Acordei de manhã bem cedinho.
Era aproximadamente 5:00. O céu ainda estava escuro, estávamos em horário de verão.
Minha irmã e minha mãe não ouviram meus passos pela sala e o silêncio continuou como estava antes.
Meu cachorrinho fez com que iria abrir seus olhos, mas a preguiça matinal não o permitiu.
Tomei um leite gelado com bolacha de chocolate [que é uma das coisas mais fantásticas da vida], cutuquei um brigadeiro quase
pronto dentro do forno, mordi uma última bolacha [agora sem leite] e saí.
Eu só ando de carro. Depois que consegui comprar meu carrinho, nunca mais andei à pé. Continuo achando muito saudável fazer
caminhadas e caminhadas, nadar, jogar e etecétaras porém, não ando mais à pé. Só de carro.
Não me pergunte porquê, mas nesse dia decidi andar de ônibus. É. De ônibus mesmo. Vontade. (shopenhauer entende)
Andei uns 300 metros e cheguei na minha meta final. Tão complexo [ou simples] como poderia ser. O ponto de ônibus.
- Por favor, qual ônibus eu pego pra chegar na Av. Rebouças, número 167?
- Que?
- Eu quero saber como eu faço pra chegar na Rebouças.
- Chegar onde?
Esse diálogo seria completamente cabível se fosse entre leigos em ruas e avenidas, mas não era.
Quem não me entendia era um motorista de ônibus de um coletivo que estava parado.
- Babaca. Como é que um motorista não sabe qual ônibus eu devo pegar pra chegar na Rebouças? Taxista sabe. Com certeza.
- Oi. Por favor. O senhor sabe como chego na Rebouças de ônibus?
- Onde?
- Rebouças.
_ O que é isso?
- Avenida porra. Desculpe. A avenida. Rebouças.
- Não.
- Ela cruza a Faria Lima.
- Que?
- Como que???? Faria Lima meu! Faria Lima. Pinheiros.
- Meu Deus do céu!!!! Como é que um taxisa não sabe onde fica a Faria Lima?? Nem a Rebouças???? Ahhhhhhh; Argh.
Guia. Isso.
olho no guia. Procuro F. Fa. Farinha.. Não.. Nenhuma Faria? Deve ser pelo fim... Lima.. Cerqueira Lima, Antônio Lima, só?
Acabou?
Não deve ser verdade. Devo estar sonhando.
Não existe Avenida Rebouças nem Faria Lima no guia. hahaha. Brincadeira.
Algum estagiário babaca se esqueceu de colocá-las no guia.
Tá bom então. Se ninguém sabe como chegar lá de ônibus, vou de carro.
Mais algumas dezenas de minutos e chego em casa novamente. Abro o portão e saio.
Provavelmente minha mãe me ouviu fazendo barulho, mas por algum motivo, não quis se levantar.
1, 5, 10 minutos. 20, 30, 37 minutos de trânsito e estou quse chegando... Que? Como?
Rodo, rodo, rodo e não acho a Rebouças e nem a Faria Lima. [novamente...], não estou perdido! Eu conheço muito bem essa
região... só não sabia como chegar de ônibus! De carro eu sei. Cadê a Faria Lima? cadê a Rebouças?
É isso mesmo que vocês estão ouvindo. A Faria Lima sumiu. [junto com a outra...]
No lugar delas? Lojas, casas, transeuntes e tudo mais.
Vou repetir. Já andei pra cima e pra baixo.
Vejo tudo o que posso ver, menos essas avenidas. Elas sumiram. Ou nunca existiram?
A Faria é a principal rua de pinheiros.
Tudo passa por lá, tudo acontece lá. Bares, restaurantes, baladas...
Sabe o que me deixou mais indignado?
Na época que a Faria Lima ainda existia, [ou pelo menos eu a conhecia], havia um carrinho de cachorro quente pertinho do
banco com um senhor, sempre servindo sorridente os clientes, de nome Ubiratã. Ele normalmente usava um boné azul, sapatos
pretos, calça jeans e camisetas que variavam nas cores branca e amarela.
Hoje, quando já não existe mais Faria Lima, eu vejo um carrinho de cachorro quente pertinho do banco com um senhor, sempre
servindo sorridente os clientes, de nome Ubiratã. Ele usa um boné azul, sapatos pretos, calça jeans e camisetas que variam
nas cores branca e amarela.
