domingo, 21 de dezembro de 2008

Seus beijos calientes

Ela era apaixonada por ele há muito tempo. Ele gostava bastante dela, mas não do jeito doente dela.

No último encontro, entre beijos e amassos, sem dó, ele lascou um tapa no lado esquerdo do rosto dela. Antes que ela pudesse reclamar, ele colocou sua mão em sua nuca, puxou seu cabelo e a beijou loucamente. Ela se deliciava com uma mistura de amor e ódio da melhor qualidade.

Dez minutos depois a vontade chegou, e ele, novamente, não hesitou: lascou outro tapa na face esquerda dela.

Uma lágrima caiu, mas ele nem percebeu. Continuou beijando-a sem fôlego, sem pudor, sem se preocupar com o tempo, com nada. E continuaram assim. Para ela, hora aumentava sua paixão, hora desejava que ele nunca tivesse sequer existido.

Poucos minutos depois, suando, e desejando aquela mulher, ele levantou sua mão e já em direção ao seu rosto, ela não agüentou. Segurou a mão dele com fúria. Respirou fundo enquanto seus olhos avermelhavam. Pela primeira vez, ele teve medo daquela moça linda.

E apontando o dedo rígido para ele, ela esbravejou:

- Por favor, bate um pouco do outro lado.

Ele bateu no mesmo lado. Só para ela não ficar mal acostumada.
Sorriu e continuou com seus beijos calientes.

Um comentário:

Anônimo disse...

Não me recordo agora se foi Freud ou Jung...sim foi Freud..."O sonho é a realização de um desejo". O poeta deve ter sonhado...ele deve ter sonhado...