"O mundo não se lembra do que não aconteceu"
Ninguém sabe de tudo, diz o ditado.
Na verdade, nem o ditado sabe de tudo, pois, existe um homem que sim, sabe de tudo nessa vida.
Quando digo que ele sabe de tudo, é por que realmente sabe de absolutamente tudo.
Seu nome: Christoffer Reinaldo Bermudas.
Bermudas não saiu de casa no sábado pela manhã. Ele sabia que se saísse, seria assaltado e, posteriormente, espancado. Ficou em casa numa boa. Comendo pizza e vendo TV. Sem nenhum perigo.
Um dia, Bermudas resolveu levar o guarda-chuvas num dia ensolarado. Depois de três horas estava ele, feliz da vida embaixo de um pé d'água. Como ele sabia que iria chover? Ninguém sabe. Apenas ele, que sabe de tudo.
E assim corria a vida de Bermudinha. Bermudinha... era assim que sua mãe o chamava e o encabulava na frente de seus amigos. Sempre certo. Sempre certeiro. Acertando de primeira. Acertando em cheio, o homem que sabia de tudo.
Um dia, numa prova de geografia, o aluno mais estudioso de sua classe na faculdade, Jonathan Rodrigues Reis, tirou 9,5. Impossível! Isso por que o professor cometeu um erro na correção da prova.
Bermudas, por sua vez, tirou 10. É claro que sabendo que o professor iria corrigir errado, resolveu responder errado também. É. Ele realmente sabia de tudo.
Aposto que você deve estar se perguntando: - "E no amor? Ele sabe de tudo, também?"
Então, realmente, Bermudas sabia de tudo. No amor, ele nem se preocupava em sair com diversas. Não saía para se divertir com as erradas. Ele, absolutamente, sabia quem seria e quando a mulher certa apareceria em sua vida: Sozinha. Num carro preto, pequeno. Ela não seria nem bonita, nem feia. Nem magra, nem gorda. Nem alta, nem baixa. Cabelo preto, com cara de má, porém meiga e cuidadosa. Cheirosa e carinhosa. Isabel.
Chegou o dia. Bermudas saiu com apenas um intuito: Encontrar Isabel no terceiro farol, do lado esquerdo do seu carro, como já sabido.
Dito e feito. Passou um, dois e no terceiro farol, o farol fechou. Bermudas olhou no espelho retrovisor e não viu ninguém. Repentinamente, sobe um carro pela rua ao lado e, à sua esquerda, pára um carro preto, pequeno, com uma garota nem bonita, nem feia. Nem magra, nem gorda. Nem alta, nem baixa. Cabelo preto, com cara de má, porém meiga e cuidadosa. Cheirosa e carinhosa. Isabel.
Bermudas abriu o seu vidro e sorriu.
Isabel, com medo do estranho, avançou no farol vermelho e sumiu da vista do homem que sabia de tudo.
Bom, ele sabia de tudo, mas ela, aquela vagabunda, não sabia de nada, quero dizer, sabia apenas ensinar aquelas criancinhas carentes. E só.
Bermudas nem foi atrás dela. Sabia que não a alcançaria jamais.
E ela nunca soube o que estava perdendo. Mas ele sabia o que perdeu.
"O mundo não se lembra do que não aconteceu"
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