O nome dele era Rubens. Rubens Flash Nogueira.
O Rubens veio do gosto da mãe. O Nogueira veio do pai. O Flash foi invenção dele próprio.
Quando Rubens fez 6 anos, ganhou uma máquina fotográfica de sua tia-avó.
- "O que esse moleque vai fazer com esse trambolho?", enfezou o pai.
- "O problema é dele.. deixa o menino brincar. Logo ele larga isso e vai com os amiguinhos.", defendeu a mãe.
Largar? Que largar que nada. Logo nos primeiros meses, o pequeno Rubens desenvolveu uma habilidade para tirar fotos sem igual. Já regulava o zoom sozinho, mexia na intensidade do flash, velocidade de abertura, ISO etc. Era um espetáculo o que esse menino fazia com sua câmera digital.
Aos 12 anos começou a se apresentar aos outros de uma forma um tanto quanto estranha:
- "Oi, meu nome é Rubens Flash" e (click). Já tirava uma foto da pessoa.
- "É pra guardadr pra eternidade...", dizia sorrindo.
E assim seguiu sua vida. Tirou foto do cachorro, do gato, do vizinho batendo na filha, do jogo de futebol, do papai noel chegando, do papai noel tirando a barba. Foi assim também com a sua primeira namorada:
_ "Quer namorar comigo?", (click).
- "Quero.", (click) (click).
Para o Rubens não havia coisa ruim. Ele convertia qualquer momento, até os mais tristes, em uma imagem, uma lembrança. Por exemplo, em um acidente em seu trabalho, com uma máquina de prensar, Rubens perdeu o dedo mínimo de sua mão esquerda. A dor era insuportável, mas ele conseguiu tirar a câmera do bolso, esticar o braço e clicar. Clicou 3 vezes para pegar o melhor ângulo. Clicou em seu rosto, também. Fotografou seu sofrimento e não se arrependeu depois:
- "Lembra-se deste dia? Faz tanto tempo, hein? Meu dedo foi embora, mas a foto ficou."
- "Olha só o dedo caído no chão, haha.", riu com seus amigos.
E assim continuou. Tirou foto de sua noiva, de seus irmãos, do semáforo piscando, do mendigo pedindo esmolas, do seu primeiro carro, da sua primeira casa, dos seus filhos nascendo e assim foi.
- "A foto quer dizer muita coisa sobre ele.", disse seu psicanalista ao juiz. Talvez este instinto por "roubar imagens" seja a explicação para a sua cleptomania.
Com 34 anos, mesmo com muita gente depondo à favor, Rubens Flash Nogueira foi indiciado a 5 anos na prisão por furto. Ele havia desenvolvido a cleptomania há oito anos.
Enquanto sua mãe chorava e seu pai olhava para baixo, tentando esconder sua dor, Rubens não dava a mínima:
- "Pessoal, isto é passageiro", (click). "Em 5 anos eu estou de volta." (click). "E com muitas fotos para contar a história..." (click) (click)
Durante seus passos para a prisão definitiva, Rubens fotografava os policiais, o juiz, seus pais ficando para trás, seus filhos e tudo que podia clicar, (click), afinal, é um registro para a eternidade, como ele mesmo dizia.
Após 5 anos, tendo passado por tudo que você possa imaginar, após ter literalmente comido o pão que o diabo amassou, o nosso Rubens, dentro da cela, se encontrava aos prantos, chorando como uma criança e batendo com as mãos nas grades da prisão.
Aos berros ele repetia:
- "Pilhas! Pelo amor de Deus! Eu preciso de pilhaaaaas."
O Rubens veio do gosto da mãe. O Nogueira veio do pai. O Flash foi invenção dele próprio.
Quando Rubens fez 6 anos, ganhou uma máquina fotográfica de sua tia-avó.
- "O que esse moleque vai fazer com esse trambolho?", enfezou o pai.
- "O problema é dele.. deixa o menino brincar. Logo ele larga isso e vai com os amiguinhos.", defendeu a mãe.
Largar? Que largar que nada. Logo nos primeiros meses, o pequeno Rubens desenvolveu uma habilidade para tirar fotos sem igual. Já regulava o zoom sozinho, mexia na intensidade do flash, velocidade de abertura, ISO etc. Era um espetáculo o que esse menino fazia com sua câmera digital.
Aos 12 anos começou a se apresentar aos outros de uma forma um tanto quanto estranha:
- "Oi, meu nome é Rubens Flash" e (click). Já tirava uma foto da pessoa.
- "É pra guardadr pra eternidade...", dizia sorrindo.
E assim seguiu sua vida. Tirou foto do cachorro, do gato, do vizinho batendo na filha, do jogo de futebol, do papai noel chegando, do papai noel tirando a barba. Foi assim também com a sua primeira namorada:
_ "Quer namorar comigo?", (click).
- "Quero.", (click) (click).
Para o Rubens não havia coisa ruim. Ele convertia qualquer momento, até os mais tristes, em uma imagem, uma lembrança. Por exemplo, em um acidente em seu trabalho, com uma máquina de prensar, Rubens perdeu o dedo mínimo de sua mão esquerda. A dor era insuportável, mas ele conseguiu tirar a câmera do bolso, esticar o braço e clicar. Clicou 3 vezes para pegar o melhor ângulo. Clicou em seu rosto, também. Fotografou seu sofrimento e não se arrependeu depois:
- "Lembra-se deste dia? Faz tanto tempo, hein? Meu dedo foi embora, mas a foto ficou."
- "Olha só o dedo caído no chão, haha.", riu com seus amigos.
E assim continuou. Tirou foto de sua noiva, de seus irmãos, do semáforo piscando, do mendigo pedindo esmolas, do seu primeiro carro, da sua primeira casa, dos seus filhos nascendo e assim foi.
- "A foto quer dizer muita coisa sobre ele.", disse seu psicanalista ao juiz. Talvez este instinto por "roubar imagens" seja a explicação para a sua cleptomania.
Com 34 anos, mesmo com muita gente depondo à favor, Rubens Flash Nogueira foi indiciado a 5 anos na prisão por furto. Ele havia desenvolvido a cleptomania há oito anos.
Enquanto sua mãe chorava e seu pai olhava para baixo, tentando esconder sua dor, Rubens não dava a mínima:
- "Pessoal, isto é passageiro", (click). "Em 5 anos eu estou de volta." (click). "E com muitas fotos para contar a história..." (click) (click)
Durante seus passos para a prisão definitiva, Rubens fotografava os policiais, o juiz, seus pais ficando para trás, seus filhos e tudo que podia clicar, (click), afinal, é um registro para a eternidade, como ele mesmo dizia.
Após 5 anos, tendo passado por tudo que você possa imaginar, após ter literalmente comido o pão que o diabo amassou, o nosso Rubens, dentro da cela, se encontrava aos prantos, chorando como uma criança e batendo com as mãos nas grades da prisão.
Aos berros ele repetia:
- "Pilhas! Pelo amor de Deus! Eu preciso de pilhaaaaas."
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