segunda-feira, 30 de abril de 2007

Todo chocolate era amargo perto de sua boca. Qualquer vinho, fraco demais.

Não sei se foi sonho ou apenas mais um pesadelo para atormentar a minha vida. Talvez tenha sido tudo fruto da minha imaginação; talvez não. Hoje, a mulher perfeita olhou para mim.

Para imortalizar este rosto, este sorriso misterioso, nada melhor do que esboçá-lo aqui, em meu caderno de anotações...


A descrição da mulher perfeita

Seus olhos foram responsáveis por gelar a minha escoliose e acentuar, sensivelmente, a lordose que ainda me acompanha. Em uma piscada, estremeceu meus joelhos e fez-me, trincando minha espinha dorsal, suar frio. O sorriso não existiu.

O mistério atrás de seus lábios cerrados ainda não me deixa dormir. Uma hipnose oposta às razões: Não me dava sono. Quanto mais eu olhava, mais queria ficar acordado para poder ver. Suspiros puros e fundos.

Sinceramente, ela não era a minha alma gêmea. Os iguais não combinam, repelem, e ela era ao contrário: O formato de seu rosto era o exato inverso do meu. Como numa inequação do segundo, terceiro, quarto grau. Como se algum ser supremo tivesse espulpido-o para encaixá-lo em minhas imperfeições.

Sua delicada levesa no olhar paralisava, ao mesmo tempo que estremecia e fazia meu coração disparar. Fato: Todo chocolate era amargo perto de sua boca. Qualquer vinho, fraco demais.

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