Parte I - A descoberta
- Como você faz isto?
- Não sei. Juro.
E ele realmente não sabia.
Este poder, dom, ou qualquer coisa que se queira chamar, acompanhava-o desde sua infância, porém, apenas aos 18, 19 anos, Téolo começou a notar.
O que acontecia era simples de se explicar, não tão fácil de compreender.
Téolo tinha visões, premonições. Alguma ligação com um ser supremo e, durante um acontecimento estranho, uma pontada no dedão de seu pé esquerdo, uma imagem aparecia para o rapaz. Pronto. Era só aguardar alguns minutos e aquilo se concretizava.
Andando pela cidade, num sábado, enquanto pagava a passagem do ônibus, seu dedo doeu. No mesmo instante, a imagem de um ônibus virando e três pessoas feridas e uma morta, apareceu em sua mente. Téolo respirou e se jogou no chão.
Dito e feito. Uma moto desgovernada apareceu na frente do ônibus, o motorista tentou desviar, subiu na calçada e, tentando contornar a situação, tombou o veículo.
3 pessoas feridas. 1 senhor morreu.
O que mais deixava Téolo desesperado, era o fato de não poder fazer nada. Era uma visão que apenas servia para avisá-lo. Ele, e mais ninguém. Como se fosse um presente para ele. Apenas para ele.
Um poder mesquinho, uma força solitária. Uma tristeza constante, premeditada.
Parte II - A culpa
Estava numa festa. Essas com DJs, bebidas, música alta, mulheres, loucuras. Téolo dançava, podia sentir a música, as batidas dentro dele. Seu sono se confundia com o êxtase proporcionado pela frenética noite que havia começado a apenas algumas horas. Um instante de silêncio, seu dedo dói. Téolo fecha os olhos: A imagem de uma moça ao chão, vomitando sangue.
O rapaz não sabia o que fazer. A imagem embaçada não o permitiu notar quem poderia ser naquele rosto distante, mas, ele tinha a certeza de uma moça no chão. Com muito sangue.
Foi para o banheiro, lavou seu rosto, vomitou e, quando volta, viu a cena mais aterrorizante que já havia presenciado em sua vida.
Há alguns minutos, ela, fazendo charme para seu provável futuro namorado, sorri para ele, pega um copo qualquer sobre o balcão e dá um gole em alguma coisa que estaria lá dentro. Apenas para fazer charme. O garçom, enquanto recolhia os outros pedaços de vidro do chão, diz:
- não!
Ela havia engolido vodka com groselha e vidro.
No chão, a moça loira. Seus olhos estavam abertos e, sem parar, vomitava sangue com groselha.
Parte III - O erro fatal
Téolo, mesmo sabendo que nada tinha a fazer, culpava-se por cada acontecimento, cada tragédia que passava por sua vida. O rapaz não sentia que este dom fosse um presente dos céus, e sim, uma maldição dos infernos. Sua vida estava sendo vigiada, protegida, porém, as conseqüências eram sempre com os outros.
No dia em que Téolo conheceu Sabrina, sua vida mudou. Sabia que agora teria alguém para cuidar. Sabia que sua vida começava a ter algum sentido.
No dia em que se viram pela primeira vez, no supermercado da esquina, Téolo pôde provar da paixão à primeira vista. Ela, da mesma forma, sentiu algo que não pudesse explicar. Era como se aquele garoto tivesse um feitiço, uma magia.
Terminaram suas compras, começaram a conversar e, andando pela rua, Téolo sentiu a pontada no pé. Fechando seus olhos, o menino teve a visão de Sabrina triste e morrendo aos poucos. O desespero veio à mente de Téolo. Inconformado com a cena e decidido, largou os pacotes no chão, segurou o braço da menina e saiu correndo, arrastando-a. Ela, sem entender, tentou - em vão - parar. Ele, cada vez mais aflito e ofegante, corria em direção à sua casa.
Chegaram bem. Olhou para a menina, rapidamente tocou seus braços, seu rosto, suas pernas. Nada de errado. Se abraçaram, deram seu primeiro beijo e, naquele mesmo dia, tiveram sua primeira noite de amor.
Téolo começava a sentir orgulho de seu poder e sabia, agora, que poderia realmente ajudar as pessoas com aquele dom dos céus. O que ele não sabia, é que era HIV positivo e, daquele dia em diante, Sabrina também seria.
A profecia, de uma forma justa e trivial, acontecera. Daquele dia em diante, Téolo veria Sabrina, triste, morrendo aos poucos.