Tudo continua igual.
Até o carrinho é o mesmo.
Já ao lado da padaria, havia uma banca de jornal [na época da Faria Lima] bem vistosa, com luminários grandes e um cartaz
escrito "proibido colar cartazes" pregado em sua parede.
Hoje, sem Faria Lima, ao lado da padaria, há uma banca de jornal bem vistosa, com luminários grandes e um cartaz escrito
"proibido colar cartazes" pregado em sua parede.
Tudo continua igual.
Até o carrinho é o mesmo.
Me indago, me questiono, me concluo...
A Faria Lima não faz falta nenhuma pra esse mundo. Nem a Rebouças.
Com ou sem elas, tudo continua igual. As pessoas continuam andando, comendo, correndo, fazendo e desfazendo.
Tudo continua igual.
Até o carrinho é o mesmo.
E se você não existisse?
Que falta você faz?
Era aproximadamente 5:00. O céu ainda estava escuro, estávamos em horário de verão.
Minha irmã e minha mãe não ouviram meus passos pela sala e o silêncio continuou como estava antes.
Meu cachorrinho fez com que iria abrir seus olhos, mas a preguiça matinal não o permitiu.
Tomei um leite gelado com bolacha de chocolate [que é uma das coisas mais fantásticas da vida], cutuquei um brigadeiro quase
pronto dentro do forno, mordi uma última bolacha [agora sem leite] e saí.
Eu só ando de carro. Depois que consegui comprar meu carrinho, nunca mais andei à pé. Continuo achando muito saudável fazer
caminhadas e caminhadas, nadar, jogar e etecétaras porém, não ando mais à pé. Só de carro.
Não me pergunte porquê, mas nesse dia decidi andar de ônibus. É. De ônibus mesmo. Vontade. (shopenhauer entende)
Andei uns 300 metros e cheguei na minha meta final. Tão complexo [ou simples] como poderia ser. O ponto de ônibus.
- Por favor, qual ônibus eu pego pra chegar na Av. Rebouças, número 167?
- Que?
- Eu quero saber como eu faço pra chegar na Rebouças.
- Chegar onde?
Esse diálogo seria completamente cabível se fosse entre leigos em ruas e avenidas, mas não era.
Quem não me entendia era um motorista de ônibus de um coletivo que estava parado.
- Babaca. Como é que um motorista não sabe qual ônibus eu devo pegar pra chegar na Rebouças? Taxista sabe. Com certeza.
- Oi. Por favor. O senhor sabe como chego na Rebouças de ônibus?
- Onde?
- Rebouças.
_ O que é isso?
- Avenida porra. Desculpe. A avenida. Rebouças.
- Não.
- Ela cruza a Faria Lima.
- Que?
- Como que???? Faria Lima meu! Faria Lima. Pinheiros.
- Meu Deus do céu!!!! Como é que um taxisa não sabe onde fica a Faria Lima?? Nem a Rebouças???? Ahhhhhhh; Argh.
Guia. Isso.
olho no guia. Procuro F. Fa. Farinha.. Não.. Nenhuma Faria? Deve ser pelo fim... Lima.. Cerqueira Lima, Antônio Lima, só?
Acabou?
Não deve ser verdade. Devo estar sonhando.
Não existe Avenida Rebouças nem Faria Lima no guia. hahaha. Brincadeira.
Algum estagiário babaca se esqueceu de colocá-las no guia.
Tá bom então. Se ninguém sabe como chegar lá de ônibus, vou de carro.
Mais algumas dezenas de minutos e chego em casa novamente. Abro o portão e saio.
Provavelmente minha mãe me ouviu fazendo barulho, mas por algum motivo, não quis se levantar.
1, 5, 10 minutos. 20, 30, 37 minutos de trânsito e estou quse chegando... Que? Como?
Rodo, rodo, rodo e não acho a Rebouças e nem a Faria Lima. [novamente...], não estou perdido! Eu conheço muito bem essa
região... só não sabia como chegar de ônibus! De carro eu sei. Cadê a Faria Lima? cadê a Rebouças?
