quinta-feira, 29 de junho de 2006

Saudades

É engraçado como a vida fica cor-de-rosa, verde, amarela, azul e branca quando estamos apaixonados.

Não que eu esteja apaixonado agora, mas esses dias, brincando no MSN, uma amiga ficou falando sem parar sobre sua paixão e pediu-me que escrevesse uma poesia sobre saudades.

Apenas para preservar a integridade da moça, a chamarei de "Bárbara Eustáquia Severina Tomás Aparecida".

Legenda:

Bárbara Eustáquia Severina Tomás Aparecida = [B.E.S.T.A]
Eu mesmo = [E.U.]


Segue o diálogo:

E lá no cantinho do MSN...

[B.E.S.T.A]: Estou apaixonadérrimaaaaaaaaaaaaaaaaa.
[E.U.]: Jura?

[B.E.S.T.A]: Juro! Daquelas paixões de ficar pisando em ovos, de ser tudo perfeito.
[E.U.]: Que bom, BESTA!

[B.E.S.T.A]: Até o que está errado, está perfeito, sabe?
[E.U.]: Sei sim, Besta.

[B.E.S.T.A]: Mas tem uma coisa...ele tem namorada!
[E.U.]: Aiai. Falei...

[B.E.S.T.A]: Então... ao mesmo tempo que o fato dele ter namorada me incomoda, acho que é bom assim!
[E.U.]: Ah é? Bebeu?

[B.E.S.T.A]: Não... é que não temos tempo para briguinhas inúteis.
[B.E.S.T.A]: O tempo que temos é curto, então aproveitamos muito. É tudo muito intenso!

[E.U.]: É... Boa idéia, ao invés de namoradas deveríamos ter amantes.
[B.E.S.T.A]: E quando estou com ele nem parece que sou uma "espécie" de amante.
[E.U.]: É. Nem parece. Nem um pouco.
[B.E.S.T.A]: Ele anda comigo pra cima e pra baixo na faculdade, como se eu fosse namoradinha dele!
[E.U.]: Ahh, tá namorando com as duas então... que lindo!

[B.E.S.T.A]: Me leva pras aulas dele, é muuuuito carinhoso comigo, enfim...
[E.U.]: Já apresentou pros pais também?

[B.E.S.T.A]: Na semana passada tinha visto ele na segunda e depois só o vi nessa segunda.
[B.E.S.T.A]: A saudade foi tão grande, apertava meu coração, mas quando eu o vi foi muuuuuuito mais gostoso!

[B.E.S.T.A]: Escreve um texto sobre "saudades" pra mim?
[E.U.]: Escrevo. Você paga quanto?

[B.E.S.T.A]: Tem que ser na amizade. Não pago nada, besta!
[E.U.]: Besta? Eu?



Saudades
(a poesia)


Sentidos se transformam,
Na mistura da melodia,
Onde a chuva vira sol,
Onde a noite vira dia.

O arder áspero, cínico, da paixão,
A fumaça quente do dia-a-dia,
Transformam as salgadas cinzas da vida,
Em insenso de alegria.

Ruídos viram sinfonia,
Perdem-se as vaidades,
Matam-se os orgulhos,
Aumentam-se as vontades.

E a saudades...

Behappy,.
Rafael Baltresca
http://baltresca.blogspot.com

terça-feira, 20 de junho de 2006

Desejo que você seja muito infeliz.

Imagine uma montanha russa plana. Apenas imagine...

Trezentos metros de madeiras enfileiradas, suportadas por hastes rígidas com tudo que se tem direito: O barulho enferrujado do vagão, o tremor do carrinho pelas rodas de ferro, o ventinho no rosto, o cheiro do lago ao lado, a fila, o sol batendo de frente, o pipoqueiro atrás e tudo que uma montanha russa pode ter,

mas totalmente plana. E sem gritos.

Você entra e não olha para sua mãe, calma, que está na fila, porque não tem medo.
Você senta e não se segura no apoio e nem coloca o cinto de segurança porque simplesmente é opcional.

O operador dá o sinal, o trem começa a correr, correr, atinge a velocidade máxima e não se ouve nenhum grito, nenhum sinal de emoção, nenhum sinal de vida, simplesmente nada acontece.

A brincadeira termina. Todo mundo sai e vai pro tobogã,

também plano.


Experimente comer uma barra de chocolate depois de um delicioso pudim de leite com calda de caramelo.
Experimente.

Não tem graça, não tem gosto!

É como andar numa montanha russa sem curvas sem chuvas, é como brincar num tobogã plano num dia sem sol – é inodoro, insípido e incolor, como já dizia sua professorinha sem sal da 2ª série.

Um dia numa aula de cálculo com o professor Agnaldo Prandini Ricieri, foi anunciado: “Crasse, na próxima aula vou ensinar uma fórmula para acabar com a morte!”

Fui pra casa pensando na idiotice que viria e, da mesma forma, me indagava se poderia existir tal fórmula, tão grande era o respeito que tinha por aquele mestre.
Voltei curiosíssimo na aula seguinte e descobri que ele não estava brincando. Ele realmente tinha a fórmula da não-morte.

