não rasgar o rótulo] e muito vagarosamente para não derramar - e perder - seu conteúdo.

Dizem que algumas cheffs de cozinha têm uma tendência maior a acumular latas - talvez pela sua rotina profissional - e, por empilhar tantas latas de emoções, umas acabam sendo fechadas e esquecidas.

Dizem que mágicos fazem sumir latas, mas acho que não. Os mágicos apenas as escondem de uma forma que ninguém perceba, mas não adianta, assim como a mágica sempre acontece, uma hora a latinha acaba aparecendo...para algum abridor que seja muito mais do que simplesmente forte para abri-la, mas pronto o suficiente para receber o que encontrar por lá.
E quando a latinha é muito forte, pesada e recheada... dá uma dor no estômago...

ainda não choveu.

Já vim assim: vento na cara no carro... cara ao céu, ao léu, no vento, na brisa.
Cheguei aqui às 16h. Céu limpíssimo, um sol estonteante, uma janela que não reflete, límpida, limpa. Uma janela de sorte.

Meu dia foi bem produtivo. Relaxei, pensei, pensei, relaxei mais um pouco, bom, todas aquelas coisas que é normal se fazer em um sábado à tarde.

De repente um estalo. A luz se apaga. Com isso, o ar condicionado que me refresca se vai, o computador em que trabalho é desligado e minha vontade de sair para caminhar termina.
Relâmpagos, trovões, nuvens.

Pronto! Só falta chover.

A luz não é mais luz e não se permite ver... o refresco já não sopra mais e é desligada minha vontade de continuar.

Alguém me explica? [explica?]
Como um céu tão limpo, como um ar tão fresco se vai sem dar nenhum motivo? Como a luz se apaga de uma hora para outra? Como a vontade chega ao fim?

Tantas perguntas impossíveis de serem respondidas pela natureza. Tantas respostas a serem inventadas por mim baseadas em percepções. Sim. Percepções e não fatos, pois, nem tudo é o que vemos e sim vemos o que nos permitimos ver.

E já sem mais motivos para questionar, apenas pude fazer uma afirmação: O céu pode estar cinza, o azul pode já ter ido embora, o vento, a luz, o sol podem ter sido desligados, mas,

ainda não choveu.

E depois de algumas frações de tempo, o céu se rebela contra suas próprias vontades, o calor nasce de dentro e, vagarosamente [mas ainda mais intenso], o céu vai se abrindo, e abrindo, e abrindo.
Algo me diz que eu preciso de um filtro solar, fator 23.
Será que é muito caro?

28/11 - Chegando o Dia Internacional do Baltresca

Os indivíduos extremamente intensos nascidos em 28 de novembro devem buscar seu próprio curso. Dados a paradoxos, são sujeitos complexos que nunca deixam de espantar sua família e amigos com sua combinação única de agressividade e sensibilidade. Sua ideologia é extremamente importante para eles, mas ela pode mudar, deixando os outros confusos, suas idas e vindas percorrendo uma rede intrincada de ironia e seriedade. Por exemplo, pode ser difícil determinar se alguém nascido em 28 de novembro é conservador ou radical, de esquerda ou de direita, um defensor da ordem social ou um rebelde anarquista. Em última análise, tais termos têm pouco significado para os padrões mentais dos nascidos em 28 de novembro, que...
devem ser compreendidos segundo seus próprios termos.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

A Saga do mágico do mal (Ep3)

Para ver o episódio2:
http://baltresca.blogspot.com/2006/11/saga-do-mgico-do-mal-ep2.html


Episódio 3: O Mágico do Mal ataca novamente
Por Rasputin

Outro aniversário... Raquelzinha suava frio... Tinha a absoluta certeza que a mãe contrataria de novo o mágico das covinhas, olhos azuis angelicais e queixo com furinho (essa imagem nunca saía de sua mente atormentada). Era inevitável... Ano após ano e aquele mostro devorando sua infância.

Esse ano seria diferente! Antes de qualquer mágica, Raquelzinha daria um basta naquilo! Ela tramou um plano mirabolante. Maravilhoso, genial, espetacular... A angústia de colocar seu belo plano em ação a afligia ainda mais... Mas era uma dor prazerosa... A expectativa de vingança.

Eis que chega o dia! Raquelzinha agora estava na fase sertaneja: Depois de assistirem a “Dois Filhos de Francisco”, o Karaokê alugado só tocava aqueles sons infernais (ou melhor, as canções de tão talentosa dupla). A decoração Country estava divina: uma bela cabeça decepada de boi na parede, arreios, estribos e bitolas penduradas pela casa... Bexigas marrons e, o melhor de tudo, um touro mecânico...

