Saiu de casa e foi numa granja mais próxima:
- Tem pato?
- Coxa ou sobrecoxa?
- Não, quero um vivo.
- Vivo? Deve ter, mas é mais caro.
- Me dá o maior.
E assim foi feito.
Já em casa, com uma tesoura pouco afiada, ia cortando, com a delicadeza de uma chef de cozinha, as azinhas do pobre coitado. O patinho chorava, gritava, uivava. E ela, uivava junto, aproveitando cada momento de dor.
Pronto, as duas já estavam cortadas. Agora as asas não lhe faltavam mais.
Era um anjinho completo.
continua...
segunda-feira, 28 de abril de 2008
domingo, 27 de abril de 2008
Diário de um maníaco (Insano. Bingo!)
Sexta-feira, 18h01.
Olá. Eu sou maníaco.
Sim, maníaco. Desses que explodem bombas, matam velhinhas, abusam sexualmente de animais etc. Imagino que você já tenha ouvido falar de mim. Bom, para não deixar as coisas muito impessoais, vamos criar um nome fictício para mim: você pode me chamar de Aníbal Antunes José Ferreira Martins Oliveira.
Agora estou no centro de São Paulo, pensando em algum terror para fazer. Porque, se você não sabe, isto é o que nos dá prazer. Fazer terror, colocar pânico nas pessoas etc... A troco de quê? De fama, cartazes, notícias de jornais etc.
Quero fazer algo diferente hoje. Algo que eu nunca fiz.
Algo que seja mais macabro do que simplesmente sufocar velhinhas, explodir ônibus, torturar crianças. Quero algo que eu nunca fiz... já sei. Um ato de masoquismo em dupla. Isso. Quero torturar e ser torturado ao mesmo tempo. Provavelmente será uma experiência fantástica. Mas tem que ser muito forte.
Hmmm. Pode ver aquela senhora na escada rolante? Que tal se eu pulasse no pescoço dela e caíssemos, nós dois, no andar de baixo?
Não. Muito fraco.
Já sei. Olha aquele mendigo fora do prédio. Vou pegá-lo pelo cabelo sujo e vou nos jogar debaixo daquele ônibus.
Não. Muito simples.
Pronto! Pego um avião, mato o piloto e o copiloto. Aí o avião cai e apagamos uma centena.
Não. Muito normal.
Pensa, pensa, cabecinha. Pense em algo que realmente fira as entranhas de uma pessoa. Que seja sujo, imoral, que humilhe, traumatize, silencie e sufoque alguém.
Difícil pensar. Difícil encontrar algo que realm... Bingo!
Como eu não tinha pensado em algo tão insano antes? Como?
- Moço do taxi, por gentileza, poderia me levar até este bairro aqui?
- Claro senhor. Tem alguma rodovia de preferência?
- Depende. Que dia é hoje?
- Sexta-feira.
- Que horas são?
- 18h30.
- Ótimo. Vamos pela marginal Tietê.
Insano. Bingo!
Olá. Eu sou maníaco.
Sim, maníaco. Desses que explodem bombas, matam velhinhas, abusam sexualmente de animais etc. Imagino que você já tenha ouvido falar de mim. Bom, para não deixar as coisas muito impessoais, vamos criar um nome fictício para mim: você pode me chamar de Aníbal Antunes José Ferreira Martins Oliveira.
Agora estou no centro de São Paulo, pensando em algum terror para fazer. Porque, se você não sabe, isto é o que nos dá prazer. Fazer terror, colocar pânico nas pessoas etc... A troco de quê? De fama, cartazes, notícias de jornais etc.
Quero fazer algo diferente hoje. Algo que eu nunca fiz.
Algo que seja mais macabro do que simplesmente sufocar velhinhas, explodir ônibus, torturar crianças. Quero algo que eu nunca fiz... já sei. Um ato de masoquismo em dupla. Isso. Quero torturar e ser torturado ao mesmo tempo. Provavelmente será uma experiência fantástica. Mas tem que ser muito forte.
Hmmm. Pode ver aquela senhora na escada rolante? Que tal se eu pulasse no pescoço dela e caíssemos, nós dois, no andar de baixo?
Não. Muito fraco.
Já sei. Olha aquele mendigo fora do prédio. Vou pegá-lo pelo cabelo sujo e vou nos jogar debaixo daquele ônibus.
Não. Muito simples.
