Cenas do último capítulo:
_ Carlos, está louco?, dizia Julia chorando.
_ Louco de amor.
Abraçado à Julia, Carlos saltou para a morte.
...
_ Hã?, gritou.
Carlos acorda assustado agarrado aos lençóis. Olha para seu lado esquerdo, procurando um copo d’água para beber. Nada encontra.
Caminha para o banheiro, lava o rosto, mas continua com as sobrancelhas franzidas. Ainda não havia percebido que tudo o que passou foi simplesmente um pesadelo de mal gosto.
Desce os cinco degraus que ligam seu quarto à cozinha, senta-se, e pega a primeira coisa que aparece à sua frente, um pão amanhecido. Coloca-o na boca enquanto procura por um café.
_ Filho, que foi? Aconteceu alguma coisa? – pergunta preocupada a mãe de Carlos
_ Não sei. Não sei. Acho que eu tive um pesadelo. Só isso. Sonhei que pulava de um teleférico com a Julia.
_ Que Julia, meu filho?
_ Ninguém, mãe. Ninguém.
Já na casa de Julia, o papo era outro:
_ Mãe, a vida é linda, não é?
_ É sim, linda. Linda. – Riam as duas.
_ E será que posso saber porquê a vida ficou tão bonita assim da noite para o dia?
_ Ué.. nada. Só acho a vida bela. Só isso.
Julia termina seu suco de laranja, embrulha um doce em um guardanapo, beija a mãe e sai correndo para o ponto de ônibus.
Sua pressa era maior do que de costume. Ela sabia que não estava correndo apenas para pegar o ônibus. A sua vontade de chegar logo tinha nome e sobrenome e, quem sabe, não sentaria ao seu lado novamente?
O ponto estava vazio. Havia uma senhora procurando alguma coisa dentro de sua bolsa, talvez moedas ou um lenço - provavelmente um lenço, devido à sua carinha triste, gripada - um rapaz com um walkman pendurado nos ombros e uma menina de uns 3 ou 4 anos chorando no colo da mãe.
Julia olhava para um lado, para outro, procurava, procurava e nada. Passaram cinco minutos e nem cheiro de seu pseudo-amor pairava no ar.
_ Será que ele realmente mora por aqui? Será que aquele dia de chuva não foi uma mera coincidência que talvez nunca mais se repita?, pensou.
Assim que ela vira para o lado, ele chegou. Não Carlos, mas o ônibus. Ela até pensou em deixar passar e pegar o próximo, mas seu chefe não estaria muito interessado em suas aventuras amorosas. Deu de ombros e subiu no coletivo.
Assim que o ônibus cruzou a esquina, Carlos apareceu. Correndo, suado e atrasado. Apoiou seus braços em seus joelhos e viu o ônibus fugir. Não fosse os sonhos com a menina, ele teria chegado no horário, porém, se ela não tivesse aparecido em sua vida, perder seu tempo não importaria nada.
Mas agora, sim: ganhar ou perder tempo, perder ou não o ônibus, poderia significar muito na vida pacata de Carlos. E significou. Logo ele saberá que sua vida mudou no instante em que perdeu seu transporte matinal.
Quer saber por quê?
Cenas do próximo capítulo: Carlos agradece o destino por ter chegado atrasado. Um outro amor surge no meio do caminho. Algo incrível está por acontecer, mas este quebra-cabeças na mente de Carlos só será resolvido após alguns capítulos de “Um outro amor” – uma mini-novela em 14 mini-capítulos.
Merchan: Esta palestra é escrita, revisada, apoiada e mantida por Palestras Motivacionais by
Um comentário:
como eu ja havia dito... mais um dentre os meus grandes favoritos!!
bjussssssss bb.
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