quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Um outro amor - Mini-novela em 14 mini-capítulos - Capítulo 4

Cenas do último capítulo:

_ Carlos, está louco?, dizia Julia chorando.

_ Louco de amor.

Abraçado à Julia, Carlos saltou para a morte.

...

_ Hã?, gritou.


Carlos acorda assustado agarrado aos lençóis. Olha para seu lado esquerdo, procurando um copo d’água para beber. Nada encontra.

Caminha para o banheiro, lava o rosto, mas continua com as sobrancelhas franzidas. Ainda não havia percebido que tudo o que passou foi simplesmente um pesadelo de mal gosto.

Desce os cinco degraus que ligam seu quarto à cozinha, senta-se, e pega a primeira coisa que aparece à sua frente, um pão amanhecido. Coloca-o na boca enquanto procura por um café.


_ Filho, que foi? Aconteceu alguma coisa? – pergunta preocupada a mãe de Carlos

_ Não sei. Não sei. Acho que eu tive um pesadelo. Só isso. Sonhei que pulava de um teleférico com a Julia.

_ Que Julia, meu filho?

_ Ninguém, mãe. Ninguém.


Já na casa de Julia, o papo era outro:


_ Mãe, a vida é linda, não é?

_ É sim, linda. Linda. – Riam as duas.

_ E será que posso saber porquê a vida ficou tão bonita assim da noite para o dia?

_ Ué.. nada. Só acho a vida bela. Só isso.


Julia termina seu suco de laranja, embrulha um doce em um guardanapo, beija a mãe e sai correndo para o ponto de ônibus.

Sua pressa era maior do que de costume. Ela sabia que não estava correndo apenas para pegar o ônibus. A sua vontade de chegar logo tinha nome e sobrenome e, quem sabe, não sentaria ao seu lado novamente?


O ponto estava vazio. Havia uma senhora procurando alguma coisa dentro de sua bolsa, talvez moedas ou um lenço - provavelmente um lenço, devido à sua carinha triste, gripada - um rapaz com um walkman pendurado nos ombros e uma menina de uns 3 ou 4 anos chorando no colo da mãe.

Julia olhava para um lado, para outro, procurava, procurava e nada. Passaram cinco minutos e nem cheiro de seu pseudo-amor pairava no ar.


_ Será que ele realmente mora por aqui? Será que aquele dia de chuva não foi uma mera coincidência que talvez nunca mais se repita?, pensou.


Assim que ela vira para o lado, ele chegou. Não Carlos, mas o ônibus. Ela até pensou em deixar passar e pegar o próximo, mas seu chefe não estaria muito interessado em suas aventuras amorosas. Deu de ombros e subiu no coletivo.


Assim que o ônibus cruzou a esquina, Carlos apareceu. Correndo, suado e atrasado. Apoiou seus braços em seus joelhos e viu o ônibus fugir. Não fosse os sonhos com a menina, ele teria chegado no horário, porém, se ela não tivesse aparecido em sua vida, perder seu tempo não importaria nada.


Mas agora, sim: ganhar ou perder tempo, perder ou não o ônibus, poderia significar muito na vida pacata de Carlos. E significou. Logo ele saberá que sua vida mudou no instante em que perdeu seu transporte matinal.


Quer saber por quê?


Cenas do próximo capítulo: Carlos agradece o destino por ter chegado atrasado. Um outro amor surge no meio do caminho. Algo incrível está por acontecer, mas este quebra-cabeças na mente de Carlos só será resolvido após alguns capítulos de “Um outro amor” – uma mini-novela em 14 mini-capítulos.


Merchan: Esta palestra é escrita, revisada, apoiada e mantida por Palestras Motivacionais by Rafael Baltresca.

Um comentário:

Anônimo disse...

como eu ja havia dito... mais um dentre os meus grandes favoritos!!
bjussssssss bb.