[bônus]
Bônus. Nós vivemos de bônus.
Todos nascemos iguais e temos os mesmos diretos de vida [não estou falando de direitos e deveres sociais, estou falando de vida-animal-humana]
Quando nascemos, ganhamos um bônus de 150 anos - comprovado cientificamente por mim -. Se no momento em que fôssemos apresentados ao mundo, alguém nos colocasse numa mesa e deixasse-nos por lá para sempre [com pão + água], viveríamos 150 anos. [não quero discutir o
mérito do quadro-morte desse sujeito-vegetal que não influenciará em nada o muda - e que pode ser considerado morto - [paradoxo] Quem viver mais, morre mais!
(?)] Esquece. [Esqueço].
Voltemos ao bônus. Sabe quando a professora falava que a nota da prova começava com dez e a cada erro ela tiraria 1 ponto (ou 0,5)? A vida funciona assim também, mas ao invés de pontos, nos tiram tempo. Segundos, minutos, horas, dias são descontados a cada atitude errada, ou apenas contrária ao método normal-usual-casual-convencional de se viver. uma torção de braço, 1 dia a menos; Um trauma infantil, 4 anos a menos; Uma paixão que foi embora, 3 meses;
um coração que chora, 2 anos e meio; uma dose a mais, 2 dias; uma tragada profunda, 6 minutos; uma maço todo, 7 dias; um peso nas costas, 14 dias; na consciência, 41.
E assim passamos a vida sendo descontados pontos até chegarmos no zero, e ... [fim]?!.
Já tenho 26 anos descontados pelo próprio tempo, mais alguns por culpa, erros e inevitáveis assassinas ações. [Assassina de tempo].
Aos 9 anos, 3 já estavam comprometidos [minha garganta gasta de tanto chorar, um olho
roxo e alguns amores platônicos que tinham ido embora].
Não é fácil entender, mas com 9 anos, eu já tinha 12.
Com 16 anos, não tinha mais 24 anos dos meus totais 150. 16 do tempo + 3 [dos primeiros 9] e 5 dos 9 aos 16. 5 anos embora...
Alguns pesos na consciência, dedos torcidos, uma cabeçada na quina de uma mesa [que se não fosse suficiente tirar alguns meses de mim, ainda me deixou uma cicatriz na testa], umas
cabeçadas nas quinas da vida [cicatrizes na alma].
Com 23 anos eu já tinha alcançado os 40. Vamos ás contas: 23 do tempo + 3 [dos 0 aos 9] + 5 [dos 9 aos 16] + 9 perdidos[vividos]sofridos[vividos] neste restinho de tempo.
Parece que quanto mais o tempo anda, mas tempo eu perco [e me machuco], mais pontos são tirados de mim neste jogo que só tem perdedor, nesta prova que todo mundo acaba com zero.
25 anos e 11 meses. Já estou com 70 anos de débito - quase metade de uma vida -. 25 levados pelo tempo, 17 perdidos dos 0 aos 23... levo um tombo, um enorme tombo aos 24 anos, que fere, fura, finca meu peito. 28 anos tirados de mim numa manhã de sábado. Sábado escuro.
Escurece minha alma e apaga meus sentimentos. [escuro]. 70 anos somados com alguns desencontros, decepções, angústias.
No dia 5 de novembro de 2005, eu, com meus 25 anos, 11 meses e 7 dias, estou com quase 80 anos de morte nesta prova fatal. Fatal, que acabaremos com zero. Sempre.
Dia 6 de novembro de 2005. Exatamente um ano após meu tombo de 5 décadas. vejo uma pepita de ouro no meio de 90 carvões. Já ganho 1 ano [só pelo olhar tímido que dizia muito sem falar nada]. Minha pena se reduz a 70 anos. Mágica?
1 mês depois [que se iguala a quase 7 anos] o tempo muda de time, o relógio gira pra esquerda, 30 dias de convivência, [3000 horas de prazer] me devolvem anos de história. 10, 12, 19,
70 anos. O tempo é uma exponencial inversa [ou se torna]. 26 anos e o espelho
me mostra 10. Me torno uma criança [que dança, cata e se diverte] e volto a achar belas as coisas simples, volto a ser prático e descomplico a vida.
O despertador não funciona mais como deveria. Agora ele permanece gritando e feliz; só pára de tocar quando a hora fatal chega, e ainda não chegou. E não vai chegar.
Minha prova vale 11, 200, 500 anos e os pontos dela tirados são imediatamente repostos por 1 sorriso, 1 suspiro.
A lógica da vida novamente se transforma, a gramática dos meus pensamentos só está em nossos livros e o meu tempo [sagrado tempo] só depende de você.
Antes não sentia, não via, não sabia.
Hoje eu sinto, eu veJO Y CEi.
Rafael, o Baltresca.
3 comentários:
Irmão,
Infelizmente tenho que lhe advertir..Você está ficando louco!
Estimo melhoras,
Irmã.
É isso que chamam de amor. As maiores loucuras feitas pelo ser humano, estão
completamente associadas ao amor !!!!
Fiz as contas comigo mesmo...tô quase nos 150, mas me tornei alguém melhor.
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