quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Coisa linda

Muito prazer, meu nome é Rafael Baltresca, Mágico.

Não sei o que pessoas têm na cabeça. Dizem que é cérebro. E muita imaginação...
É só verem um mágico ou saber que acontecerá uma apresentação que elas começam:

- “Ei mágico, não dá pra você fazer as minhas contas sumirem?
- “Mágico, faz minha mulher e minha sogra desaparecerem, por favor.
- “Ô Mister M, porque você não transforma o João num sapo?
- "Mágicôôô, você esconde a cobra?"

No começo é legal, a gente dá risada, se sente até importante de ser reconhecido como “O Mágico”, mas depois de um tempo não tem pesadelo pior que isso.
Depois de um show, a gente quer se sentar, jantar, conversar sobre futebol, mulher, falar do vídeo da Cicarelli, qualquer coisa. Tudo, menos ficar falando de mágica e mágica e mágica.

Um dia eu dormi e sonhei...

- “Ei mágico, não dá pra você fazer as minhas contas sumirem?”
- “Ôpa!” Puft! Num estalar de dedos, todas as contas dele tinham sumido. Conta de luz, conta de água, contas da faculdade dos filhos, IPVA e IPTU.

- “Mágico, faz minha mulher e minha sogra desaparecerem?”
- “Faço sim.” Pleft. Num passe de mágicas, não existia nem sogra e nem mulher.

- “Ô Mister M, porque você não transforma o João num sapo?”
- “É pra já!”. Cabammm! Em um segundo o sapinho já estava na ativa.
Depois de todas as contas terem sumido, e, obviamente não podendo as pagar, ele foi multado 19 vezes, sua casa foi tomada e seu carro levado pelo governo. Como seus filhos não podiam mais estudar e nem morar, entraram para o mundo do crime e se tornaram viciados em maconha, cocaína e lítio.

A mulher e a sogra desapareceram.
Ele entrou em depressão pois não tinha mais ninguém em sua casa. Alguns meses depois foi preso por provável assassinato e por ter escondido os corpos. Seus filhos o odiavam e, sua vida, nunca mais foi a mesma.

O amigo de João ficou sem o amigo.
Após ter sido transformado num sapo, João foi beijado por sua namorada, porém, não se transformou num príncipe. Sua amada pegou leptospirose e morreu.


- "Mágicôôô, você esconde a cobra?"
- "Claro que escondo!" 3 minutos depois, a cobra já estava sendo escondida... na filha do espectador.
22 aninhos, olhos verdes. Parecia a Cicarelli.

Coisa linda!

2 comentários:

Anônimo disse...

Ae Mágico,
Faz a Cicarelli ir comigo pra Praia Grande??? hahhhhhahah

Anônimo disse...

É, meu amigo, se todas as pessoas tivessem um compromisso com o bom-senso e o discernimento, não precisaríamos de legislações enormes e nenhum outro tipo de código de conduta ou comportamento não é mesmo! Bom mesmo seria, se algumas pessoas não possuidoras de tais atributos, pudessem ter acesso a uma das obras do Descartes intitulada “Regras para a Direção do Espírito”, essa obra poderia ser resumida como um manual do bom senso e, portanto, do discernimento. Adorei a sua reflexão. Beijos