Pronto! Pego um avião, mato o piloto e o copiloto. Aí o avião cai e apagamos uma centena.
Não. Muito normal.
Pensa, pensa, cabecinha. Pense em algo que realmente fira as entranhas de uma pessoa. Que seja sujo, imoral, que humilhe, traumatize, silencie e sufoque alguém.
Difícil pensar. Difícil encontrar algo que realm... Bingo!
Como eu não tinha pensado em algo tão insano antes? Como?
- Moço do taxi, por gentileza, poderia me levar até este bairro aqui?
- Claro senhor. Tem alguma rodovia de preferência?
- Depende. Que dia é hoje?
- Sexta-feira.
- Que horas são?
- 18h30.
- Ótimo. Vamos pela marginal Tietê.
Insano. Bingo!
Aquelas cartas (metade de você)
O que é que eu faço com aquelas cartas?
Aquelas cartas que falavam a língua do seu coração.
Aquelas que diziam amores e suspiros em cada linha rabiscada.
E aquelas cartas improvisadas?
Aquelas cartas improvisadas com papel achado no bar.
Aquelas mensagens improvisadas com palavras achadas lá dentro.
E o que é que eu faço com os sorrisos tristes daquelas cartas?
A tristeza de partir misturada com a alegria de saber que vai voltar.
A alegria de saber que vai voltar... O que é que eu faço agora que eu sei que não vai mais voltar?
O que é que eu faço com aquelas cartas?
Aquelas que eram colocadas escondidas só para o outro brincar de encontrar.
O que é que eu faço para encontrar o que não existe mais?
E as juras de amor eterno? E as promessas de felicidade? Diz o que é que eu faço.
Envio-as de volta e fico sem metade de mim?
Ou fico com elas guardando metade de você?
O que é que eu faço com essa metade de você?
Fico pra mim ou deixo guardada com aquelas cartas?
http://www.youtube.com/watch?v=6jpXaZhezIo
Aquelas cartas que falavam a língua do seu coração.
Aquelas que diziam amores e suspiros em cada linha rabiscada.
E aquelas cartas improvisadas?
Aquelas cartas improvisadas com papel achado no bar.
Aquelas mensagens improvisadas com palavras achadas lá dentro.
E o que é que eu faço com os sorrisos tristes daquelas cartas?
A tristeza de partir misturada com a alegria de saber que vai voltar.
A alegria de saber que vai voltar... O que é que eu faço agora que eu sei que não vai mais voltar?
O que é que eu faço com aquelas cartas?
Aquelas que eram colocadas escondidas só para o outro brincar de encontrar.
O que é que eu faço para encontrar o que não existe mais?
E as juras de amor eterno? E as promessas de felicidade? Diz o que é que eu faço.
Envio-as de volta e fico sem metade de mim?
Ou fico com elas guardando metade de você?
O que é que eu faço com essa metade de você?
Fico pra mim ou deixo guardada com aquelas cartas?
http://www.youtube.com/watch?v=6jpXaZhezIo
Inércia
Toda vez que te vejo, fico assim. Imóvel.
Quando sinto seu cheiro, me torno uma estátua. Paralisado.
Sempre que penso em você, minha respiração trava. Não me mexo e nem quero me mexer.
E quando você vai embora, meu coração pára, minha respiração dispara.
Se não olha mais pra mim, fico perdido. Sem saber o que fazer, ou onde ir.
O mundo pode até tentar girar, mas continuo parado.
Meu mundo é você quem faz.
Meus passos é você quem trilha.
Meu formato é você quem molda.
E essa inércia dos infernos é o que realmente me alucina.
Quando sinto seu cheiro, me torno uma estátua. Paralisado.
Sempre que penso em você, minha respiração trava. Não me mexo e nem quero me mexer.
E quando você vai embora, meu coração pára, minha respiração dispara.
Se não olha mais pra mim, fico perdido. Sem saber o que fazer, ou onde ir.
O mundo pode até tentar girar, mas continuo parado.
Meu mundo é você quem faz.
Meus passos é você quem trilha.
Meu formato é você quem molda.
E essa inércia dos infernos é o que realmente me alucina.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Dá até gosto de ver
Só a vida é perfeita em seu estágio elementar, principal.
Só a vida é bela por natureza. E única.
Se há vida, há pureza, há perfeição.
Se há sorrisos, estórias, histórias, há vida.
