Cheguei em Cuiabá, ou melhor, no Aeroporto Internacional de Várzea Grande, sacanagicamente chamado de aeroporto de Cuiabá, às 16h00 – local time.
“Senhoras e senhores, bem-vindos à Cuiabá. Estamos muito felizes em tê-los conosco. Nós da Gol Linhas Aéreas Inteligentes sabemos que a escolha da companhia aérea é escolha do cliente e esperamos nos encontrar novamente.” – Disse o comandante mentiroso e a comissária puxa-saco de uma figa.
“Boa tarde senhor. Por gentileza, deixe-me colocar suas bagagens aqui. Prefere ar condicionado ou quer que eu abra a janela? Quer que eu ligue o rádio? Que música gostaria de ouvir?” – Disse o taxista chato de galocha.
“Boa tarde senhor. Pode deixar que eu levo suas bagagens. Deixe-me abrir a porta do quarto. Vocês podem subir neste elevador enquanto eu vou no de serviço. Muito obrigado e desculpe por qualquer inconveniente. Tenha uma ótima estada.” – Disse o mensageiro mentiroso, puxa-saco e almofadinha do hotel.
Juro, quando entrei naquele hotel a impressão que tive foi que o mensageiro apanhava de chinelo do gerente, tão politicamente correto que era. Foi então que chegou o gerente e mudou meu modo de ver:
- “Senhor, com é bom tê-lo conosco. Se precisar de qualquer coisa é só chamar. Ficamos muito felizes em atendê-lo bem e que sua estada seja confortavelmente feliz.”
Aí já mudei de idéia. Não apenas o mensageiro apanhava do gerente como o gerente deve apanhar – e muito – do dono do hotel.
Foi então que chega o dono e com a maior cara de pau diz:
- “Senhor, como fico feliz em saber que alguém de São Paulo vem nos prestigiar. Este é meu telefone celular: (65) 1234-5678. Fique à vontade e me ligue quando precisar. O café da manhã da madrugada é cortesia do hotel e não exite em chamar-nos quando desejar. Se precisar, fale diretamente comigo.”
Agora não! O dono do hotel conseguiu ser mais almofadinha, caxias e chato do que o coitado do mensageiro – que deve apanhar pacas -. Não é possível. Eu não sou nenhum cantor sertanejo famoso e este hotel nem é tão caro assim pra receber tal tratamento.
Porque vivemos nesta falsidade medíocre? Porque a aeromoça não fala simplesmente:
- “Bem-vindos à Várzea Grande. Nós da Gol Linhas Aéreas Inteligentes desejamos uma boa estada.”
Porque? Porque temos que ser tão bajulados com essas chatices exacerbadas hotelizadas?
(Olha só... enquanto escrevia isso o amigo bem-educado do hotel voltou para perguntar se eu queria um café! Blah!)
Quando dizemos que estamos na ‘Era do Cliente’ deveríamos entender simplesmente que devemos desenvolver nossos produtos e serviços a partir de gostos de nossos clientes.
Quando falamos em CRM – Customer Relationship Management – deveríamos traduzir como Gerenciamento de Relações com Clientes e deveríamos simplesmente gerenciar essas relações e não nos tornarmos mães e tias de clientes – e se estiver errado, minha mãe deve ter feito um MBA em gestão de pessoas com a Ana Maria Braga, porque ultimamente não vejo diferença no tratamento dela para o tratamento que recebo nos hotéis do Brasil -. Existe uma linha tênue entre ser cordial e ser chato. E ultimamente estou sendo rodeados por cordiais chatos puxa-sacos!
Não sei se estou reclamando de barriga cheia, não sei se deveria simplesmente agradecer e não sei se a aeromoça está querendo me cantar. Sei lá...
E sabe o que é o pior de tudo isso, que me deixa mais irritado?
É que estou há uns 10 minutos escrevendo este texto aqui no hall do hotel e ainda não veio nenhum sujeito para engraxar minhas havaianas de marca. Ninguém!
Onde vamos parar? Não se fazem mais hotéis como antigamente.
humpf.
