João Ator era ator profissional. Ator mesmo, de teatro, cinema, novelas. Um dia resolveu fazer um monólogo. A peça se chamaria “O engenheiro”.
Mas havia um problema: João Ator nunca tinha estudado nada sobre o tema e, para ser um perfeito engenheiro em cena, tinha que conhecer e dominar muito bem o assunto. Para isso, decidiu conversar com engenheiros.
Começou sua jornada frequentando a casa de um, comparecendo em reuniões e palestras com outros. Depois de alguns meses de “laboratório”, como ele gostava de dizer, já entendia um pouquinho da mente dos engenheiros, pessoas com um raciocínio tão lógico que dava até medo. Pessoas que faziam planos detalhados para os finais de semana, estipulavam metas com prazos e números até para seus filhos. Um povo bem estranho e diferente da classe de atores que ele conhecia tão bem.
Para se tornar melhor ainda em cena, João Ator decidiu fazer uma imersão na carreira. Inscreveu-se em um curso de introdução à engenharia. Um ano de estudo!
Depois da formatura, João Ator já falava da mesma maneira e com a mesma linguagem dos engenheiros que conhecia. Tinha na ponta da língua termos como flambagem, momento fletor, momento torsor, derivada, integral. Uffa, deu um trabalhão, mas foi divertido! Ficou tão empolgado com a experiência in loco que, para se tornar um ator perfeito e não decepcionar em seu monólogo, João Ator se matriculou em uma faculdade de engenharia.
Cinco anos mais tarde, formado e com diploma nas mãos, João Ator já falava, pensava como um engenheiro e, acredite se quiser, projetava casas e prédios. Mas ele queria mais. A idéia de ser perfeito no palco fez João Ator se inscrever em um curso mais avançado, uma pós-graduação.
Uau, ao terminar a especialização ele já projetava, avaliava e até assinava obras para outros técnicos. Seu papel estava beirando a perfeição.
O que mais faltaria para esta imersão total?, - pensou.
- Uma empresa de engenharia!
Encontrar um sócio foi rápido. Com alguns clientes já conhecidos e um pouco de trabalho no fim de semana, João Ator, após três anos de empresa, já possuía uma construtora de renome em sua cidade. Ele já falava, pensava, agia, instruía e lucrava como um engenheiro de verdade.
E, num sábado chuvoso, olhando para um teatro em frente ao seu novo empreendimento, João Ator decidiu se esquecer do monólogo, abandonar o tablado e se dedicar exclusivamente ao teatro profissional.
Às sextas-feiras, João Ator acordava e tomava seu café enquanto fazia cálculos de estrutura, como os velhos atores faziam. Colocava um terno cinza com uma camisa branca, seu figurino preferido de engenheiro, penteava seu cabelo como um profissional e ia para uma reunião com seus sócios, que também eram atores engenheiros. Bom, não eram tão perfeitos como João, mas já estavam pensando em fazer um curso de especialização para atores desse ramo, um MBA.
E você? Que papel interpreta?
Mas havia um problema: João Ator nunca tinha estudado nada sobre o tema e, para ser um perfeito engenheiro em cena, tinha que conhecer e dominar muito bem o assunto. Para isso, decidiu conversar com engenheiros.
Começou sua jornada frequentando a casa de um, comparecendo em reuniões e palestras com outros. Depois de alguns meses de “laboratório”, como ele gostava de dizer, já entendia um pouquinho da mente dos engenheiros, pessoas com um raciocínio tão lógico que dava até medo. Pessoas que faziam planos detalhados para os finais de semana, estipulavam metas com prazos e números até para seus filhos. Um povo bem estranho e diferente da classe de atores que ele conhecia tão bem.
Para se tornar melhor ainda em cena, João Ator decidiu fazer uma imersão na carreira. Inscreveu-se em um curso de introdução à engenharia. Um ano de estudo!
Depois da formatura, João Ator já falava da mesma maneira e com a mesma linguagem dos engenheiros que conhecia. Tinha na ponta da língua termos como flambagem, momento fletor, momento torsor, derivada, integral. Uffa, deu um trabalhão, mas foi divertido! Ficou tão empolgado com a experiência in loco que, para se tornar um ator perfeito e não decepcionar em seu monólogo, João Ator se matriculou em uma faculdade de engenharia.
Cinco anos mais tarde, formado e com diploma nas mãos, João Ator já falava, pensava como um engenheiro e, acredite se quiser, projetava casas e prédios. Mas ele queria mais. A idéia de ser perfeito no palco fez João Ator se inscrever em um curso mais avançado, uma pós-graduação.
Uau, ao terminar a especialização ele já projetava, avaliava e até assinava obras para outros técnicos. Seu papel estava beirando a perfeição.
O que mais faltaria para esta imersão total?, - pensou.
- Uma empresa de engenharia!
Encontrar um sócio foi rápido. Com alguns clientes já conhecidos e um pouco de trabalho no fim de semana, João Ator, após três anos de empresa, já possuía uma construtora de renome em sua cidade. Ele já falava, pensava, agia, instruía e lucrava como um engenheiro de verdade.
E, num sábado chuvoso, olhando para um teatro em frente ao seu novo empreendimento, João Ator decidiu se esquecer do monólogo, abandonar o tablado e se dedicar exclusivamente ao teatro profissional.
Às sextas-feiras, João Ator acordava e tomava seu café enquanto fazia cálculos de estrutura, como os velhos atores faziam. Colocava um terno cinza com uma camisa branca, seu figurino preferido de engenheiro, penteava seu cabelo como um profissional e ia para uma reunião com seus sócios, que também eram atores engenheiros. Bom, não eram tão perfeitos como João, mas já estavam pensando em fazer um curso de especialização para atores desse ramo, um MBA.
E você? Que papel interpreta?
4 comentários:
Eu faço a engenheira que não faz engenharia
é a ironia da vida. A busca da perfeição nos levando a caminhos vários. O mais perfeito é aquele que desistiu da perfeição.
Já interpretei vários papéis e muitas vezes me dei mal Mas a vida me mostrou que é o melhor é a interpretação que vem de dentro da alma! Viver o que vem de dentro e não o que está de fora.
Tem um filósofo, se não me engano é Nietzche, que diz que a vida é um grande palco, onde representamos o todo o tempo que estamos em frente às cortinas. A morte seria o momento atrás do palco, o fim da representação. Gostei do conto =)
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