Se há amor, alegria, pureza, há vida.
A vida desaflora, se reproduz e cresce.
Mas a morte tem uma objetividade que dá até gosto de ver.
Dá até gosto de ver.
Só a vida é bela por natureza. E única.
Se há vida, há pureza, há perfeição.
Se há sorrisos, estórias, histórias, há vida.
Se há amor, alegria, pureza, há vida.
A vida desaflora, se reproduz e cresce.
Mas a morte tem uma objetividade que dá até gosto de ver.
Dá até gosto de ver.
Deus não existe
Deus passa a existir...
Quando você vê o mar, à noite, quieto, calmo.
Quando você ouve os passarinhos de manhã.
Quando você caminha na areia úmida descalço.
Quando você percebe o ar que entra.
Quando você encosta o seu dedo indicador em seu rosto perfeito.
Quando você nota perfeição do ser.
Quando sua mãe almoça aroz e feijão com você.
Quando você toma caipirinha ao som de piano, descalço, no bar.
Quando você ama.
Quando amam de você.
Quando você aprende que você é muito mais do que aparenta ser.
E não se importa para onde vai... porque você sabe que, quando você for, ele vai existir para te esperar.
Quando você vê o mar, à noite, quieto, calmo.
Quando você ouve os passarinhos de manhã.
Quando você caminha na areia úmida descalço.
Quando você percebe o ar que entra.
Quando você encosta o seu dedo indicador em seu rosto perfeito.
Quando você nota perfeição do ser.
Quando sua mãe almoça aroz e feijão com você.
Quando você toma caipirinha ao som de piano, descalço, no bar.
Quando você ama.
Quando amam de você.
Quando você aprende que você é muito mais do que aparenta ser.
E não se importa para onde vai... porque você sabe que, quando você for, ele vai existir para te esperar.
Morte
Morte é pura. Pra quem foi;
Morte é tortura. Pra quem fica.
Morte é saudades;
Morte é verdade.
Morte é rápida;
Morte é muito cedo;
Morte é tarde demais;
Morte é alegre para frente;
Morte é triste para trás;
Morte não é mais.
Morte foi.
Morte é tortura. Pra quem fica.
Morte é saudades;
Morte é verdade.
Morte é rápida;
Morte é muito cedo;
Morte é tarde demais;
Morte é alegre para frente;
Morte é triste para trás;
Morte não é mais.
Morte foi.
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Pessoas jurídicas
Às 10 da manhã.
- Muito prazer. Meu nome é Jorge Farias. Sou CEO da Johnsey CO. Trabalho com processos, métodos, formas inovadoras de gerenciamento aplicado à negócios.
- O prazer é todo meu. Meu nome é Rebeca Gurmondes Freitas. Sou sócia-proprietária da Freitas & Fagundes advogados. Não advogo mais. Hoje eu apenas controlo nossas 35 filiais pelo Brasil. Me formei em direito, letras e sociologia política. Leciono em duas faculdades e estou terminando meu doutorado em ciências pseudo-econômicas.
- Bom, já que estão se apresentando, deixe-me falar de mim: Meu nome é Thaís Amaral. Sou responsável pelo marketing administrativo da Karuck Freitas. Estudo há 8 anos perfis de compradores. Estou desenvolvendo um estudo revolucionário na área.
Às 15h30 estão lá na Atrativa, academia de ginástica e natação, vendo seus filhos de 3, 5 e 7 anos na piscininha brincando com os tios.
Jorge, Rebeca e Thaís são pessoas de sorte. Ainda podem desfrutar de alguns prazeres verdadeiros que só pessoas físicas podem ter.
- Muito prazer. Meu nome é Jorge Farias. Sou CEO da Johnsey CO. Trabalho com processos, métodos, formas inovadoras de gerenciamento aplicado à negócios.
- O prazer é todo meu. Meu nome é Rebeca Gurmondes Freitas. Sou sócia-proprietária da Freitas & Fagundes advogados. Não advogo mais. Hoje eu apenas controlo nossas 35 filiais pelo Brasil. Me formei em direito, letras e sociologia política. Leciono em duas faculdades e estou terminando meu doutorado em ciências pseudo-econômicas.
- Bom, já que estão se apresentando, deixe-me falar de mim: Meu nome é Thaís Amaral. Sou responsável pelo marketing administrativo da Karuck Freitas. Estudo há 8 anos perfis de compradores. Estou desenvolvendo um estudo revolucionário na área.
