“Meu irmão tá estudando pra faculdade também.... ele não sai do quarto nem pra tomar banho, haha” – Mas isso foi da primeira vez. O início.
É com açúcar ou adoçante?
Putz... aquele cara de novo. Lá vem ele com aquele papo chato de vendedor feliz que dá bom dia pra todo mundo.
“Olá meus amigos, que bom vê-los novamente. E as provas? Acabaram?”
Este senhor [que ainda não sei o nome] sempre (pela segunda vez) nos atende num restaurante de frutos do mar em São Caetano – mas insistimos em comer carne - . É do tipo gentil, agradável, sorridente no limite do quase-chato.... e eu, nas máximas de minhas antecipações ignorantes, o taxaria como um mala se não o tivesse visitado novamente para agora um suco de melancia; trocado, sem dó, por um de morango com limão, trocado novamente por um de morango com laranja. Isso! Morango com laranja deve ser uma delícia – e é [foi].
“Eu já sou um cara feliz, mas hoje estou mais feliz ainda. Além de ter o amor da minha vida, fiquei sabendo que vou ser papai pela primeira vez!”
Agora comecei a entender. E não é que ele era feliz mesmo? Nada de agradar clientes só por agradar.
“Pode deixar que eu sirvo vocês.” – À francesa.
Como que um garçom pode estar sempre tão contente assim? Ele não tem cara de quem... sei lá! Cara do que? Que cara? Ahhh – preconceito de merda que habita, momentaneamente, meu ser -.
“Você ainda é apaixonado pela sua esposa?” – pergunto eu.
“Apaixonado? Ah meu filho, sou apaixonado por ela há nove anos. Seis de casado e três de namoro. Parece que nascemos um pro outro... Como eu gosto dela! Somos cúmplices, sabe? Por exemplo... um vaso [um VASO?]; eu não mudo um vaso de lugar sem falar com ela antes... é um respeito mútuo, sabe?”
Esse filé mignon deve estar duro... A colher não está dando conta. (colher?).
Um filé é muito macio pra ser cortado com faca. Pra que cortar tão rápidinho três pedaços de carne com a faca?? Ahh não, o gostoso é cortar com colher mesmo – que não corta -. A colher vai separando pequenos pedaços de carne [internos à mesma] até que quando se menos espera, eles se soltam... como numa eterna espera... como se não quisesse machucar a carne.
“Eu amo minha mulher e sou correspondido. E isso é bom demais! Quando se ama, a vida é mais alegre, a gente trabalha melhor, tudo dá certo! Pra mim não existe traição. É como se os dois se fundissem formando uma só alma.
É difícil explicar, mas eu sei que você me entende.
Olha só pra ela. Com esse sorriso, não precisa dizer mais nada.”
O cafézinho é com açúcar ou adoçante?
2 comentários:
E o amor é assim doce.....da maneira que tem que ser [açúcar] ou apenas adoçado......[na mentira de pensar que estamos apaixonados]
Adoçante é uma mentira do açúcar.........um amor que naum é amor, um açúcar que naum é açúcar.
Grande questão da humanidade essa... O amor é doce, é fogo que arde sem se ver, é um bichinho que rói, rói, rói... Enfim, o que é o amor?
Acho que você mesmo respondeu a esta questão: amor é o que o garçom sente por seu emprego ao ser assim tão simpático a qualquer dia e a qualquer hora para massagear o ego dos clientes.
O amor te agarrou, cara, e não tem insulina que dê jeito... Aproveite.
Rasputin
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