domingo, 22 de abril de 2007

As sessenta mulheres de Carlos.

Trinta anos é, sem dúvida alguma, a pior idade do homem.
Entenda que quando digo trinta, é só trinta. Nada a mais, nada a menos. Vinte e nove ainda está na casa dos vinte; trinta e um, já teve um ano para se acostumar, mas, trinta anos... ahh trinta anos. Isto sim, é o pior que um homem pode sentir: Começa a reparar nos fios de cabelo brancos, nas rugas, no jeito "tiozão de andar", entre outros.

Carlos faria trinta anos em quatro dias e, repentinamente, a euforia e preocupação relativa às conseqüências dos trinta vieram à tona. Pouco tempo depois, já tinha a saída:

- Já li sobre isto, é psicológico. Já vi uma dúzia de psicólogos dizendo que temos que tratar é da auto-estima. O resto, se resolve sozinho.

Fácil. Carlão encontrou, em poucos minutos, a resposta para o seu psico-problema. Na verdade, o problema apenas mudou de nome. Agora, ele só tinha que descobrir como dar um jeito nesta tal de auto-estima.

- Não, Carlão. Auto-estima não tem nada a ver com carro. O auto vem de você, do self, de dentro. Você tem que provar pra você
mesmo que não são três míseras décadas de anos que farão você perder o seu poder interior. Auto-estima tem a ver com mulher.

Quanto mais mulher você tiver, melhor - e maior - a sua auto-estima.

Bingo. A resposta estava lá, na frente de seus olhos o tempo todo: Mulheres!
A idéia de Carlão seria genial se não tivesse o fim que teve:

- Vou ligar para todas as mulheres da minha vida. Desde aquelas que peguei na balada até aquelas que namorei por anos. Incluindo a Silvia: dois anos de casada e dois filhos morando no Paraguai. Ligo para todas e marco um encontro. Convite individual, muito som, bebida à vontade e praticamente uma legião de mulheres falando de mim, me querendo, me desejando e tudo mais. Quer remédio melhor para aumentar nossa auto-estima?

Plano perfeito... para uma criança de 10 anos, mas Carlos, mesmo com seus trinta anos nas costas, não desistiu da idéia, assim, tão fácil. Fazer a lista foi uma tarefa árdua.

Carla, Gabriela, Renata, Vivian, Juliana, Raquel, Priscila, Fátima, Irma, Rafaela, Paulinha, Pedra, Bárbara, Alessandra e mais quarenta e seis nomes de gatas. Bom, nem todas tão gatas.
De qualquer forma, Carlos não teve nenhum tipo de preconceito e chamou todas que tinha certeza que eram mulheres. (!)

Pronto. Já eram oito e quarenta da noite. O pequeno salão já estava cheio com as sessenta mulheres de Carlos, além da DJ, as treze hostess e as quatro policiais que ele fez questão de chamar no caso de histeria coletiva e surto generalizado das participantes do sexo feminino.

Tempo depois de todos se acomodarem, Carlão decidiu entrar na festa para colocar em prática a sua idéia genial.

Bom, seria genial se não tivesse o fim que teve.

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Qual o fim que teve?
Sei lá, eu não fui convidado.

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