sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O mágico do mal - Especial de Natal

Por meu amigo Wagner Spolaor, el gran Rasputin!

Depois do fiasco que foi seu último aniversário - Raquelzinha ainda treme ao lembrar-se do capuz em sua cabeça e seus amigos correndo todos em direção ao microônibus do maldito mágico – a ceia de Natal seria perfeita! Cada minúsculo detlhe preparado a meses, planos A, B e C para quaisquer eventualidades que surgirem e, principalmente, nada daquela peste de mágico.
Dez da noite... Todos começam a chegar para a ceia. Primos do interior em suas roupas bregas, primas da capital com seus cabelos esquisitos e aqueles tios que a cada ano parecem mais bizarros, como se passassem o ano inteiro dentro de um vidro de conservas. Tudo bem. Vale o preço para ter o prazer de mostrar como é boa para organizar festas.
Os pais confiaram em Raquelzinha (agora Raquel... Afinal, já é uma moça!) e agora ela será um sucesso total. Depois do Especial do Roberto Carlos, todos teriam uma surpresa. Roberto canta Emoções, a mulherada chora, os adolescentes sentem ânsia de vômito e, dez minutos depois, todos vão à mesa para saborear o banquete.
Barrigas cheias. Conversas fiadas pela casa. De repente, toca a campainha. É agora! – Raquel pensa satisfeita. A mãe vai atender à porta, os ouvidos da mocinha se aguçam:
- Então, o Seu Pacheco teve um problema lá com o filho bebum dele e não pôde vir, aí a agência me mandou no lugar dele, beleza?
Ai meu Deus! Deu rolo com o Papai Noel! Pelo menos mandaram alguém no lugar dele, tomara que não seja um velho magrela com uma barba de algodão amarelo.
- Ho, ho, ho! Feliz Natal! Venham todos receber seus presentinhos! Ho! Ho! Ho!
Sucesso! A surpresa de Natal! Mas é melhor dar um tempo antes de ir à sala colher os frutos da vitória. Por essa ninguém esperava... Economizei cada centavo da minha mesada, mas vou dar presente pra todo mundo. E vou ficar com o Ibope lá em cima! Hahaha!
Raquel vai lentamente até a sala com seu melhor sorriso no rosto e... NÃO! Olhos azuis, queixo com furinho e as covinhas infernais! É ele!
- O que você está fazendo aqui?!
- Ho! Ho! Ho! Minha filha, eu vim do Pólo Norte trazer os presentinhos de Natal dessa gente bonita!
E cochichando:
- Negócio é o seguinte, o trampo de mágico não virou, a polícia me pegou no grande número do desaparecimento do relógio usando uma bolsinha que eu comprei na Internet (Balbag, tenha a sua você também!). Agora pega esse despertador de R$ 1,99 e deixa eu trabalhar decentemente!
Bom, Raquelzinha (agora ela se sentia uma pirralha de novo) pensou, todo mundo deve ter uma segunda chance. Quem sabe ele se regenera, né?
Virando para comer mais uma rabanada, ela ainda tem tempo de ver o Papai Noel com três cartas de baralho na mão e falando para o tio Valdemir:
- Então, meu senhor, quer apostar seus cinqüenta reais que a carta vermelha não está mais no meio das duas?

Um comentário:

Mya disse...

Convulsionei de rir. Sério. Pirei. Genial!