“Senhoras e senhores, bem-vindos à Cuiabá. Estamos muito felizes em tê-los conosco. Nós da Gol Linhas Aéreas Inteligentes sabemos que a escolha da companhia aérea é escolha do cliente e esperamos nos encontrar novamente.” – Disse o comandante mentiroso e a comissária puxa-saco de uma figa.
“Boa tarde senhor. Por gentileza, deixe-me colocar suas bagagens aqui. Prefere ar condicionado ou quer que eu abra a janela? Quer que eu ligue o rádio? Que música gostaria de ouvir?” – Disse o taxista chato de galocha.
“Boa tarde senhor. Pode deixar que eu levo suas bagagens. Deixe-me abrir a porta do quarto. Vocês podem subir neste elevador enquanto eu vou no de serviço. Muito obrigado e desculpe por qualquer inconveniente. Tenha uma ótima estada.” – Disse o mensageiro mentiroso, puxa-saco e almofadinha do hotel.
Juro, quando entrei naquele hotel a impressão que tive foi que o mensageiro apanhava de chinelo do gerente, tão politicamente correto que era. Foi então que chegou o gerente e mudou meu modo de ver:
- “Senhor, com é bom tê-lo conosco. Se precisar de qualquer coisa é só chamar. Ficamos muito felizes em atendê-lo bem e que sua estada seja confortavelmente feliz.”
Aí já mudei de idéia. Não apenas o mensageiro apanhava do gerente como o gerente deve apanhar – e muito – do dono do hotel.
Foi então que chega o dono e com a maior cara de pau diz:
- “Senhor, como fico feliz em saber que alguém de São Paulo vem nos prestigiar. Este é meu telefone celular: (65) 1234-5678. Fique à vontade e me ligue quando precisar. O café da manhã da madrugada é cortesia do hotel e não exite em chamar-nos quando desejar. Se precisar, fale diretamente comigo.”
Agora não! O dono do hotel conseguiu ser mais almofadinha, caxias e chato do que o coitado do mensageiro – que deve apanhar pacas -. Não é possível. Eu não sou nenhum cantor sertanejo famoso e este hotel nem é tão caro assim pra receber tal tratamento.
Porque vivemos nesta falsidade medíocre? Porque a aeromoça não fala simplesmente:
- “Bem-vindos à Várzea Grande. Nós da Gol Linhas Aéreas Inteligentes desejamos uma boa estada.”
Porque? Porque temos que ser tão bajulados com essas chatices exacerbadas hotelizadas?
(Olha só... enquanto escrevia isso o amigo bem-educado do hotel voltou para perguntar se eu queria um café! Blah!)
Quando dizemos que estamos na ‘Era do Cliente’ deveríamos entender simplesmente que devemos desenvolver nossos produtos e serviços a partir de gostos de nossos clientes.
Quando falamos em CRM – Customer Relationship Management – deveríamos traduzir como Gerenciamento de Relações com Clientes e deveríamos simplesmente gerenciar essas relações e não nos tornarmos mães e tias de clientes – e se estiver errado, minha mãe deve ter feito um MBA em gestão de pessoas com a Ana Maria Braga, porque ultimamente não vejo diferença no tratamento dela para o tratamento que recebo nos hotéis do Brasil -. Existe uma linha tênue entre ser cordial e ser chato. E ultimamente estou sendo rodeados por cordiais chatos puxa-sacos!
Não sei se estou reclamando de barriga cheia, não sei se deveria simplesmente agradecer e não sei se a aeromoça está querendo me cantar. Sei lá...
E sabe o que é o pior de tudo isso, que me deixa mais irritado?
É que estou há uns 10 minutos escrevendo este texto aqui no hall do hotel e ainda não veio nenhum sujeito para engraxar minhas havaianas de marca. Ninguém!
Onde vamos parar? Não se fazem mais hotéis como antigamente.
humpf.
2 comentários:
Que bom que o Sr. já terminou o seu post. Quer um café, uma água ou um suco?
Não esqueça, Servir bem para servir sempre!
Elementar meu caro amigo, elementar...Marketing pessoal. Oportunismo, puxa-saquismo ou meras demonstrações de habilidades! A meu ver, tudo cabe.
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