Mesmo sem saber ler ou escrever, o sonho de Breno era ser palestrante. Desde menino gostava de falar, e falava bonito. Na verdade, só foi pegar gosto pela coisa depois dos 12 anos. Antes disso, era tímido como uma ostra.
Pensava em força, poder, felicidade, quando pensava em palestras, público, palmas. Para ele, era mais que dinheiro, era realização pessoal. Era fama.
Já naquele tempo, era muito comum ver jogadores de futebol, técnicos de voley, remadores, darem palestras, mas, as mais aplaudidas em seu ponto de vista, eram as das pessoas que, de uma forma sofrida, venceram na vida. O miserável que fez um milhão vendendo balas na rua, o pintor, cego, que produzia obras primas, o nadador que venceu a última competição sem uma das pernas. Coisas tristes assim.
Mas ele, Breno, o nosso palestrante, era saudável e nunca foi pobre. Era analfabeto por opção, fugia dos livros, mas não tinha uma infância tão sofrida para contar e, seus únicos desafios, eram pagar a escola dos filhos e sustentar a esposa. Tudo muito normal para ser um palestrante com vida triste e sofrida.
Seu plano foi mirabolante. Resolveu simular um acidente. Algo aparentemente grave que, saindo vivo, estouraria na mídia e poderia contar sua história para milhões de espectadores.
Acordou cedo para o sucesso, fez uma bela refeição matinal e chegou ao local escolhido: Um buraco de mais ou menos 13 metros de altura, num lugar onde passavam duas ou três pessoas por dia, digo, por noite.
Jogando-se, pela manhã, dos 13 metros, e deixando o barro se infiltrar em suas roupas, à noite seria certamente resgatado. A história seria decorada - e inventada -. Passaria por um faminto de 3 dias e 3 noites comendo restos de animais e bebendo sua própria urina. A palestra de sucesso de uma vida triste e sofrida com muitos desafios vencidos estava praticamente pronta.
Fez o sinal da cruz e pulou. O nosso palestrante, coitado, só se esqueceu de consultar a previsão do tempo no jornal. Ah mas como choveu. Choveu durante dois dias consecutivos e as pessoas que passariam, não passaram por lá.
A fome falou mais alto, a dor veio sem dó e o fez comer restos de animais e beber água da chuva com barro. Fez isso por alguns poucos dias. Gritou por socorro durante esse tempo e só parou quando suas cordas vocais se estouraram, deixando nosso palestrante mudo para sempre.
Depois de ser resgatado por Jonas, passou uma semana e meia no hospital e logo, sem ler, escrever e agora, sem falar, nosso palestrante continuou na sua vida injusta que a ele foi dada.
Já o Jonas não!
Jonas, um operário de classe média baixa, sem muitas pretensões de vida, hoje percorre o mundo com a fantástica palestra: O dia em que salvei um miserável da morte.
Jonas prospera.
Pensava em força, poder, felicidade, quando pensava em palestras, público, palmas. Para ele, era mais que dinheiro, era realização pessoal. Era fama.
Já naquele tempo, era muito comum ver jogadores de futebol, técnicos de voley, remadores, darem palestras, mas, as mais aplaudidas em seu ponto de vista, eram as das pessoas que, de uma forma sofrida, venceram na vida. O miserável que fez um milhão vendendo balas na rua, o pintor, cego, que produzia obras primas, o nadador que venceu a última competição sem uma das pernas. Coisas tristes assim.
Mas ele, Breno, o nosso palestrante, era saudável e nunca foi pobre. Era analfabeto por opção, fugia dos livros, mas não tinha uma infância tão sofrida para contar e, seus únicos desafios, eram pagar a escola dos filhos e sustentar a esposa. Tudo muito normal para ser um palestrante com vida triste e sofrida.
Seu plano foi mirabolante. Resolveu simular um acidente. Algo aparentemente grave que, saindo vivo, estouraria na mídia e poderia contar sua história para milhões de espectadores.
Acordou cedo para o sucesso, fez uma bela refeição matinal e chegou ao local escolhido: Um buraco de mais ou menos 13 metros de altura, num lugar onde passavam duas ou três pessoas por dia, digo, por noite.
Jogando-se, pela manhã, dos 13 metros, e deixando o barro se infiltrar em suas roupas, à noite seria certamente resgatado. A história seria decorada - e inventada -. Passaria por um faminto de 3 dias e 3 noites comendo restos de animais e bebendo sua própria urina. A palestra de sucesso de uma vida triste e sofrida com muitos desafios vencidos estava praticamente pronta.
Fez o sinal da cruz e pulou. O nosso palestrante, coitado, só se esqueceu de consultar a previsão do tempo no jornal. Ah mas como choveu. Choveu durante dois dias consecutivos e as pessoas que passariam, não passaram por lá.
A fome falou mais alto, a dor veio sem dó e o fez comer restos de animais e beber água da chuva com barro. Fez isso por alguns poucos dias. Gritou por socorro durante esse tempo e só parou quando suas cordas vocais se estouraram, deixando nosso palestrante mudo para sempre.
Depois de ser resgatado por Jonas, passou uma semana e meia no hospital e logo, sem ler, escrever e agora, sem falar, nosso palestrante continuou na sua vida injusta que a ele foi dada.
Já o Jonas não!
Jonas, um operário de classe média baixa, sem muitas pretensões de vida, hoje percorre o mundo com a fantástica palestra: O dia em que salvei um miserável da morte.
Jonas prospera.
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