Às 15h30 estão lá na Atrativa, academia de ginástica e natação, vendo seus filhos de 3, 5 e 7 anos na piscininha brincando com os tios.
Jorge, Rebeca e Thaís são pessoas de sorte. Ainda podem desfrutar de alguns prazeres verdadeiros que só pessoas físicas podem ter.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Como frangos
- Galerinha da mamäe, adivinhem o que tem para jantar?
- Com a fome que eu estou, querida, como até um boi.
- O que é mamäe? O que é?
- Ninguém vai tentar adivinhar?
- Hummm. Frango?
- Sim. Frangooooooo!
- Ai, que delícia, mamäe. Adoro frango.
- Hoje vocë acertou, querida. Um franguinho vai cair muito bem.
- Mnham mnham mnham.. quero frango, mamäe. Adoro frango. Quentinho, tostadinho, que gostoso.
- Todo mundo pra mesa que tem muito frango para vocës: Empanado, frito, cozido, na salada e com alho.
- Eu vou pegar esse aqui.. hmm. Que delícia!
- E eu fico com esse e esse e esse... como gostamos de frango.
- Viva frangooo! Vivaaaaa!
Duas horas depois...
- Nossa.. quanto frango sobrou. Vou fazer frango para vocës amanhä.
- Ahh näo, mäe. Frango näo. Näo aguento mais frango.
- É, querida. Pode jogar fora. Frango, näo queremos mais....
...
Vocë é o que vocë come.
E assim caminha a humanidade.
E continuamos vivendo... como frangos.
- Com a fome que eu estou, querida, como até um boi.
- O que é mamäe? O que é?
- Ninguém vai tentar adivinhar?
- Hummm. Frango?
- Sim. Frangooooooo!
- Ai, que delícia, mamäe. Adoro frango.
- Hoje vocë acertou, querida. Um franguinho vai cair muito bem.
- Mnham mnham mnham.. quero frango, mamäe. Adoro frango. Quentinho, tostadinho, que gostoso.
- Todo mundo pra mesa que tem muito frango para vocës: Empanado, frito, cozido, na salada e com alho.
- Eu vou pegar esse aqui.. hmm. Que delícia!
- E eu fico com esse e esse e esse... como gostamos de frango.
- Viva frangooo! Vivaaaaa!
Duas horas depois...
- Nossa.. quanto frango sobrou. Vou fazer frango para vocës amanhä.
- Ahh näo, mäe. Frango näo. Näo aguento mais frango.
- É, querida. Pode jogar fora. Frango, näo queremos mais....
...
Vocë é o que vocë come.
E assim caminha a humanidade.
E continuamos vivendo... como frangos.
Um dia eu descobri
Que psicólogos ficam tristes;
Que terapeutas de casais se separam;
Que palestrantes motivacionais também acordam desmotivados;
Que top-models nem sempre se sentem tão belas;
Que psiquiatras podem ser loucos;
Que atores famosos também são inseguros;
Que os professores erram de vez em quando;
Que padres cometem pecados;
Que os maestros nem sempre estão no tom certo;
Que médicos também erram;
Que as mães dos políticos não são o que falam;
Que juízes de futebol tem time do coração;
Que dentistas não têm dentes perfeitos;
Que os taxistas se perdem de vez em quando;
Que alguns amantes, não necessariamente se amam;
Que gêmeos idênticos são diferentes;
Que cada pensamento é diferente;
Que mesmo os pensamentos diferentes, podem ter algo em comum;
Que muita gente passa a vida tentando descobrir;
Que muita gente sonha em ser descoberto.
E o pior. Que o viado do Papai Noel existe de verdade.
Putaquepariu. Bem que eu desconfiava.
Que terapeutas de casais se separam;
Que palestrantes motivacionais também acordam desmotivados;
Que top-models nem sempre se sentem tão belas;
Que psiquiatras podem ser loucos;
Que atores famosos também são inseguros;
Que os professores erram de vez em quando;
Que padres cometem pecados;
Que os maestros nem sempre estão no tom certo;
Que médicos também erram;
Que as mães dos políticos não são o que falam;
Que juízes de futebol tem time do coração;
Que dentistas não têm dentes perfeitos;
Que os taxistas se perdem de vez em quando;
Que alguns amantes, não necessariamente se amam;
Que gêmeos idênticos são diferentes;
Que cada pensamento é diferente;
Que mesmo os pensamentos diferentes, podem ter algo em comum;
Que muita gente passa a vida tentando descobrir;
Que muita gente sonha em ser descoberto.