Ricieri: “Crasse, é fácil. Pra que não tenha mais mortes, temos que simplesmente dizimar a população – matar todo mundo; desta forma não vai ter mais vidas e conseqüentemente não haverá mais mortes.”

Ridículo?
Absurdo?
Fato?

Ele estava corretíssimo.

Só existe morte quando há vida.
Só existe luz quando há escuridão.
Só existe amor quando há o ódio.
Só existe felicidade quando há a tristeza.

O contrário é fundamental na vida, o oposto aguça os extremos e nos permite ver as diferenças.

Eu desejo que você seja muito infeliz.
Desejo que você caia em depressão e ouça bastante Fagner e Fábio Jr.
Desejo que seu coração seja dilacerado na estrofe “as metades da laranja, dois amantes dois irmãos”.
Desejo que tenha muitos namorados que te humilhem e te faça sofrer de verdade.

É o que desejo...

Para que quando vier o amor, a felicidade, a alegria, que venha de verdade – com toda a força -, transborde e atinja seu ponto máximo, seu pico, seu cume, e para que o extremo seja degustado com muito, muito mais sabor e dê uma razão pro que chamamos de vida.

Se for andar de montanha russa, que seja a mais sinuosa possível, que o tobogã seja bem alto e proporcione quedas bruscas e que machuquem; que machuquem muito, só pra depois sarar.

Se for comer suflair, coma depois de um bom churrascão salgado– com muita pimenta – para arder as goelas e rasgar forte na garganta, só pra depois parar de doer.

E que o Zezé di Camargo continue fazendo o que faz de melhor: produzir muitas e muitas músicas ruins. Só pra gente ouvir um Pink Floyd ou Elvis Presley depois...

“How I wish, how I wish you were here...”

E que ela tenha muito chulé e frieira no pé...
E que eu tenha talco.

Nada nessa mão

Por Rafael Baltresca - (20/06/2006 - 11h55)

Um mágico.

Um mágico que anda;
Um mágico que anda, anda e pensa;
Um mágico que anda, anda, pensa e faz;
Um mágico que anda pensando que faz muito e que anda fazendo muito - pouco - , mas mesmo assim, ainda anda.

Um mágico que escreve;
Um mágico que escreve, escreve e pensa;
Um mágico que escreve, escreve, pensa e lê;
Um mágico que escreve pensando que lê muito e que escreve lendo muito - pouco - , mas mesmo assim, ainda escreve.

Um mágico que vive;
Um mágico que vive, vive e pensa;
Um mágico que vive, vive, pensa e sente;
Um mágico que vive pensando que sente muito e que vive sentindo muito - pouco - , mas mesmo assim, ainda vive.

Um mágico que anda escrevendo que vive;

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Pra mim, Poesia - (O drama da cama vazia)

Por Rafael Baltresca,
a 07/06/2006 às 08h34 e a 09/06/2006 às 17h59.

Cama vazia,
lençóis estendidos, amassos que ex-tendia,
abraços perdidos (sofridos), não entendidos,
a pele fria.

Calor irradia, pra fora.
Sonhos tremidos, temidos um dia.
Gemidos ouvidos, ruídos agora,
sem voz, sem cheiro, agonia.

Silêncios ao meio-dia.
A água,
fria,
judia.

Ou alegria?

Cama vazia,
2 copos sujos na pia.
Lençóis espalhados na sala,
a janela vê o que o teto não fala.

Chuveiro mal fechado,
o chão espalha o molhado.
Toalha ensopada, jogada na cama,
a pele na pele, apela, inflama. (Repele o drama)

O vinho tinto tinge o suor,
quanto mais tenso,
mais denso,
melhor.

Ruídos de madrugada,
Deitada na cama se espalha, pelada.
E a água fria,
judia.

Pra uns, agonia é a vida vadia;
Pra uns, é fantasia a melodia do dia.
E pra mim,
poesia.

sexta-feira, 2 de junho de 2006

"A Casa"

Você está acompanhado de amigos. Um lê uma revista antiga, outro folheia um jornal, outro apenas espera.
As luzes se enfraquecem...
Calmamente, um jagunço de uns 30 anos - aparentando 40 - armado até os dentes, vem a passos lentos e o cheiro insuportável e ácido de cachaça com suor entram em suas narinas e queimam seus receios.
Vocês trocam olhares, cheiros, toques. O jagunço diz o que queria e sai; ninguém fala nada.
"Se Deus vier pro sertão, dessa vez que venha armado..."
Um sorridente e cortês senhor vai ao seu encontro e convida você e seus amigos a passearem por lugares nunca antes visitados: As profundas de uma memória.

Paixões, brigas, mortes, devaneios, medos são vividos pelos espectadores numa fascinante visita à memória de um povo que nos rios, na bala, na terra ou no mato encontravam a verdadeira felicidade.

Escrito e Dirigido por Rudifran Pompeu,
"A Casa" - Espetáculo itinerante onde a platéia acompanha os atores em 2 andares de um casarão, vivenciando a memória de um povo marcado pelo sangue da terra e que morre na virtude do aço.

Rua Major Diogo, 91 - Centro
Quintas-feiras: 21h
Sábados: 21h
Domingos: 17h