terça-feira, 20 de junho de 2006

Desejo que você seja muito infeliz.

Imagine uma montanha russa plana. Apenas imagine...

Trezentos metros de madeiras enfileiradas, suportadas por hastes rígidas com tudo que se tem direito: O barulho enferrujado do vagão, o tremor do carrinho pelas rodas de ferro, o ventinho no rosto, o cheiro do lago ao lado, a fila, o sol batendo de frente, o pipoqueiro atrás e tudo que uma montanha russa pode ter,

mas totalmente plana. E sem gritos.

Você entra e não olha para sua mãe, calma, que está na fila, porque não tem medo.
Você senta e não se segura no apoio e nem coloca o cinto de segurança porque simplesmente é opcional.

O operador dá o sinal, o trem começa a correr, correr, atinge a velocidade máxima e não se ouve nenhum grito, nenhum sinal de emoção, nenhum sinal de vida, simplesmente nada acontece.

A brincadeira termina. Todo mundo sai e vai pro tobogã,

também plano.


Experimente comer uma barra de chocolate depois de um delicioso pudim de leite com calda de caramelo.
Experimente.

Não tem graça, não tem gosto!

É como andar numa montanha russa sem curvas sem chuvas, é como brincar num tobogã plano num dia sem sol – é inodoro, insípido e incolor, como já dizia sua professorinha sem sal da 2ª série.

Um dia numa aula de cálculo com o professor Agnaldo Prandini Ricieri, foi anunciado: “Crasse, na próxima aula vou ensinar uma fórmula para acabar com a morte!”

Fui pra casa pensando na idiotice que viria e, da mesma forma, me indagava se poderia existir tal fórmula, tão grande era o respeito que tinha por aquele mestre.
Voltei curiosíssimo na aula seguinte e descobri que ele não estava brincando. Ele realmente tinha a fórmula da não-morte.

Ricieri: “Crasse, é fácil. Pra que não tenha mais mortes, temos que simplesmente dizimar a população – matar todo mundo; desta forma não vai ter mais vidas e conseqüentemente não haverá mais mortes.”

Ridículo?
Absurdo?
Fato?

Ele estava corretíssimo.

Só existe morte quando há vida.
Só existe luz quando há escuridão.
Só existe amor quando há o ódio.
Só existe felicidade quando há a tristeza.

O contrário é fundamental na vida, o oposto aguça os extremos e nos permite ver as diferenças.

Eu desejo que você seja muito infeliz.
Desejo que você caia em depressão e ouça bastante Fagner e Fábio Jr.
Desejo que seu coração seja dilacerado na estrofe “as metades da laranja, dois amantes dois irmãos”.
Desejo que tenha muitos namorados que te humilhem e te faça sofrer de verdade.

É o que desejo...

Para que quando vier o amor, a felicidade, a alegria, que venha de verdade – com toda a força -, transborde e atinja seu ponto máximo, seu pico, seu cume, e para que o extremo seja degustado com muito, muito mais sabor e dê uma razão pro que chamamos de vida.

Se for andar de montanha russa, que seja a mais sinuosa possível, que o tobogã seja bem alto e proporcione quedas bruscas e que machuquem; que machuquem muito, só pra depois sarar.

Se for comer suflair, coma depois de um bom churrascão salgado– com muita pimenta – para arder as goelas e rasgar forte na garganta, só pra depois parar de doer.

E que o Zezé di Camargo continue fazendo o que faz de melhor: produzir muitas e muitas músicas ruins. Só pra gente ouvir um Pink Floyd ou Elvis Presley depois...

“How I wish, how I wish you were here...”

E que ela tenha muito chulé e frieira no pé...
E que eu tenha talco.

3 comentários:

Anônimo disse...

fodastico. triste. triste? vc sabe o que eu acho. Beijundocas

Anônimo disse...

Muito interessante a sua teoria.. rss...
Gostei.

Alias, já tive aula com o Ricieri, ele é fantástico!

E muita infelicidade pra vc tb!

Anônimo disse...

Feiosinhoooo da minha vidaaaa!!!

Foi aqui que eu tentei postar há um tempão atrás e não conseguiiii!!!

SIMPLESMENTE O MÁXIMO!!!

Bjãozãooo enorme pra vc!!!