É isso mesmo que vocês estão ouvindo. A Faria Lima sumiu. [junto com a outra...]
No lugar delas? Lojas, casas, transeuntes e tudo mais.
Vou repetir. Já andei pra cima e pra baixo.
Vejo tudo o que posso ver, menos essas avenidas. Elas sumiram. Ou nunca existiram?
A Faria é a principal rua de pinheiros.
Tudo passa por lá, tudo acontece lá. Bares, restaurantes, baladas...
Sabe o que me deixou mais indignado?
Na época que a Faria Lima ainda existia, [ou pelo menos eu a conhecia], havia um carrinho de cachorro quente pertinho do
banco com um senhor, sempre servindo sorridente os clientes, de nome Ubiratã. Ele normalmente usava um boné azul, sapatos
pretos, calça jeans e camisetas que variavam nas cores branca e amarela.
Hoje, quando já não existe mais Faria Lima, eu vejo um carrinho de cachorro quente pertinho do banco com um senhor, sempre
servindo sorridente os clientes, de nome Ubiratã. Ele usa um boné azul, sapatos pretos, calça jeans e camisetas que variam
nas cores branca e amarela.
Tudo continua igual.
Até o carrinho é o mesmo.
Já ao lado da padaria, havia uma banca de jornal [na época da Faria Lima] bem vistosa, com luminários grandes e um cartaz
escrito "proibido colar cartazes" pregado em sua parede.
Hoje, sem Faria Lima, ao lado da padaria, há uma banca de jornal bem vistosa, com luminários grandes e um cartaz escrito
"proibido colar cartazes" pregado em sua parede.
Tudo continua igual.
Até o carrinho é o mesmo.
Me indago, me questiono, me concluo...
A Faria Lima não faz falta nenhuma pra esse mundo. Nem a Rebouças.
Com ou sem elas, tudo continua igual. As pessoas continuam andando, comendo, correndo, fazendo e desfazendo.
Tudo continua igual.
Até o carrinho é o mesmo.
E se você não existisse?
Que falta você faz?
Um comentário:
Fora todas as discussões que já tivemos sobre isso.Palavras soltas em caminhadas pelas ruas de São Paulo ou de SCS, e textos, e Shopenhauer e textos e sonhos...e idéias e textos...viajamos nos nossos pensamentos, que na verdade, se traduzem um no outro.
Eu ainda posso não ser o mundo, mas provavelmente esteja tornando o mundo de alguém, e ai sim, sei da diferença que faria não só para a vida desse alguém, mas provavelmente para o MUNDO....afinal, nós viemos para causar nesse mundo, bagunçar tudo....
E eu fico imaginando...se eu hoje não existisse como o mundo iria
perder....porque daí então nós não nos conheceríamos, e não abalaríamos o mundo. Percebo também que juntos, faremos muito mais diferença do que separados...afinal, quem está preparado para duas mentes insanamente loucas ?
Sabe aquele sorrisinho que um dia você despontou em alguém, aquele
sentimento naquele outro lá, ou até mesmo algo que você fez e mudou por
alguns segundos a concepção de alguém...isso já é uma tremenda contribuição
sua na vida de alguém....mas e se esse sorrisinho nunca tivesse ressoado
pelo mundo, ou aquele sentimento brotado....como isso afetaria a vida de
alguém que nunca sentiu isso?
É ISSO.....provavelmente nada mudaria...tudo seria vivido normalmente, e por
isso que estamos aqui, para que o normal não seja uma mera
eventualidade....para que não exista normal....que eu faça um sorriso em
alguém mudar uma existência inteira...e que principalmente, eu faça a
diferença entre tantas pessoas que não entendem essa falta.....
Existe uma historinha....
‘Havia um menino que acordava todos os dias bem cedinho e se dirigia para a
praia, e passava o dia todo atirando estrelas de volta ao mar.
Um dia um Senhor que pescava diariamente naquela praia chegou para o menino
e disse:
-O que você pensa que está fazendo, atirando essa estrelas de volta ao mar?
-Salvando-as....
-Mas olhe a praia inteira...são bilhões de estrelas.....você nunca
conseguirá salvar todas....
-Sim, talvez não, mas para essa aqui [ e mostra uma estrela em suas mãos] eu
farei a diferença....’
get it ?
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