Sempre sou muito cauteloso quando faço mágica. Quando alguém me pergunta se é mágica de verdade, logo digo que são habilidades que podem ser aprendidas por qualquer um; digo também que a mágica, ou ilusionismo - como chamam, é simplesmente uma união de destreza, técnica, amor à profissão e muita força de vontade.
Há umas semanas estava num show no Rio de Janeiro, pertinho da Barra da Tijuca, fazendo mágicas para uns funcionários de uma empresa carioca, quando vejo um senhor se aproximar de mim. Ele aparentava ter uns quarenta e muitos anos, era moreno, não tinha barba e mantinha um bigodão cheio e grosso abaixo do nariz.
Acha estranho dizer que era abaixo do nariz? Depois te falo onde fica o bigode da Dona Zeumira, a pipoqueira.
Particularmente, sou uma pessoa que nota fácil os sentimentos de alguém apenas com um simples olhar e, nesse momento, eu sabia que aquele senhor não estava muito contente com a idéia de mágico no evento da empresa dele.
Sem nenhum preconceito, mas com algumas dúvidas, me dirigi a ele e perguntei: - Boa tarde. O senhor gostaria de ver uma mágica?
Ele, sem paciência e muito rápido, responde: - Olha moço, eu sou evangélico e não posso ver essas coisas do capeta, não. Não acredito em macumba.
- Pode ficar tranqüilo que minha mágica não tem feitiço nenhum. Tudo é questão de habilidade e treino; até o senhor poderia fazer mágica, falei, tentando ganhar a simpatia de um espectador.
- Não me leve a mal não moço, mas como eu falei, sou evangélico, gente do bem e não posso ver nada disso não, continuou firme o senhor.
- Tudo bem então. Até mais, desisti.
- Olha, que Deus abençoe! Você será curado, Deus te guie, praguejou ele. E se foi.
(Que coisa mais impressionante. Não vou nem pensar em discutir a religião dele, mas, como somos escravos de nossos paradigmas. Como é forte o poder de nosso consciente sobre nossa vida.
Você deve estar pensando: "Que absurdo! Como uma religião pode controlar a vida de uma pessoa desta maneira?", mas tenho certeza que também és escravo de seus pensamentos enraizados, seus malditos os paradigmas. Estou certo que coloca sua mão no fogo por besteiras cerebrais, coisas que vem lá de dentro e vão lá pra fora.)
- Tudo bem então. Até mais, desisti.
- Olha, que Deus lhe abençoe! Você será curado, praguejou ele. E se foi.
E eu? Bom, me eu me despedi das pessoas presentes, matei duas galinhas pretas, juntei com pipoca, canjica, uma garrafa de pinga e fumei um charutinho.
Só pra relaxar.
8 comentários:
Olá senhor Baltresca!!!
Hj no meu cursos de desenho eu lembrei de vc.
Resolvi dar uma passadinha aqui e achei engraçado vc ter escrito sobre paradigmas,“... besteiras cerebrais, coisas que vem lá de dentro e vão lá pra fora...”, pois foram justamente estes pensamentos que me fizeram concluir, que vc não foi o meu grande amor, mas sim o meu melhor amor. Complexo, não?!...rs
Qualquer dia com uma caipirinha ou com um bom vinho, se continuar este frio, eu te explico melhor esta minha conclusão.
Beijinhos
sronrefnion...oãsulcnoc.anodmetájeuqarofiacatoragautises
fato.
?aralcsiamresairedop...rednetneetogisnocoãnadnia,ogidócuesodnarficedomsem,emúiCevauS
ononon...ah...simplesmentesimples...etoreiuqohcum... ltarvoie...
Veredictos? Ainda não...
Pretty emuicevaus...
Arde, queima...
enola...aireuq a aigam ed mu euqot ues...
Você é mesmo um ilusionista com uma insidiosa habilidade para formar opiniões!
Mas...onde mesmo fica o bigode da Dona Zeumira, a pipoqueira?
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