E o pior. Que o viado do Papai Noel existe de verdade.
Putaquepariu. Bem que eu desconfiava.
Ótimos votos
Quantos votos de Feliz Natal você já mandou nesta semana? E quantos já recebeu?É, digo mandou e recebeu porque agora este clichê eletrônico está na moda. Com o advento dos e-mails, ganhamos o e-clichê.
Esses dias recebi um e-mail com o título "Meus votos...". Bom, o resto eu não me lembro, pois, antes de chegar a mensagem toda, ela já tinha sido apagada. Sem dó.
Depois de alguns dias vim a descobrir que não era "Meus votos de Feliz Natal" como imaginava, mas sim, "Meus votos recebidos na última eleição". Era do síndico do meu prédio, grande amigo. Coitado.
Pedi para enviar de novo. Ainda bem que ele entendeu a minha indignação....
Antes de explicá-la, responda a seguinte questão:
Quando você recebe um virtual - ou real - "Feliz Natal!", você...
a) Se comove?
b) Se alegra?
c) Fica puto?
d) Continua igual?
Se a sua resposta for a d, qual é a motivação, ou seja, o motivo que o leva a desejar um Feliz Natal para os seus amigos, ou pior, para toda a sua lista de e-mails?
Vou a fundo: A comunicação é baseada em interpretações.
Você vê, ouve ou sente algo. Esta informação é passada para o cérebro que interpreta o que foi recebido, daí, temos uma reação. Esta reação, que pode ser um sorriso, uma cara de mal ou apenas um sentimento interno, fecha o ato da comunicação.
Se uma informação é passada e a mesma não provoca nenhum sentimento, qual é o significado dela? Nenhum!
É aí que mora o problema do Feliz Natal - entenda "Feliz Natal", "Feliz Páscoa", "Feliz Ano Novo" e extrapolo para "Feliz Aniversário com muita saúde, paz e dinheiro": E daí? O que muda? Se não serve pra nada, pra que dizer? Para manter a clichezisse aguda depois de uma despedida sem-assunto, ou para aumentar seu marketing pessoal em suas mensagens virtuais?
Bom, faça o que quiser, mas eu já decidi. Quando ouço um clichê desses, dou um sorrisinho maroto e só. Nem me atrevo a retribuir o que eu sei que não vai servir para nada. Prefiro guardar minhas energias natalinas pra hora da ceia, o fim do peru. Xiii, a ceia natalina. Isso dá outro post regado à lentilhas e panetones.
Por hora, fico por aqui.
E aproveito para desejar-lhe um feliz natal, feliz ano novo, feliz páscoa, feliz dia da árvore, feliz dia do índio e o que mais você quiser engolir. Junto com o peru.
Pra você e pra quem for da sua família.
Antes de explicá-la, responda a seguinte questão:
Quando você recebe um virtual - ou real - "Feliz Natal!", você...
a) Se comove?
b) Se alegra?
c) Fica puto?
d) Continua igual?
Se a sua resposta for a d, qual é a motivação, ou seja, o motivo que o leva a desejar um Feliz Natal para os seus amigos, ou pior, para toda a sua lista de e-mails?
Vou a fundo: A comunicação é baseada em interpretações.
Você vê, ouve ou sente algo. Esta informação é passada para o cérebro que interpreta o que foi recebido, daí, temos uma reação. Esta reação, que pode ser um sorriso, uma cara de mal ou apenas um sentimento interno, fecha o ato da comunicação.
Se uma informação é passada e a mesma não provoca nenhum sentimento, qual é o significado dela? Nenhum!
É aí que mora o problema do Feliz Natal - entenda "Feliz Natal", "Feliz Páscoa", "Feliz Ano Novo" e extrapolo para "Feliz Aniversário com muita saúde, paz e dinheiro": E daí? O que muda? Se não serve pra nada, pra que dizer? Para manter a clichezisse aguda depois de uma despedida sem-assunto, ou para aumentar seu marketing pessoal em suas mensagens virtuais?