- Como você faz isto?
- Não sei. Juro.
E ele realmente não sabia.
Este poder, dom, ou qualquer coisa que se queira chamar, acompanhava-o desde sua infância, porém, apenas aos 18, 19 anos, Téolo começou a notar.
O que acontecia era simples de se explicar, não tão fácil de compreender.
Téolo tinha visões, premonições. Alguma ligação com um ser supremo e, durante um acontecimento estranho, uma pontada no dedão de seu pé esquerdo, uma imagem aparecia para o rapaz. Pronto. Era só aguardar alguns minutos e aquilo se concretizava.
Andando pela cidade, num sábado, enquanto pagava a passagem do ônibus, seu dedo doeu. No mesmo instante, a imagem de um ônibus virando e três pessoas feridas e uma morta, apareceu em sua mente. Téolo respirou e se jogou no chão.
Dito e feito. Uma moto desgovernada apareceu na frente do ônibus, o motorista tentou desviar, subiu na calçada e, tentando contornar a situação, tombou o veículo.
3 pessoas feridas. 1 senhor morreu.
O que mais deixava Téolo desesperado, era o fato de não poder fazer nada. Era uma visão que apenas servia para avisá-lo. Ele, e mais ninguém. Como se fosse um presente para ele. Apenas para ele.
Um poder mesquinho, uma força solitária. Uma tristeza constante, premeditada.
Parte II - A culpa
Estava numa festa. Essas com DJs, bebidas, música alta, mulheres, loucuras. Téolo dançava, podia sentir a música, as batidas dentro dele. Seu sono se confundia com o êxtase proporcionado pela frenética noite que havia começado a apenas algumas horas. Um instante de silêncio, seu dedo dói. Téolo fecha os olhos: A imagem de uma moça ao chão, vomitando sangue.
O rapaz não sabia o que fazer. A imagem embaçada não o permitiu notar quem poderia ser naquele rosto distante, mas, ele tinha a certeza de uma moça no chão. Com muito sangue.
Foi para o banheiro, lavou seu rosto, vomitou e, quando volta, viu a cena mais aterrorizante que já havia presenciado em sua vida.
Há alguns minutos, ela, fazendo charme para seu provável futuro namorado, sorri para ele, pega um copo qualquer sobre o balcão e dá um gole em alguma coisa que estaria lá dentro. Apenas para fazer charme. O garçom, enquanto recolhia os outros pedaços de vidro do chão, diz:
- não!
Ela havia engolido vodka com groselha e vidro.
No chão, a moça loira. Seus olhos estavam abertos e, sem parar, vomitava sangue com groselha.
Parte III - O erro fatal
Téolo, mesmo sabendo que nada tinha a fazer, culpava-se por cada acontecimento, cada tragédia que passava por sua vida. O rapaz não sentia que este dom fosse um presente dos céus, e sim, uma maldição dos infernos. Sua vida estava sendo vigiada, protegida, porém, as conseqüências eram sempre com os outros.
No dia em que Téolo conheceu Sabrina, sua vida mudou. Sabia que agora teria alguém para cuidar. Sabia que sua vida começava a ter algum sentido.
No dia em que se viram pela primeira vez, no supermercado da esquina, Téolo pôde provar da paixão à primeira vista. Ela, da mesma forma, sentiu algo que não pudesse explicar. Era como se aquele garoto tivesse um feitiço, uma magia.
Terminaram suas compras, começaram a conversar e, andando pela rua, Téolo sentiu a pontada no pé. Fechando seus olhos, o menino teve a visão de Sabrina triste e morrendo aos poucos. O desespero veio à mente de Téolo. Inconformado com a cena e decidido, largou os pacotes no chão, segurou o braço da menina e saiu correndo, arrastando-a. Ela, sem entender, tentou - em vão - parar. Ele, cada vez mais aflito e ofegante, corria em direção à sua casa.
Chegaram bem. Olhou para a menina, rapidamente tocou seus braços, seu rosto, suas pernas. Nada de errado. Se abraçaram, deram seu primeiro beijo e, naquele mesmo dia, tiveram sua primeira noite de amor.
Téolo começava a sentir orgulho de seu poder e sabia, agora, que poderia realmente ajudar as pessoas com aquele dom dos céus. O que ele não sabia, é que era HIV positivo e, daquele dia em diante, Sabrina também seria.
A profecia, de uma forma justa e trivial, acontecera. Daquele dia em diante, Téolo veria Sabrina, triste, morrendo aos poucos.
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