Estou no teatro. O Ensaio acabou agora. Estou de camiseta e calção. Descalço.
Que vontade de mijar. Como algo tão simples pode ser tão prazeroso? Se algum apresentador barrigudo de TV me perguntasse agora qual é meu sonho de consumo, eu diria: “mijar”. Só isso. Uma boa mijada consumista (!).
Chega de papo. O banheiro chegou.
Putaquepariu! Estou descalço. Que merda. Entrar num banheiro descalço é foda, mas entro assim mesmo.
A casinha está ocupada. Tem gente.
Banheiro masculino tem uma vantagem sobre o feminino – que eu ainda não entrei, mas já me falaram que é igual, exceto a vantagem -. A vantagem é que ao lado da casinha, têm umas privadas embutidas na parede. Umas 5 enfileiradas. Uma ao lado da outra.
Mas é uma privada que só dá pra mijar. Só mesmo. Nem pense em, bom, esquece. Como eu só quero fazer xixi (pra parar de falar mijar, pois já encheu o saco. haha (virou piada! – encheu o saco. haha), esta está boa.
Chego perto dessas privadas suspensas e ôôôôpa! O chão está todo molhado!!! Putaquepariudenovo! Como é possível que um imbecil não consiga acertar o alvo? Como que uma pessoa que enxerga consegue ir a um banheiro e acertar o chão? Isso sim é o cúmulo. Eu descalço e aquele chão inteiramente mijado por algum panaca que deve ter sido reprovado no exame teórico do DETRAN umas 3 vezes.
Me afasto da privada pra não pisar no molhado, miro bem no alvo e pimba! Acerto na mosca. Mas porque respinga tanto? Parece um chuveiro.
Putz, mijei no chão. Merda.
Quer saber? O bom é respingar mesmo! Que graça seria mijar sem respingar?
Nenhuma graça!
Se ninguém notar que você esteve lá, pra que então que você esteve? Pra satisfazer sua vontadezinha de merda e deixar o banheiro limpinho?
Pegue esta sua vontade-de-ser-feliz-sozinho e vai pros quintos-dos-infernos-sozinho! Ou você faz pra todo mundo saber (e pisar) ou você não faz.
Não se esqueça que daqui há 100 anos você não vai mais existir. Não mesmo!
Ou você deixa os respingos ou o banheiro nunca vai se lembrar que um dia você esteve lá, pois a descarga sempre é puxada, mas o chão nunca é limpo.
Rafael Baltresca
Quarta-feira
16/11/2005
4 comentários:
Excelente manifestação literária, sr. Bal... Uma tênue linha entre o filosófico e o escatológico. Uma peróla da antologia urologística. O xixi (ou mijo, ou excretas líquidos) possui sua poesia intrínseca: uma cascata de ouro jorrando das profundezas do ser... Uma metáfora para a sabedoria...
Aff... Delirei dessa vez, irmão! Um abraço,
Rasputin
Meu Deus....não é que todo homem consegue retirar "prazer, arte, paixão....e "humor"" de tudo que caracteriza e humaniza a alma masculina vetada de certas "manias" que as mulheres detestam?
Como por exemplo....deixar rastros, demarcar território....'mijar' no chão.Que gesto mais animal de ser...mas fazer o que , já que somos todos dotados de instintos selvagens, encurralados nas profundezas de nossa alma...contrariada pelas leias da sociedade.E afinal, estmaos falando de algupem que não deseja seguir as leis da sociedade..."chato...muito chato!"
Só espero que você não faça isso no banheiro da sua casa...:)
beijosssss
Hahahahaha Mijei de rir com a história!! Mijei pra fora, é claro!!!
Numa situação parecida me deparei com um cara que entrou correndo no banheiro, começou a mijar e gritou: "Ahhhh! Mijar é a melhor coisa do mundo!"
Ou esse cara nunca copulou ou eu nunca mijei direito...
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