Tocam a campainha. “É agora, pensa Raquelzinha”. A mãe de Raquelzinha, depois de tirar dois meninos que estavam inundando o banheiro, abre a porta. “Uau!” – pensa Raquelzinha. Ele estava divino vestido de peão... Lindo, maravilhoso, Raquelzinha sentiu seu coração infantil bater mais forte.

E as mágicas começam: coelhos fofos saem de minúsculas caixas, ovos brotam das orelhas de seus amigos, bengalas dançam no ar, e a vingança fica esquecida. Repentinamente, o Mágico olha para Raquelzinha e pede para que venha até a frente. “Sim, meu am... ops!”

Primeiro, o Mágico prende os pulsos da aniversariante com algemas, depois a enrola com cordas. Raquelzinha estava radiante, ela sentia a respiração adocicada de seu príncipe perto de sua boca... Sua mão delicada tocando seu corpo pré-adolescente. Por fim, o Mágico colocou um capuz na cabeça da menina. A mágica do desaparecimento iria acontecer... Suspense...

Depois de alguns segundos, o Mágico grita: “Vamos todos para o Mac Donalds!”. E foi aquele alvoroço de crianças correndo para o microônibus do Mágico. Raquelzinha estava sozinha, até sua mãe e pai foram também...
“Pessoal, cadê vocês? Geeeente? Aloooooooow?”

A Saga do mágico do mal (Ep2)

Para ver o episódio1:
Episódio 2: O retorno do famigerado mágico do mal
Por Rasputin

Dia de alegria. Mais uma primavera. Raquelzinha está radiante com mais um aniversário: a expectativa dos presentes, docinhos, amigos bagunçando tudo, DVD da Xuxa no máximo! Apenas uma sombra paira sobre seus doces sonhos de infância: um telefone armazenado no celular da mãe - o número do mágico do ano passado.“Estaria aquela doida pensando em contratá-lo novamente?”. Raquelzinha suou frio, mas logo isso foi esquecido: o aparelho de som tocava Tati Quebra-Barraco. Nada melhor do que isso para esquecer um trauma infantil.

Amigos chegando, pais aliviados por terem algumas horas de sossego, deixando seus lindos fardos nas mãos de uma mártir: a mãe de Raquelzinha. Vários vasos quebrados depois, chega a atração principal: NÃO!!!

Era ele, o mágico do mal novamente! Seus olhos azuis, suas covinhas, seu queixo com furinho... Ele inteirinho! Iniciaram-se os números: moedas brotavam do nada dentro de um pequeno balde e Raquelzinha tremia: “vai acontecer de novo!”

No entanto, nada acontecia, uma jarra aparecia cheia de água, depois leite, depois Diet Coke com Mentos (cuidado crianças, isso explode a barriga!). Raquelzinha estava mais aliviada, até divertia-se.

Minutos depois, o mágico anuncia seu último número: eis que de um pequeno lenço branco surgem três lindas pombas brancas (como a alma daquelas crianças). Raquelzinha encanta-se: “Sr. Mágico, posso pegar uma delas?”
“Sim, meu anjo!” – responde o mágico que já não parecia tão assustador assim.

Raquelzinha estende seus bracinhos e em poucos minutos o caos é instaurado!!! Pombas voando como caças F15, bombardeando com excrementos o maravilhoso bolo em forma de Barbie gigante! Olhos, nariz e barriguinha sarada cheios de cocô de pombo!

Raquelzinha chora desesperada. O mágico sorri por trás do lenço branco, fingindo que está assoando o nariz...

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

A história do pintinho quase

O pintinho se chamaria quase.
Ele acharia que esse era um nome de urso, mas sua mãe o convenceria que não.

Ele viveria uma vida cheia de surpresas e emoções.
Seria o galo mais bonito, forte e elegante do pedaço.

Seu pai teria orgulho pelo que faria.
E ele, pelo que diria.

Chamaria, acharia, convenceria, viveria, seria, teria, diria.

Quando ainda novo no ovo, há poucas horas de nascer, sua vida foi interrompida pela quina de uma frigideira cinza.
E ele ficou por lá. Amarelo-vermelho sobre o óleo frio.

Havia duas alternativas.
Juntar as cascas ou ligar o fogo.

Ela não teve dúvida,

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Descobri que eu tenho uma filha de 4 anos

Descobri que eu tenho uma filha de 4 anos.
O mesmo nariz, o mesmo olhar, a mesma bochecha. Só pode ser minha.

A mancha de nascensa está exatamente no mesmo lugar. Nem um centímetro a mais, nem um a menos.
O nome dela é exatamente este que você está pensando; e já não tenho mais dúvidas, é minha filha.

Pele rosada, cheiro de neném. Olhou pra mim e disse: Papai.
Nunca tinha me visto, mas ela já sabia quem era.

Até teste de DNA eu fiz. 100% de comprovação.

A mãe? Nunca vi na vida.
Muito prazer, Rafael.

Mas a filha? É minha.
Há quatro anos,

Minha.