domingo, 21 de janeiro de 2007

Como uma minhoca

Tudo que ele queria era uma segunda chance.
Não estou falando de uma segunda chance apenas com a namorada. Não apenas com ela.
Ele, com seus vinte e tantos anos achava que tinha se perdido, que não estava mais em sua trilha original.
Muitas besteiras feitas em seu namoro, o fizeram perder o amor de sua vida, muita estupidez em seus antigos empregos o fizeram ter uma carteira de trabalho suja e sem nenhuma boa-indicação, seus carros roubados sem seguro e sua casa à venda o davam toda a certeza de que sua vida não se consertaria mais.

Durante quase cinco anos, foi atrás de novas religiões tentando descobrir o que poderia fazer para ter uma nova chance, uma nova vida. Nos outros 10 próximos anos, percorreu o mundo atrás de ciência e soluções para voltar no tempo.

Perdeu quase 35 anos em busca desenfreada e contínua.
Um dia morreu e Deus decidiu dar-lhe uma nova chance.

E ele voltou. Reencarnado.
Como uma minhoca
.
E ele ressuscitou. Para que, ao invés de procurar voltar ao tempo e mudar o que não poderia ser mudado, ele percorresse outro caminho. Mudasse a direção de sua vida e consertasse os erros do passado. Conquistaria novamente o amor de sua vida e com ela teria forças suficientes para arrumar um bom emprego e conseqüentemente pagar suas dívidas e comprar um novo carro. E assim o fez:
Voltou a namorar, arranjou um emprego e pagou as dívidas. Juntou dinheiro, foi viajar, teve filhos e a partir daí seu destino mudou novamente.
Perdeu o emprego, sua mulher virou um bucho e os filhos viraram traficantes.
Seu fim? Suicídio.

Seu castigo?
Teve uma nova chance: virou mágico.
E, como dizem, todo suicídio é analgésico.

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