Bom, faça o que quiser, mas eu já decidi. Quando ouço um clichê desses, dou um sorrisinho maroto e só. Nem me atrevo a retribuir o que eu sei que não vai servir para nada. Prefiro guardar minhas energias natalinas pra hora da ceia, o fim do peru. Xiii, a ceia natalina. Isso dá outro post regado à lentilhas e panetones.
Por hora, fico por aqui.
E aproveito para desejar-lhe um feliz natal, feliz ano novo, feliz páscoa, feliz dia da árvore, feliz dia do índio e o que mais você quiser engolir. Junto com o peru.
Pra você e pra quem for da sua família.
Ah, uma informação muito mais importante e relevante que "Feliz Natal": O síndico do meu prédio foi reeleito.
Ele teve, como sempre,...
Ótimos votos!
O presente
Bateu na porta e soluçou:
- Estava jogado no chão. É seu?
Quase pelado, atendeu:
- Não, mas gostei do embrulho. Vende pra mim?
- É caro.
- Não te perguntei o preço, moleque.
- Compra?
- Compro. Quanto?
- Quarenta.
- Pago setenta.
- Faço por noventa.
- Dou cem.
Leiloaram.
- Feito.
O menino se virou e sumiu pela chuva. O homem fumou mais meio cigarro, mijou e voltou para a cama. Nunca lavava as mãos.
- O que é?
- Não sei. Ganhei agora. É presente.
- Posso abrir?
- Abre.
Deitada, abriu:
- É novo. Tá limpo.
- Deixa eu ver. Limpo tá o seu cérebro. Não vê o que tem?
- Vejo um bloco de papel em branco. Todas as folhas assim, branquinhas. Sem nada.
- Sem nada está a tua alma. Olha denovo.
- Já te disse, homem. Folhas em branco e um rodapé. Nem capa tem.
- Não vê que é um livro de poesias, crônicas, verdades imaginárias e imaginações reais?
- Voltou a cheirar pó, desgraça?
- Pega uma folha.
- Hã?
- Coloca contra o sol. Vê o quê?
- A sombra das crianças brincando.
- Faz um furo no meio e olha pra lá. Enxerga alguma coisa?
- O vizinho batendo na esposa, e ela ri.
- Passa o papel no pulso, rápido.
- Ai, me cortou!
- Se com uma única folha de papel você viu a sombra de teus filhos, o vizinho espancando a esposa e teu sangue escorrendo pelo pulso, como pode sua ignorância dizer que em centenas dessas não há nada?
E ela sangrou até a morte.
E ele sorria, apertava e beijava as folhas em branco, contidas de infinitas possibilidades e apenas um rodapé: http://sucodesangue.blogspot.com/
- Estava jogado no chão. É seu?
Quase pelado, atendeu:
- Não, mas gostei do embrulho. Vende pra mim?
- É caro.
- Não te perguntei o preço, moleque.
- Compra?
- Compro. Quanto?
- Quarenta.
- Pago setenta.
- Faço por noventa.
- Dou cem.
Leiloaram.
- Feito.
O menino se virou e sumiu pela chuva. O homem fumou mais meio cigarro, mijou e voltou para a cama. Nunca lavava as mãos.
- O que é?
- Não sei. Ganhei agora. É presente.
- Posso abrir?
- Abre.
Deitada, abriu:
- É novo. Tá limpo.
- Deixa eu ver. Limpo tá o seu cérebro. Não vê o que tem?
- Vejo um bloco de papel em branco. Todas as folhas assim, branquinhas. Sem nada.
- Sem nada está a tua alma. Olha denovo.
- Já te disse, homem. Folhas em branco e um rodapé. Nem capa tem.
- Não vê que é um livro de poesias, crônicas, verdades imaginárias e imaginações reais?
- Voltou a cheirar pó, desgraça?
- Pega uma folha.
- Hã?
- Coloca contra o sol. Vê o quê?
- A sombra das crianças brincando.
- Faz um furo no meio e olha pra lá. Enxerga alguma coisa?
- O vizinho batendo na esposa, e ela ri.
- Passa o papel no pulso, rápido.
- Ai, me cortou!
- Se com uma única folha de papel você viu a sombra de teus filhos, o vizinho espancando a esposa e teu sangue escorrendo pelo pulso, como pode sua ignorância dizer que em centenas dessas não há nada?
E ela sangrou até a morte.
E ele sorria, apertava e beijava as folhas em branco, contidas de infinitas possibilidades e apenas um rodapé: http://sucodesangue.blogspot.com/
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